sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Orgulho e preconceito

Me parece que opinar sobre o negócio da venda dos 21% do Estado na EDP aos chineses da Three Gorges é um atrevimento com excepção da que seja feita por quantos conheçam os detalhes. Não são o preço (que os chineses pagaram por acção) nem o desassossego doméstico com a transparência do negócio os detalhes a que aludo.
Quanto ao preço foram os que se propuseram pagar mais. Como tal tudo bem;quanto à transparência, passa o tempo e não existe o mais indício de que algum dos outros proponentes tenha apontado falha. Portanto, tudo bem. Perante o que nos é dado saber parece ter sido um bom negócio. Terá sido?

O que sustenta a minha dúvida e desconfiança é a de que a “qualidade” do negócio, se possa aferir pela diferença entre as propostas de compra presentes – 200 milhões de euros.
Suspeito que Portugal confrontado com a derradeira oportunidade de fazer uma opção indubitável entre os países lusófonos, no caso o Brasil, e os vizinhos e sócios europeus, no caso a Alemanha, se tenha equivocado por mais 200 M€ (directos) e 3MM€ em intenções homologadas
(desconheço a obrigação contratual a que os chineses se vincularam assim como desconheço quais as pretensões  ínsitas nas propostas dos alemães da E.ON e/ou dos brasileiros da Petrobraz)…
tanto que, aos chineses, não faltarão oportunidades futuras de negócio para entrar na Europa.
Em termos gerais e abstractos fica por provar que não houve aqui -- por deficiente avaliação prospectiva nossa e por incapacidade de coordenação estratégica europeia -- um erro na decisão tomada e de cujas consequências  se darão conta tarde, mal e sem recuo possível.
Do que não tenho dúvida alguma é que venha o dinheiro de bancos chineses, brasileiros ou alemães nenhum deles chega cá por sermos gente afável e um país simpático.
Do que poucas dúvidas tenho também é que se os portugueses estão necessitados os chineses estão muito interessados (assim não fosse e não se teriam abalançado em valores tão altos). Ora, entre a nossa premente necessidade e o preço que os chineses se propuseram pagar (pelo custo da oportunidade) para que lhes fosse franqueada a porta, fica-me o travo amargo resultante da suspeita sobre qual vale efectivamente mais. Fica-me a impressão de que os chineses conseguiram, na ponta ocidental do istmo, um negócio da China.

Não gostei da decisão.Teria ficado bem mais agradado se a opção tivesse sido pelos alemães e ainda mais se tivesse sido pelos brasileiros. Brevemente, quando se começarem a conhecer os detalhes contratuais e, depois, quando começarem a descarregar as bagagens que trazem, logo veremos como será.
Por agora cada um diz apenas, e só, o que lhe interessa sendo certo que fica mais por dizer do que o que é efectivamente dito.

Orgulho e preconceito?! Talvez… com a ressalva de que orgulho é defeito se ultrapassar os limites do razoável e o preconceito é prejudicial se obstar ao raciocínio. Assim, até ao razoável, orgulho é amor-próprio, egoísmo vital, personalidade. Não é, portanto, defeito.
 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

IRRELEVÂNCIA

Ouvi o Secretário-de-Estado da Emigração, José Cesário, na televisão a confirmar que escreveu duas cartas às autoridades canadianas solicitando clemência para os 10 açorianos que vão ser repatriados. Atreitos à perora gratuita, consequentemente irrelevante, os tugas desgastam-se em considerações. Tolos! Tudo, absolutamente tudo, ficaria dito se bom uso fosse dado ao substantivo
IRRELEVÂNCIA

NOTA: sobre isto ler o que escrevi em Março de 2006… era Ministro dos Estrangeiros, Freitas do Amaral

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A quantos por aqui passarem os meus sinceros votos de

BOAS FESTAS

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

As "coisas" que Passos Coelho diz


We interviewed the Minister of Labor, Maria Helena Andre’, and she told us her suggestion for young people looking for work here was to be “open and flexible.”

She admits that this includes emigrating, as the Portuguese have been doing for decades.


Em Dezembro de 2010


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A síndrome de PyongYang *

Lá pelo norte da península da Coreia, na região que vai do paralelo 38 à fronteira da China, chora-se. Chora-se copiosamente. Pelo que me é dado ver choram todos.
Uns (poucos) milhões choram por terem amplas razões afectivas e efectivas para chorar – nunca, desde Kim Il Sung (desde 1948), lhes faltou arroz nas gamelas. Os restantes são as vítimas de uma (gigantesca) síndrome * colectiva.
Nos regimes comunistas ou nos eufemisticamente chamados democracias populares estes “distúrbios” emocionais são sempre do tamanho das populações sequestradas. Com uma excepção (a única que me vem à ideia):
os presos por “heteroxia”.
*analogia à síndrome de Estocolmo (ver nota)

Notadesignação adoptada pela psicologia para o comportamento contemporizador, compreensivo, reticente ou justificativo de certas vítimas de sequestro em relação aos seus sequestradores.
Na sequência de um assalto a um banco em Estocolmo, as vítimas do sequestro (seis dias) mostraram-se --  em tribunal -- reticentes à sua condenação.