sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O mundo mudou?

"Cabe aos gregos fazerem esforços responsáveis para se manterem no euro"
Não, quem mudou foi o Hollande.

«Como estás diferente, meu querido filho
exclamou a mãe ao cabo de três meses e picos de ausência

' pabula da corvis, dement tibi lumina corvi ' diziam os latinos que quer dizer -- se não fui enganado -- após não sei quantas apócopes, crases, síncopes e aféreses,
' alimenta os corvos para que eles te arranquem os olhos '

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

À sombra da mulemba qu'o sol 'tá forte!

Não, as (minhas) poucas palavras não são devidas a qualquer acesso de parcimónia ou, como dizem e escrevem certos tolinhos, à espera de uma vaga de fundo [quando a vaga é de superfície] ou, como citam os papagaios, à espera de Godot [sem fazerem a mais pequena ideia de quem é o tal ou Becket e/ou Vladimir ou Estragão] ou então [como apontam as  línguas bífidas  que  serpenteiam pelas lájeas do apriscopara esconder acrimónia, Não!
mas já agora, e a propósito, sempre digo que certos estiveram os antigos, ao contrário dos modernos e/ou dos contemporâneos, ao compreenderem que “a coruja de Minerva só abre as asas à hora do crepúsculo”.
A curiosidade matou o gato, diz-se.
Não será o caso porque 1 – não morri e 2 – não sou gato. Acrescento que muito se deve à ausência de disposição já que -- se é verdade que o saber não ocupa lugar -- muito tem contribuído para a consolidação de algumas das minhas percepções a varredura a uma catrefa de especiosos filosofemas de outros tantos prolixos quanto cabotinos e ainda deletérios nas lavras de um Tejo de epígonos -- uns porque sim, outros porque se tu sim então eu não e imensos a fazer de contas.
Tenho por certo isso como tenho da necessidade de, alerta, ir dilucidando onde está a autêntica diletância e aonde está o resto. Verdade seja dita que, entre uma coisa e a outra, aprecio mais a detecção de solertes. Aproveito o ensejo para explicar que a denominação pode ser tudo menos casual: é também por economia. Assim, de uma penada e sem achavascar, ficam inclusos os sagazes, os manhosos, os finórios bem como os velhacos e os espertalhões.

A força do burro tem a(s) qualidade do(s) herói(s) (clássicos): a paciência, a tranquilidade, a humilde e indomável constância que não sai do seu caminho; quando se é Zeno sabe-se bem que a partida, por mais deliciosas que possam ser muitas das suas peripécias, não merece ser jogada.

Marco Aurélio, imperador romano, dizia que “a vida não passa de opinião” e também não sou o queixoso que ouviu daquele outro funcionário dos Habsburgos, prometer-lhe que
«Espere até morrer e depois verá, verá que ainda há-de ser célebre»
É que 1 – não sou contemporâneo dos Habsburgos -- i) tão pouco me sinto vítima dos seus descendentes, 2 – não sou escritor e ainda menos sou escritor e 3 – não me lamento.

Algum dia eu teria de me tornar mais assisado! digo eu.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Dos génios [da finança] e predestinados [do mundo empresarial] lusos (I)

Os dois investimentos ‘chumbados’ esta semana pelo Governo e pela Caixa Geral de Depósitos, de Alexandre Alves e José Roquete, revelam a pior faceta dos empresários portugueses.
Um recusou dar os documentos exigidos à formalização do processo, outro achou que não devia dar garantias patrimoniais pessoais. Qualquer cidadão pede um empréstimo ao banco e é-lhe exigido toda a espécie de garantias e informação, incluindo o nome dos animais domésticos. Estes empresários, porém, acham que o Estado tem de pagar sem tugir nem mugir. Sentem-se imunes a tudo e acham normal ser empresários com o dinheiro dos outros. Não há crise nem lata que lhes chegue.
Eduardo Dâmaso, CM

domingo, 5 de agosto de 2012

Fasquias

Quando a palavra recebe o tratamento de polé que recebe e, por isso ou por quaisquer outras razões, as cavidades orais debitam em contínuo um chorrilho de adjectivos, e outros tantos superlativos, a propósito “do que poderá vir a ser”, o que podia ter sido “se”, o que só não foi “porque” ou o excelente, notável ou extraordinário que é apesar de na realidade, o resultado ter sido menos do que medíocre ou por lá perto, está tudo dito.
Esse sistemático uso do verbo sem qualquer critério acontece não por exigência da descrição da realidade e dos factos mas por compulsão. O que é preciso é falar, vocalizar. Dizer o que seja é que não é o mote ou a regra e talvez nem valha a pena. Afinal o imbecil colectivo* não distingue entre uma coisa e outra. Para o imbecil colectivo não há distinção entre grasnar, pipilar ou piar: os pássaros piam e/ou cantam. Os homens  falam (embora possam e devam procurar, falando, dizer algo). Mas como isto anda tudo ligado, vai dar tudo ao mesmo -- como diz o outro.

Apanhei a transmissão dos derradeiros 500 mts. de uma prova final de remo em que entraram dois remadores portugueses. De seis equipas ficaram em quinto. O sr. da têvê, especialista/comentador, disse-os extraordinários. Como diria se tivessem alcançado uma medalha?! …, provavelmente, extraordinários já que, no domínio do ordinário, não cabe o que por ser  grandioso quebrou as grilhetas do comum.

É, para usar um termo presentemente muito em voga, uma questão de mínimos.
… o Sócrates é engenheiro e o Relvas, licenciado. Habituamo-nos a tudo! tanto que até à porcaria deixamos de a percepcionar como pestífera.
Os atletas são [na sua maioria] os únicos que merecem respeito. Ao contrário de uma vara de burocratas (e medíocres! comprovadamente) que parasitam as insubstituíveis organizações como é o caso do Comité Olímpico nacional presidido por um tal Vicente de Moura para quem, pelos vistos, não há desastre ou destroço que lhe pesem o bastante para o fazer escrever e assinar a carta de demissão o que, convenhamos, não é para admirar... Afinal qual é o múnus vital do parasita? Não é certamente o de apreciar e valorizar atitudes, pessoas e carácteres como o de Clarisse Cruz, por exemplo.

*  de Olavo de Carvalho