quinta-feira, 12 de abril de 2012

(Tal qual no meu kimbo) Tchau!

Na hora do aceno de mão são múltiplas, e desordenadas, as minhas emoções.
As razões são intuitivas e de essas destaco apenas o que deixo. E, do que deixo, apenas e só as pessoas
-- os familiares que por cá irão andando [que é uma forma de expressar as coisas que, com excepção dos que carecem de alternativa exequível, me causa incómodo… discordo do estar das pessoas “que estão sempre andando”]; uns poucos amigos que [mais ou menos presentes] me acompanham desde os tempos em que passávamos o Coringe; outros tantos mais que por cá tive o gratíssimo prazer de fazer e o deleite da sua companhia e ainda, em concreto, três outros -- o Francisco Castelo do Claustrofobias, Zé Portugal de Um Jardim no Deserto e o Joshua do Palavrossaurus Rex --, que me deram [e darão, certamente]  a satisfação de no decorrer destes derradeiros sete anos terem, aqui e ali,  enriquecido, pespontado a minha presença nesta coisa da opinião voluntária gratuita e sem agenda na web com as suas alfinetadas, palavras de incentivo, etc… bem como p´raí outra dúzia e meia, por quem nutro elevado respeito e consideração pessoal e que comigo têm [assim continuaremos] terçado argumentos e/ou átimos [as mais das vezes ironias e sarcasmos] pelo Facebook.
… de todos levo saudades, mas [a oportunidade surgiu como prenda no Natal em 2010, o desafio profissional é deveras entusiasmante, o desejo andava amarfanhado há imensos anos,…] como escrevi, ontem, citando Rabindranath Tagore, voude coração confiante.
Bem sei que não foram poucas as vezes em que me “excedi” nos termos a intenção não foi/é/será ofender, nunca! como diversas vezes aqui o escrevi sou pecador que, na escolha entre o silêncio táctico, conivente ou cobarde e o erro de apreciação, opto [em princípio] pelo risco de eventual erro. É questão de personalidade e, mais do que isso, de carácter.
De todos aguardo que me relevem as falhas e com todos espero poder continuar partilhando.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cantem o fado *

É muito difícil ser pároco nesta freguesia.
É difícil porque sim e, mais difícil é porque, apreciadas como devem ser as coisas, por isto ou por aquilo encaminhamo-nos sempre para um “beco”.
E aí há que aproveitar, mas para vomitar. Para vomitar ou para saltar o muro e mandá-los à bosta. Isto é um nojo!

Li, algures, que não foram atribuídas cerca de duas mil bolsas de estudo a alunos do ensino superior porque os papás têm dívidas ao fisco. Ler uma coisa destas agonia-me **.

Em primeiro lugar a questão é:
porque há-de ser um filho penalizado pelas alegadas falhas  do progenitor ? depois fica por saber porque é que esta gente permite que, cada vez mais, o arroto de um qualquer manga-de-alpaca do fisco é considerado como se de um dogma se tratasse? é que, entre outras, desde o instante em que o sacripanta [do fisco] decide até que fique provado que o questor  tem razão pode ir um abismo – um buraco feito pela diferença entre ser alegadamente devedor  e o dever, de facto.

Ora isto, quanto a mim, seria bastante para que as academias se levantassem.
Os que viram negadas as bolsas e os outros. Por uma razão elementar – solidariedade
[um sentimento, uma pulsão com que estes maltrapilhos aburguesados e peralvilhos da saliva enchem a boca, mas que não serve senão para arejar a língua ou dissipar o mau hálito].
Não! esta gente não tem um pingo de amor-próprio, brio, noção de dignidade. Por mais que se digam indignados ao invés de se insurgirem com decisões que, de facto, atentam contra as mais elementares regras da administração de uma comunidade preferem o folclore.

Folclore como o que me foi dado ver num “abraço” perfeitamente idiota, infantil e inconsequente em redor de uma maternidade que, presume-se, irá fechar.
E porquê? pela amostra (televisionada) uma imbecil justificou-o "por lá ter nascido"; outra, disse "por lá terem nascido os seus gémeos"; outra, hoje de manhã, na rádio, indignou-se contra o encerramento porque o que deviam fechar era o Francisco Xavier. Porquê? (minha senhora). "Porque o netinho, dela, ia morrendo no Francisco Xavier".

Os jornais dão a saber que a ministra Cristas teve a ideia, peregrina (e submeteu-a a consulta aos interessados, valha-lhe isso), de criar uma taxa que visa sustentar um Fundo (para a segurança e saúde alimentar).
D. Cristas, vá inventar lá para a sua cozinha. Mas qual Fundo qual quê?! um Fundo e mais meia-dúzia de parasitas para o gerir!!! Qual Fundo qual quê?! o Fundo é atribuir obrigações e poderes à ASAE... já que existe. E a segurança,  ou a saúde, previnem-se sendo implacável com toda a sorte de prevaricadores.

O beco é este!
Se esta sociedade está atolada na estrumeira produzida pelos séquitos que se alojaram na administração pública, quer na central quer na local, é muito por esta gente ser do quilate que é.
Não valem um traque!

* faguinchem que é cantá-lo, guinchando
** não tenho, de forma directa ou indirecta, nenhum interesse particular e que se relacione com o assunto.

terça-feira, 10 de abril de 2012

TAKE OFF

O “Pleitos”, seis anos volvidos de edição (praticamente) ininterrupta, entra no que será uma série.
Se há razões que o determinam? Há! Se as condicionantes permitirão denotar alterações significativas em textos futuros? Não faço a mais pequena ideia [precato-me, dizendo que talvez daqui a meio-ano o possa fazer].
De momento, adquirido, apenas tenho que
-- as apostilas continuarão sendo subliminares e ao sabor dos eventuais interesses ou conveniências dos meus leitores [careço de topete para outra coisa que não isso] e
--     os  pleitos  serão [como o são desde o
instante inicial] os mesmos, idênticos ou sucedâneos já que a “determinística” está toda a montante do autor [desconheço a existência de rios que alimentem cursos de água secundários].
Na realidade o que fará a diferença [se diferença houver] serão as minhas próprias circunstâncias e de essas, a saber, destaco a de ficar isentado das percepções [outras terei e que usarei como contraponto ou referência] advenientes do exercício dos sentidos [nomeadamente o tacto, o olfacto e o paladar] assim como a de ter sido bafejado por forma a não estar sujeito à sucção gerada pelo ralo.
Irei ter tempo, e oportunidade, de olhar o [comportamento do] rio a partir da margem.
Mais triste do que o que acontece
É o que nunca aconteceu
(…)
Aproprio-me da sensatez e sabedoria do saudoso Vitor da Cunha Rego
«Recusam-se a pensar. Vão acabar exaustos, atordoados de tanta correria. É como se estourassem de inconsciência, (…) Fogem de qualquer luta, afrouxam-se em submissões, aceitam não ser donos deles mesmos. Nem sequer sabem que estão sós porque a solidão desliza sobre eles sem deixar vestígios como a água nas penas dos cisnes.
Todos nós somos convidados para entrar num castelo, diariamente, vá lá saber-se por quem. Pode o castelo estar cheio de esplendores e de multidão ruidosa que não deixará de acabar em sepulcro, mais depressa do que seria de esperar, (…) escapar da ladainha dos que mergulharam no ruído, viver como um desafio, ter a honra de não se submeter a quem não merece submissão e de depender do amor de quem merece essa dependência, é o que deveria ser -- se pensássemos. Mas só quando se está cansado de nunca estar só é possível vencer a violência da solidão e pensar no que vale a pena. As coisas são o que são.»
Melhor te acolhe a vil choupana dada
Que o palácio devido.

with afterburner.
Até já!

quinta-feira, 29 de março de 2012

29.03.2012

É o 1º dia do 7º ano de vida do Pleitos.
Motivo de satisfação pessoal e data de “celebração”. E boa ocasião para uma pausa, também.
Farei uma pausa… para reaparecer, com um novo fôlego, para uma série. Entretanto,
a vida segue lá pelo Espelho Plano.

Aos (leitores) amigos rogo-lhes paciência; aos que não são amigos, não lhes solicito nem agradeço nada mas, fica garantido, continuarei a “dizer” o que me der na gana… se por outra razão não fôr, que seja para (os) chatear!




Encerrado para   BALANÇO


quarta-feira, 28 de março de 2012

Transformar o nigredo em albedo

28.03.2012
No último dia do 6º ano de vida do “Pleitos

Com os olhos postos nos páramos desta paródia quedo-me, pois, por uma pincelada impressionista na qual procuro sintetizar alguns poucos dos fotogramas que me chegam.
Inexoravelmente, na mudança que transforma a sociedade, espalha-se um cheiro a podre que sobe do fundo das instituições. No que a mim respeita começou por ser um mal-estar. Uma lenta acumulação de repugnâncias. O que para os outros era opaco para mim tornava-se-me transparente.

Há já muito tempo que não temos descanso, porque nos últimos anos não houve um dia sem um escândalo político e as tranquibérnias  políticas atingiram uma dimensão dificultosamente imaginável. Os "jornais" leia-se comunicação social revelam e acusam e naturalmente exageram, mas anulam também logo a seguir por oportunismo e, por oportunismo, pouco depois esquecem. Os "jornais" são os reveladores e os instigadores, e ao mesmo tempo os encobridores e abafadores e opressores no que diz respeito à perversidade dos políticos e aos crimes políticos.