quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Terminou o estado de graça

Pedro Passos Coelho tem o OE aprovado. Bom ou mau, no caso, é o que menos interessa -- até porque bom, nunca poderia ser. Interessa registar que, a partir de hoje, começa a contagem para o Governo e a AR proporem, implementarem e incrementarem as reformas estruturais: isso sim.
Conversa e discussão a propósito das ditas, sim; treta mole, nenhuma E
acção.
A partir de hoje deverá dar-se por esgotado o tempo de graças do governo.

sábado, 26 de novembro de 2011

(Não é) um panegírico

Entre a certeza de o FADO passar a ser a partir d’hoje património imaterial da humanidade*, a esperança de uma vitória do (meu) Benfica e depois de ter tomado boa nota da coragem (qu’até disse ao senhor secretário de Estado que era contra o IVA a 23% na produção cultural -- é preciso coragem!)  [porque não a coerência?! (apesar da inconsequência concreta)] de João Mota, vou lendo  -- é de fácil leitura já que nem é um “livro” mas um opúsculo –  um volumito de L. Cabral Moncada ("um pardo e bafiento  professoreco catedrático de Coimbra" dirão os doutorados d'agora) para (tipo beliscão) reconfirmar que antes de 74, não se pensava (…nem havia quem!), não se escrevia, não se publicava enfim, nada …
inteligência, os inteligentes haviam-se exilado ou tinham sido exilados.
Um volumito de L. Cabral Moncada ("um pardo professoreco catedrático de Coimbra") que subjugado pelo regime opressor, pelo espartilho da censura, pelo condicionamento da ditadura, a intrínseca incapacidade de raciocinar (excluindo todos os outros constrangimentos do rol opressivo) e mais a proverbial limitação de horizontes daquela gente que, quais eucaliptos, secavam o génio criador luso... E eu que não sou de cá nem nunca havia cheirado esta coisa antes de 75, registo que...
como se comprova por problematizações -- «um dos erros que mais tem contribuído para a incorrecta compreensão do problema da democracia, está na confusão em que frequentemente se cai entre três coisas, completamente distintas: a própria ideia de democracia, o seu significado axiológico e o acidental das suas formas e realizações históricas» in Da democracia e suas formas, Cap. II – que patenteiam o que por mim é matutado e mais o que não é, filha da ignorância.

*satisfizessem mínimos de decência e, certas tribos de indígenas, borravam o focinho de vergonha pelo que tentaram fazer -- de 74 até meados da década de 80 -- ao Fado e a um determinado número de fadistas. Não fico perplexo por ver alguns deles com a maior desfaçatez nas primeiras filas da plateia a aplaudir, de pé, lágrima emocionada ao canto do olho, voz embargada,… e também não me surpreenderá que ser reconhecido património implicará despontarem, por geração espontânea, fadistas como saltam pedras da calçada nas mãos de calceteiros.

Caifás*

O que o “doutrinador”/”educador das massas” diz é uma  imbecilidade imbuída de imensa má-fé, com agenda ideológica, ofensiva para seres pensantes,...
[é injusto que a esta gente sempre lhes seja garantido púlpito, tempo, plateia e lhes seja preservada a não sujeição ao contraditório de forma directa e imediata. Um gajo destes não se aguentava à briga por meia-hora, enfim. Mas é assim]
Não admira: na vida pouco mais teve de fazer do que isso e agora ainda menos razões, e capacidades, tem para o fazer. Na minha perspectiva (já o escrevi) a culpa é mais alheia do que própria. Mas isso são considerações e perambulações que, bem vistas as coisas, nem vale a pena ir por aí (com excepção de os denunciar, …uma, duas, sempre, sempre)
Poder-me-ia estender em correções, verberações, …
Não!
O raciocínio, que preside às elucubrações “soarianas”, é um raciocínio errado: por assentar em premissas falsas. Isso até um imberbe nos primeiros passos da lógica aristotélica apreende -- um objecto não é um quadrúpede por ter quatro pernas. Como é evidente há seres bípedes que não é por essa sua característica, que podem ser tomados por racionais.
Sem mais delongas o que ali subjaz é a confissão da incompetência, irresponsabilidade,… e de outras acções  bem menos dignificantes por parte das oligarquias políticas que estão  ao leme da coisa pública europeia na derradeira década e meia.
Os “tecnocratas”, em dois casos (Grécia e Itália), não tomaram: os políticos pediram-lhes que, transitoriamente, pegassem nos assuntos.
E mais: a existência dessas “gerências” estão, se não me engano, sujeitas ao assentimento dos respectivos parlamentos e tomaram posse legitimados por maiorias parlamentares.
Até que me seja demonstrado o contrário a verdade dos factos, e a cronologia dos acontecimentos, diz que a verdade é, em parte, esta e não a que o “doutrinador” espaventa.
… pela enésima vez: gente intelectualmente nada honesta. 

perversamente rasgou as vestes fingindo choque 
"(...)Que necessidade  temos de mais testemunhas?" (Mateus 26:65)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Do zelo pelos bons costumes

e coisas assim,… censores, censuradores, etc e tal
Eu bem digo que, no tempo da PIDE havia ao menos a vantagem de as “coisas” serem feitas às escâncaras. Catavam quem os iluminados, à época, entendiam ser o “infractor”, e faziam-lhe as perguntas (e davam-lhe  uns “encostos”) – piores ainda, mais velhacos, eram os “mestres da bufaria” -- de cara destapada. E a malta sabia com o que contava.
Como há muito afirmo alguns (imensos) “democratas” refinaram os métodos e a praxis. Trabalham às escuras mas às claras procedem em conformidade ou seja,  no rigoroso cumprimento das regras da mais salutar  convivência democrática. E eu gosto. Gosto tanto, e prezo-os tanto, que se a vida da esmagadora maioria deles, dependesse das minhas migalhas ou vontade, de certeza que já tinham encostado o cano da pistola a uma das têmporas e apertado o gatilho. Porquê? porque sou democrata. Mas não gosto -- repugnam-me! -- de vermes, de seres “alimentados” por hemolinfa!
Ora bem, não é o que parece. É o que me parece.E parece-me que (já agora também tenho direito às minhas teorias conspirativas ou não?!)... cheira-me que um "democrata" qualquer não tenha ficado agradado com os posts editados em 23.11.2011 (alguém que enfiou o barrete. Até aos pés!). Penso eu de que...
Fico-me, quanto à denúncia, pelo lamento de não me ser possível (ou não saber como) saber quem foi o denunciante, o bufo. Desde logo por uma (enorme) razão: é o que o(s) tipo(s) ou tipa(s) é (são)  estúpido(as); é gente malévola (daquela espécie de democratas a que aludo acima). Explico:
1 – não há plágio – acontece que eu não plagio (e tenho raiva a quem o faz);
2 – consequentemente, não há [(não pode) existir invocação de] infracção a (eventual) Direitos de Autor;
3 –  não existem (não foram editados) quaisquer links;
4 – o “facto” a que aludo no post foi notícia (desconheço onde mas foi). Eu não invento;
5 – o teor do post só por maldade pode ser considerado ofensivo para quem quer que seja. Ao contrário,
6 – em relação ao Presidente de Chipre, até é encomiástico;
7 – da releitura que fui obrigado a fazer reconheço que, o português, deveria ter sido
«Lá em Chipre, terra de gente pobre, o sr. Christophias é um “demagogo”. Eu também!»
Por mim, meus estimados leitores-vidrinho, bem podem ir chuchar na quinta pata de um vitelo.

Segue o filme -- 4 frames -- dos acontecimentos respeitando a cronologia

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Escrito nas estrelas...

Sobre o como e o porque chegámos ao ponto em que nos encontramos está tudo, a favor ou contra, dito e redito. Andámos cerca de duas décadas a pormo-nos a jeito e ponto final. E de isso mais nada interessa senão procurar impedir que passe a lenga-lenga de que “todos fomos surpreendidos”, “nada disto era expectável”, etc, etc… por duas ponderosas razões:
a primeira é que, para a resolução dos problemas presentes, não têm interesse (além de serem peças do puzzle retórico desresponsabilizador) e o que nos acontece, e acontece aos outros, tem múltiplos responsáveis;
a segunda é que, para a resolução dos magnos desafios e problemas subsequentes, alinhar, ser conivente com esta ladaínha é um crime para com as gerações futuras.
Há, no entanto, um detalhe que me faz vacilar um pouco. Sendo verdade que as comunidades só inscrevem, só realizam quando a percentagem dos que vão aos bolsos das calças e apenas encontram cotão é realmente expressiva, isso leva-me a descrer nas virtudes dos alertas, das chamadas de atenção antes do tempo de maturação. Quando não querem ouvir não há como inverter o sentido, a tendência. É aqui que entram os responsáveis a que aludo acima.
A responsabilidade deles é óbvia e não tem atenuantes ou justificações. Pactuaram, pecaram políticamente de forma criminosa e silenciaram, nessa perspectiva, dolosamente. Não tivesse sido assim e jamais os Sócrates, os Manuel Pinhos, os Paulo Campos, os Mário Lino e os Teixeira dos Santos se teriam abalançado a negociar, propor, prometer ou proferir metade do que proferiram, propuseram, prometeram e negociaram.
Não foram poucas as vezes que editei posts em que procurei desmontar e desmentir a estória do lobo mau, que esses crápulas persistem em tentar impingir, citando nomes (nacionais e estrangeiros), especialistas ou não e trabalhos, livros e teses, papers, sites e respectivos links, etc

Hoje por ser dia de greve geral e por anteontem duas dezenas de prescientes luminárias, encabeçadas pelo farol deste regime, Mário Soares terem apelado à greve, vou ater-me a um nacional (que nos deixou há onze anos) – Vítor da Cunha Rego – e que tinha o defeito de pensar sem talas.
De isto, da situação com hoje nos confrontamos falava já Vitor da Cunha Rego em 1998. Alguém o ouviu?!