Sobre o como e o porque chegámos ao ponto em que nos encontramos está tudo, a favor ou contra, dito e redito. Andámos cerca de duas décadas a pormo-nos a jeito e ponto final. E de isso mais nada interessa senão procurar impedir que passe a lenga-lenga de que “todos fomos surpreendidos”, “nada disto era expectável”, etc, etc… por duas ponderosas razões:
a primeira é que, para a resolução dos problemas presentes, não têm interesse (além de serem peças do puzzle retórico desresponsabilizador) e o que nos acontece, e acontece aos outros, tem múltiplos responsáveis;
a segunda é que, para a resolução dos magnos desafios e problemas subsequentes, alinhar, ser conivente com esta ladaínha é um crime para com as gerações futuras.
Há, no entanto, um detalhe que me faz vacilar um pouco. Sendo verdade que as comunidades só inscrevem, só realizam quando a percentagem dos que vão aos bolsos das calças e apenas encontram cotão é realmente expressiva, isso leva-me a descrer nas virtudes dos alertas, das chamadas de atenção antes do tempo de maturação. Quando não querem ouvir não há como inverter o sentido, a tendência. É aqui que entram os responsáveis a que aludo acima.
A responsabilidade deles é óbvia e não tem atenuantes ou justificações. Pactuaram, pecaram políticamente de forma criminosa e silenciaram, nessa perspectiva, dolosamente. Não tivesse sido assim e jamais os Sócrates, os Manuel Pinhos, os Paulo Campos, os Mário Lino e os Teixeira dos Santos se teriam abalançado a negociar, propor, prometer ou proferir metade do que proferiram, propuseram, prometeram e negociaram.
Não foram poucas as vezes que editei posts em que procurei desmontar e desmentir a estória do lobo mau, que esses crápulas persistem em tentar impingir, citando nomes (nacionais e estrangeiros), especialistas ou não e trabalhos, livros e teses, papers, sites e respectivos links, etc…
Hoje por ser dia de greve geral e por anteontem duas dezenas de prescientes luminárias, encabeçadas pelo farol deste regime, Mário Soares terem apelado à greve, vou ater-me a um nacional (que nos deixou há onze anos) – Vítor da Cunha Rego – e que tinha o defeito de pensar sem talas.
De isto, da situação com hoje nos confrontamos falava já Vitor da Cunha Rego em 1998. Alguém o ouviu?!