Me parece que opinar sobre o negócio da venda dos 21% do Estado na EDP aos chineses da Three Gorges é um atrevimento com excepção da que seja feita por quantos conheçam os detalhes. Não são o preço (que os chineses pagaram por acção) nem o desassossego doméstico com a transparência do negócio os detalhes a que aludo.Quanto ao preço foram os que se propuseram pagar mais. Como tal tudo bem;quanto à transparência, passa o tempo e não existe o mais indício de que algum dos outros proponentes tenha apontado falha. Portanto, tudo bem. Perante o que nos é dado saber parece ter sido um bom negócio. Terá sido?
O que sustenta a minha dúvida e desconfiança é a de que a “qualidade” do negócio, se possa aferir pela diferença entre as propostas de compra presentes – 200 milhões de euros.
Suspeito que Portugal confrontado com a derradeira oportunidade de fazer uma opção indubitável entre os países lusófonos, no caso o Brasil, e os vizinhos e sócios europeus, no caso a Alemanha, se tenha equivocado por mais 200 M€ (directos) e 3MM€ em intenções homologadas
(desconheço a obrigação contratual a que os chineses se vincularam assim como desconheço quais as pretensões ínsitas nas propostas dos alemães da E.ON e/ou dos brasileiros da Petrobraz)…
tanto que, aos chineses, não faltarão oportunidades futuras de negócio para entrar na Europa.
Em termos gerais e abstractos fica por provar que não houve aqui -- por deficiente avaliação prospectiva nossa e por incapacidade de coordenação estratégica europeia -- um erro na decisão tomada e de cujas consequências se darão conta tarde, mal e sem recuo possível.
Do que não tenho dúvida alguma é que venha o dinheiro de bancos chineses, brasileiros ou alemães nenhum deles chega cá por sermos gente afável e um país simpático.
Do que poucas dúvidas tenho também é que se os portugueses estão necessitados os chineses estão muito interessados (assim não fosse e não se teriam abalançado em valores tão altos). Ora, entre a nossa premente necessidade e o preço que os chineses se propuseram pagar (pelo custo da oportunidade) para que lhes fosse franqueada a porta, fica-me o travo amargo resultante da suspeita sobre qual vale efectivamente mais. Fica-me a impressão de que os chineses conseguiram, na ponta ocidental do istmo, um negócio da China.
Não gostei da decisão.Teria ficado bem mais agradado se a opção tivesse sido pelos alemães e ainda mais se tivesse sido pelos brasileiros. Brevemente, quando se começarem a conhecer os detalhes contratuais e, depois, quando começarem a descarregar as bagagens que trazem, logo veremos como será.
Não gostei da decisão.Teria ficado bem mais agradado se a opção tivesse sido pelos alemães e ainda mais se tivesse sido pelos brasileiros. Brevemente, quando se começarem a conhecer os detalhes contratuais e, depois, quando começarem a descarregar as bagagens que trazem, logo veremos como será.
Por agora cada um diz apenas, e só, o que lhe interessa sendo certo que fica mais por dizer do que o que é efectivamente dito.
Orgulho e preconceito?! Talvez… com a ressalva de que orgulho é defeito se ultrapassar os limites do razoável e o preconceito é prejudicial se obstar ao raciocínio. Assim, até ao razoável, orgulho é amor-próprio, egoísmo vital, personalidade. Não é, portanto, defeito.
Orgulho e preconceito?! Talvez… com a ressalva de que orgulho é defeito se ultrapassar os limites do razoável e o preconceito é prejudicial se obstar ao raciocínio. Assim, até ao razoável, orgulho é amor-próprio, egoísmo vital, personalidade. Não é, portanto, defeito.


