sexta-feira, 15 de junho de 2012

Post dedicado *

Contou Art Buchwald 1 que no dia da tomada de posse de Richard Nixon, ficou sentado ao lado de Helmut Strudel 2 .

A dado passo, Nixon disse
«Cada um de nós deve lembrar-se que a América foi edificada não pelo governo mas sim pelo povo; não pelo bem-estar mas pelo trabalho; não pela fuga à responsabilidade mas pela responsabilização (…)»

Strudel, suando, ciciou a Buchwald qualquer coisa como
«Parece-me bem que ele não vai safar a minha companhia da falência»
Buchwald ter-lhe-á respondido
«Não seja tolo. Quando o presidente fala de povo que beneficia de bem-estar, está a referir-se aos pobres diabos que apanham as migalhas; não se refere às grandes companhias que apanham os grandes subsídios governamentais

* a quantos tolos (por cá ou por aí) ainda se dedicam diligentemente a dedilhar textos ou a gastar saliva com preocupações plebeias. Excepcionando os que o fazem por exigência profissional.

1humorista norte-americano que se celebrizou pela coluna de sátira política que assinava no The Washington Post; prémio Pulitzer (1982) e presidente da American Academy and Institute of Arts and Letters (1986);
2 – presidente da Strudel Industries

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Das lágrimas de Portugal

Sem que nada tenha feito nesse sentido as circunstâncias de vida têm-me propiciado oportunidade de constatar o merecimento de múltiplas “agruras” de vida dos portugueses e o pior [mas isso é e sempre foi assim] é que são mais os inocentes do que os culpados não ignorando que entre os primeiros e os segundos há um universo [enorme] composto pelos que são ambas as coisas.
Penso nas lágrimas que são vertidas, e na ladainha debitada a torto e a direito, e que não têm correspondência com o que se passa no terreno.
No rincão, no extremo do istmo a babugem e a choradeira, parece, é “escola” que continua a ter multidões de fiéis e de indefectíveis seguidores. Vale que felizmente há [sempre] excepções assim como sabemos que essas não são suficientes para desautorizar as teses dos primeiros nem servem de colírio para os sacos lacrimais da maioria.

domingo, 20 de maio de 2012

As notas de um Fado tropical ou as "modulações" de um samba fadado?

Muda-se de país, de continente e ao cabo de um mês e picos a conclusão mais básica a retirar é 
-- Eu já ouvi esta música!... já vi este filme!ou (Este filme) é certamente uma outra produção (desse que já vi).
Ao chegar, há um mês, a notícia [e continua sendo cada vez mais funda, sabuja e abrangente] que fazia "caixa" por tudo quanto é papel-impresso e estúdios de têvês, eram as "tropelias" do Carlinhos Cachoeira e, pelo meio -- podia lá ser diferente! --, a existência de um complexa colmeia, subterrânea (tão complexa quanto subterrânea) "edificada" por uma Mota -Engil, aqui designada por Delta, com uma abelha-rainha, por aqui de sua graça Fernando Cavendish que são , por sua vez, [a  Delta e Cavendish] escoras de uma teia  gigantesca que parasita o Estado por via de obras-públicas mas que previamente, paulatinamente, "capturou" muitos dignitários do Estado e estes por sua vez, diligentemente, instalaram para os poderem capturar uma rede de servidores de carreira (ou se não são, fazem-se) do Estado aos mais diversos níveis [municipal, estadual e federal] e como de outra forma não pode ser se uns se alimentam da "máquina", a "máquina" não os pode dispensar sob pena de colapsar.
C´est la vie!
Há apesar de tudo, comparativamente, uma não dispicienda vantagem:
muito por onde desabelhar apesar da PresidentA, do PT e do "amazonas" de amigalhaços que por aí pululam.
´inté xente!


quinta-feira, 12 de abril de 2012

(Tal qual no meu kimbo) Tchau!

Na hora do aceno de mão são múltiplas, e desordenadas, as minhas emoções.
As razões são intuitivas e de essas destaco apenas o que deixo. E, do que deixo, apenas e só as pessoas
-- os familiares que por cá irão andando [que é uma forma de expressar as coisas que, com excepção dos que carecem de alternativa exequível, me causa incómodo… discordo do estar das pessoas “que estão sempre andando”]; uns poucos amigos que [mais ou menos presentes] me acompanham desde os tempos em que passávamos o Coringe; outros tantos mais que por cá tive o gratíssimo prazer de fazer e o deleite da sua companhia e ainda, em concreto, três outros -- o Francisco Castelo do Claustrofobias, Zé Portugal de Um Jardim no Deserto e o Joshua do Palavrossaurus Rex --, que me deram [e darão, certamente]  a satisfação de no decorrer destes derradeiros sete anos terem, aqui e ali,  enriquecido, pespontado a minha presença nesta coisa da opinião voluntária gratuita e sem agenda na web com as suas alfinetadas, palavras de incentivo, etc… bem como p´raí outra dúzia e meia, por quem nutro elevado respeito e consideração pessoal e que comigo têm [assim continuaremos] terçado argumentos e/ou átimos [as mais das vezes ironias e sarcasmos] pelo Facebook.
… de todos levo saudades, mas [a oportunidade surgiu como prenda no Natal em 2010, o desafio profissional é deveras entusiasmante, o desejo andava amarfanhado há imensos anos,…] como escrevi, ontem, citando Rabindranath Tagore, voude coração confiante.
Bem sei que não foram poucas as vezes em que me “excedi” nos termos a intenção não foi/é/será ofender, nunca! como diversas vezes aqui o escrevi sou pecador que, na escolha entre o silêncio táctico, conivente ou cobarde e o erro de apreciação, opto [em princípio] pelo risco de eventual erro. É questão de personalidade e, mais do que isso, de carácter.
De todos aguardo que me relevem as falhas e com todos espero poder continuar partilhando.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cantem o fado *

É muito difícil ser pároco nesta freguesia.
É difícil porque sim e, mais difícil é porque, apreciadas como devem ser as coisas, por isto ou por aquilo encaminhamo-nos sempre para um “beco”.
E aí há que aproveitar, mas para vomitar. Para vomitar ou para saltar o muro e mandá-los à bosta. Isto é um nojo!

Li, algures, que não foram atribuídas cerca de duas mil bolsas de estudo a alunos do ensino superior porque os papás têm dívidas ao fisco. Ler uma coisa destas agonia-me **.

Em primeiro lugar a questão é:
porque há-de ser um filho penalizado pelas alegadas falhas  do progenitor ? depois fica por saber porque é que esta gente permite que, cada vez mais, o arroto de um qualquer manga-de-alpaca do fisco é considerado como se de um dogma se tratasse? é que, entre outras, desde o instante em que o sacripanta [do fisco] decide até que fique provado que o questor  tem razão pode ir um abismo – um buraco feito pela diferença entre ser alegadamente devedor  e o dever, de facto.

Ora isto, quanto a mim, seria bastante para que as academias se levantassem.
Os que viram negadas as bolsas e os outros. Por uma razão elementar – solidariedade
[um sentimento, uma pulsão com que estes maltrapilhos aburguesados e peralvilhos da saliva enchem a boca, mas que não serve senão para arejar a língua ou dissipar o mau hálito].
Não! esta gente não tem um pingo de amor-próprio, brio, noção de dignidade. Por mais que se digam indignados ao invés de se insurgirem com decisões que, de facto, atentam contra as mais elementares regras da administração de uma comunidade preferem o folclore.

Folclore como o que me foi dado ver num “abraço” perfeitamente idiota, infantil e inconsequente em redor de uma maternidade que, presume-se, irá fechar.
E porquê? pela amostra (televisionada) uma imbecil justificou-o "por lá ter nascido"; outra, disse "por lá terem nascido os seus gémeos"; outra, hoje de manhã, na rádio, indignou-se contra o encerramento porque o que deviam fechar era o Francisco Xavier. Porquê? (minha senhora). "Porque o netinho, dela, ia morrendo no Francisco Xavier".

Os jornais dão a saber que a ministra Cristas teve a ideia, peregrina (e submeteu-a a consulta aos interessados, valha-lhe isso), de criar uma taxa que visa sustentar um Fundo (para a segurança e saúde alimentar).
D. Cristas, vá inventar lá para a sua cozinha. Mas qual Fundo qual quê?! um Fundo e mais meia-dúzia de parasitas para o gerir!!! Qual Fundo qual quê?! o Fundo é atribuir obrigações e poderes à ASAE... já que existe. E a segurança,  ou a saúde, previnem-se sendo implacável com toda a sorte de prevaricadores.

O beco é este!
Se esta sociedade está atolada na estrumeira produzida pelos séquitos que se alojaram na administração pública, quer na central quer na local, é muito por esta gente ser do quilate que é.
Não valem um traque!

* faguinchem que é cantá-lo, guinchando
** não tenho, de forma directa ou indirecta, nenhum interesse particular e que se relacione com o assunto.