Não, as (minhas) poucas palavras não são devidas a qualquer acesso de parcimónia ou, como dizem e escrevem certos tolinhos, à espera de uma vaga de fundo [quando a vaga é de superfície] ou, como citam os papagaios, à espera de Godot [sem fazerem a mais pequena ideia de quem é o tal ou Becket e/ou Vladimir ou Estragão] ou então [como apontam as línguas bífidas que serpenteiam pelas lájeas do aprisco] para esconder acrimónia, Não!
mas já agora, e a propósito, sempre digo que certos estiveram os antigos, ao contrário dos modernos e/ou dos contemporâneos, ao compreenderem que “a coruja de Minerva só abre as asas à hora do crepúsculo”.
A curiosidade matou o gato, diz-se.
Não será o caso porque 1 – não morri e 2 – não sou gato. Acrescento que muito se deve à ausência de disposição já que -- se é verdade que o saber não ocupa lugar -- muito tem contribuído para a consolidação de algumas das minhas percepções a varredura a uma catrefa de especiosos filosofemas de outros tantos prolixos quanto cabotinos e ainda deletérios nas lavras de um Tejo de epígonos -- uns porque sim, outros porque se tu sim então eu não e imensos a fazer de contas.
Tenho por certo isso como tenho da necessidade de, alerta, ir dilucidando onde está a autêntica diletância e aonde está o resto. Verdade seja dita que, entre uma coisa e a outra, aprecio mais a detecção de solertes. Aproveito o ensejo para explicar que a denominação pode ser tudo menos casual: é também por economia. Assim, de uma penada e sem achavascar, ficam inclusos os sagazes, os manhosos, os finórios bem como os velhacos e os espertalhões.
A força do burro tem a(s) qualidade do(s) herói(s) (clássicos): a paciência, a tranquilidade, a humilde e indomável constância que não sai do seu caminho; quando se é Zeno sabe-se bem que a partida, por mais deliciosas que possam ser muitas das suas peripécias, não merece ser jogada.
Marco Aurélio, imperador romano, dizia que “a vida não passa de opinião” e também não sou o queixoso que ouviu daquele outro funcionário dos Habsburgos, prometer-lhe que
«Espere até morrer e depois verá, verá que ainda há-de ser célebre»
É que 1 – não sou contemporâneo dos Habsburgos -- i) tão pouco me sinto vítima dos seus descendentes, 2 – não sou escritor e ainda menos sou escritor e 3 – não me lamento.
Algum dia eu teria de me tornar mais assisado! digo eu.