domingo, 7 de outubro de 2012

"Argamassa"

Admiro a delicadeza dos ouvidos do nosso tempo que não admitem mais do que a linguagem plena de lisonja solene. Vemos religiosos que compreendem a sua confissão às avessas, e que tolerariam mais uma blasfémia gravíssima contra Cristo do que a mais leve sátira contra um pontífice ou um princípe, sobretudo se lhe devem o pão.
 
IV – Não julgueis que estas minhas palavras são falsas como é vulgar entre os oradores. Pois bem sabeis que quando eles proferem um discurso que lhes custou trinta anos de trabalho, e por vezes trabalho alheio, juram tê-lo escrito por prazer (…). Eu, não; sempre me foi grato dizer imediatamente o que me vem à boca.

VI – Vedes que estou imitando os retóricos do nosso tempo que se julgam uns deuses pelo facto de serem bilingues como sanguessugas, e que julgam preclaro imiscuir no discurso latino algumas palavras gregas, compor um mosaico que nem sempre vem a propósito. À falta de palavras exóticas, vão buscar quatro ou cinco fórmulas arcaicas aos pergaminhos pútridos, ofuscando com trevas os olhos do leitor, para que assim os entendedores mais orgulhosamente se deleitem e para que ios ignorantes tanto mais admirem quanto menos compreendam.

Aonde levam todas estas ninharias?

sábado, 6 de outubro de 2012

Da mesmíssima massa


A massa é esta; o fermento é a ética [na versão republicana *]

É assim e com isto que, em parte, se explica como sendo a pizza uma originalidade gastronómica italiana, possam ser confeccionadas, fora, tão bem ou melhor quanto na Itália. O segredo está na massa e da massa já os italianos se aperceberam há muito que o tempo do genuíno, do autêntico, foi.
Fazem-se por cá pizzas melhores. Não nos falta massa nem fermento. Está visto e é consabido.

Não façam isso!

Se há pessoa de quem não deve [por razões de boa gestão dos recursos públicos, e por consequência patrióticas] ser acatada qualquer sugestão, essa pessoa é Mário Soares.
Terá sugerido a compra de um cão o que, a ser verdade que andem amedrontados, quer dizer que seriam vários cães. À conta de quem? Do erário público. Não comprem, não façam isso, por favor.
Se há pessoa a quem não deve ser considerada nenhuma sugestão, essa pessoa é Mário Soares.

Não estou certo da existência de muitos mais concidadãos que tenham conseguido a notável façanha de lograr viver basicamente às expensas do erário público como ele e há tanto tempo. Contas feitas, mais zig menos zag, assim é desde 1966. É obra, reconheça-se e…
E sempre preservando o património pessoal e familiar.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Chamar pelo nome não ofende

D. Januário Torgal Ferreira considerou que o governo usa de "linguagem prudencial" e que "monta os burros da feira e depois diz que são bestiais" na linha da linguagem do primeiro-ministro quando este "agradeceu a resignação dos pobres, humildes e ofendidos". E, das bestas, Sua Eminência também disse que "Nem andam a zurrar, nem levantam as patas. Fazem para aí uns barulhos de vez em quando, mas aceitam tudo. São o melhor do mundo"
 
Mas é claro que são, -- uns instruídos, outros não e muitos mais a fazer que sim --, umas bestas, sr. Bispo. Há muitos anos também o saudoso Engº Edgar Cardoso os entendia assim e há muitos mais ainda, outro houve que, à pressa, foi chamado a não deixar a manada tresmalhar-se mais do que já estava.

(Coisas de) gente engraçada

Li hoje num blog, que integra monárquicos no seu corpo redactorial, um tal Manifesto – A unir desde 1143 da responsabilidade de uma capela designada CAUSA REAL.
Até aqui tudo bem. Cada cabecinha seu devaneio e não é isso que me interessa: uns pelo reizinho, outros pela respublicazinha.

 
Olha-se para aquilo por ali abaixo e no fim, lá estão os nomes dos subscritores que [talvez por serem monárquicos e isso é um estatuto que não convive bem com situações osmóticas em que a aristocracia e a plebe se amalgamam] cuidaram, pois, no seguinte:
 
Há a listagem dos subscritores iniciais – os cérebros, os crânios, os que pensam, os de direito, os aristocratas, os putativos e os cooptados, os que constituíriam o corpo dos cortesãos, os que propõem à plebe, os dados à luz, … -- Diogo Lucena, Álvaro Silveira de Menezes, Paulo Teixeira Pinto, António Nogueira Leite, José Adelino Maltez,  Augusto Ferreira do Amaral, Miguel Alarcão Júdice,…
e depois -- fora do Paço Real, na rua -- aparece a listagem  dos subscritores (não sendo iniciais só podem ser os posteriores) -- os comuns, os pés-rapados, os zés-ninguéns, os paridos, … -- o jaquim, a maria, a vanessa, o antónio,…