sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mário Soares: o perfume barato do contar... (II)

Apenso
~ Sexta-Feira (o criado) corrige e lamenta-se da desmemoriação de Robinson Crusoé ~


Gratidão? Não conheço!

«No livro de MÁRIO SOARES «Um político assume-se», que acaba de ser publicado, há vários erros de facto e lapsos de memória que podem ser confundidos com uma tendência (inesperada num grande democrata) para apagar personagens da fotografia da (pequena e grande) história.
Apenas meia dúzia de exemplos
– Na página 194, quando, já ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares lembra que «tinha convidado o meu amigo, e então militante do PS, Victor Cunha Rego para ser meu chefe de Gabinete», e a seguir se refere ao «excelente diplomata (…) Sá Machado», que nomeou seu assessor e, depois, chefe do seu Gabinete, em substituição de Victor Cunha Rego – bem podia ter recordado que, também nessa altura, convidou e nomeou Alfredo Barroso para o cargo de director dos Serviços de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros;
– Na página 242, onde está escrito: «…a chamada questão da unicidade sindical, termo inventado pelo Zenha, creio, para distinguir a unidade da unicidade» – é óbvio que a palavra «creio» está a mais, porque toda a gente sabe, a começar pelo próprio Mário Soares, que foi o Zenha quem lançou para a discussão pública o termo «unicidade», num célebre e polémico artigo publicado no «Diário de Notícias»;
– Na página 242, algumas linhas mais abaixo, onde está escrito: «O Catanho de Meneses e o Lopes Cardoso propuseram-se vir ao Algarve para discutir comigo os detalhes e a mobilização dos camaradas (…). Não chegaram a encontrar-se comigo porque tiveram um desastre de automóvel perto de Santiago do Cacém…» – devia estar escrito: «O Catanho de Meneses e o Manuel Alegre…» (porque foi este, e não Lopes Cardoso, que teve o desastre com Catanho de Meneses);
– Nas páginas 295 e seguintes, quando Mário Soares se refere ao I e ao II Governos constitucionais – que «contribuíram para assegurar a normalização política democrática do nosso país» – já o cargo de chefe de Gabinete do primeiro-ministro não merece qualquer referência (ao contrário do que sucedeu com o de chefe de Gabinete no MNE), mas a verdade é que o primeiro-ministro Mário Soares nomeou Alfredo Barroso como seu chefe de Gabinete, quer no I quer no II Governos constitucionais;

dji Papai Nöel teria ficado melhor

Explicar ao escabujo, ao trauliteiro de serviço, Pedro Nuno Santos que até é economista [se se tivesse vestido dji Papai Nöel teria ficado melhor no retrato], que não temos "Little Boy" * para enviar aos franceses, alemães, credores, mercados, investidores, etc… Não temos! todavia, no arsenal, possuímos potentes e eficazes "Daisy Cutter" ** que fomos (maneira de dizer. Melhor é: os da raça dele construíram em perfeita sinergia com duas plateias repletas e entusiasmadas -- na 1ª sessão em pé; na 2ª menos eufóricos mas, ainda assim, aclamando) construindo paulatinamente, de que fizemos proveito, que imbecilmente exibimos ao mundo na montra (escondendo por baixo da alcatifa as notas de dívida) mas que nos irão estourar nas mãos como castanhas – o sabor, os efeitos é que não serão os de castanhas quentinhas e boas.
Em "gravuras" deixo duas das "Daisy Cutter":
1- o presente da CGA, a não solucionada sustentabilidade da Segurança Social e 2 - as múltiplas questões que devem ser feitas ao olhar para o investimento quer privado quer público.



* nome dado à bomba de Hiroshima
** bombas de alta potência e precisão usadas pelos EUA nas cavernas de Tora-Bora
  ~~~~
  A técnica do bluff  de que são useiros e vezeiros os socialistas

Não sei jogar poker mas sei o que é (um) bluff.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mário Soares: o perfume barato do contar...

De José António Barreiros in ~ A Revolta das Palavras ~

Que o livro Um Político Assume-se seria uma forma de se justificar perante a História, já que não perante a sua consciência. Mesmo assim insisti em querer vê-lo. Foi esta noite. Fui directo à página onde, na obra que diz ser de memórias políticas, Mário Soares trata do que eu conheço de perto, por ter vivido na pele parte da trama: a história da sua ligação, enquanto Presidente da República, ao território de Macau.Detive-me nas linhas que dedica ao caso Emaudio/TDM. Poucas linhas, esclarecedoras linhas.
Diz que foi afinal uma campanha lançada «pela extrema-direita» contra ele, para o envolver na história. Mente, por contrariar a verdade. A questão não tem a ver com políticos de qualquer quadrante que se tenham mobilizado contra si, mas com os factos que não se conseguem iludir.
Acrescenta que na origem da campanha esteve o Rui Mateus. Mente por sobre-simplificar a verdade. O papel de Rui Mateus é prévio na próxima ligação à sua pessoa, contemporâneo com todo o caso e posterior com maior intensidade no que se refere ao caso da Weidelplan/Aeroporto de Macau, mas o assunto transcende-o e em muito.
Para enxovalhar Rui Mateus, Soares diz que o conheceu empregado de um restaurante e que teve uma ambição tal que quis ser ministro dos Negócios Estrangeiros do seu Governo. Mente por omissão da verdade. A ligação entre os dois é muitíssimo mais vasta, próxima, e, é só ler o livro que aquele escreveu, para concluir que em matéria de "comedorias" o conhecimento não se limitou a restaurantes.
Remata, enfim, dizendo que envolveram no assunto o então Governador de Macau, Carlos Montez Melancia, que seria absolvido judicialmente. Mente por adulteração da verdade. A história do processo judicial ainda está para ser contada, como a história dos processos judiciais que nunca existiram em torno do caso. E como é que a absolvição do Governador neste processo deu em condenação em outro, o "caso do fax"?
No momento em que escrevo estas linhas hesito se contarei ou não toda a história desse aproveitamento político, económico e pessoal da televisão de Macau que o livro tenta branquear.
Confesso que o descaramento do livro me incendeia um sentido de revolta pessoal. Que a "reconstrução" da História me repugna como cidadão, como o faz tanta historiografia oficial arregimentada que tem andado a ser escrita em relação ao que nem regime político chegou sequer a ser e hoje está em estilhaços, o estado cadaveroso do País.
 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Somos tão cobardes que

até nos nomes que damos às coisas somos "contidos".
Em dois dias sucessivos, na A22 , o(s) pórtico(s) foram incendiados e ontem, quem o praticou (a mando ou por iniciativa própria), chegou ao ponto de alvejar um trabalhador.
A comunicação social em geral tem-se referido aos actos designando-os de vandalismo.
Não são actos de vandalismo. São -- qualquer que seja a abordagem -- actos de terrorismo.
É claro que a prosápia justificativa existe e só não "apareceu" com mais vigor porque as pressões, para não lhes dar (aos actos) visibilidade, hão-de ser algumas. É claro que na arenga  os "eufemismos" têm todo o cabimento e propriedade.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Esgotou-se, há muito, a

pachorra para contemporizar com toda esta amálgama de asneiras, erros, anomalias, erros do computador, das bestas que neles teclam  e dos que mandam teclar, listar e mais o que os valha, etc...
O cidadão diligentemente contactado pela Exma. Sra. Presidente do Conselho Directivo do Instituto da Segurança Social, faleceu há vinte e dois anos (22).
A Segurança Social na sequência do falecimento recebeu a respectiva certidão de óbito e processou-a. A prova da "boa recepção" da certidão foi feita: efectivou o pagamento do subsídio de funeral;
No seguimento, e bem, a Segurança Social cortou o pagamento da reforma ao cidadão assim como, dentro da maior normalidade burocrárico-administrativa, passou a pagar ao cônjuge o (de direito) complemento de reforma de viuvez (desconheço se é esta a designação mas não haverá quem não perceba ao que me refiro);
A Segurança Social detectou que o rendimento do falecido em 2010 foi de 0,00 €. Não detectou porém os rendimentos declarados nos 21 anos anteriores – que foram de 0,00 €;
(…)
Ora há quem se amofine com anormalidades ridículas destas e até há quem ainda hoje aliás, sempre lhes venha fazendo o préstimo e o favor de, denunciando as asneiras a expensas próprias – telefone e/ou despesas de deslocação e tempo –, corrigir-lhes as grossas e ininteligíveis cavaladas sem que os incompetentes se macem a ter de levantar o cu das cadeiras, levantar os olhos do écran ou sair da repartição.