quinta-feira, 24 de novembro de 2011

"Trabalhadores" e nababos

Dizem os dirigentes sindicais e alguns trabalhadores que a acção grevista é uma insurgência contra qualquer "coisa", contra uma situação por inacção, pela "abstinência". Os trabalhadores agem; os nababos, os da aristocracia operária* deleitam-se com os prazeres da vida.

* designação e conceito de Karl Marx e Friedrich Engels
«Doravante, a aristocracia operária adopta ainda mais estreitamente a concepção dos burgueses que a da massa operária formada, aliás, algumas vezes, por estranjeiros ou operários de côr(...)» in O Sindicalismo II

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ó Pacheco*, tu é que os conhecias bem

* Luis Pacheco

Em 1918, António Sérgio, na revista Pela Grei, dizia (a propósito da derradeira “obra” publicada) de Teófilo Bragaautor de obras mais que péssimas, inqualificáveis, e verdadeiro homem representativo dessa época de esfacelamento de inteligência portuguesa”. Em 1936 em um dos seus Ensaios, “Alexandre Herculano e o problema moral e social do Portugal moderno”, anotou
«Um dos resultados do carácter provinciano, ingénuo, beócio de muitos dos «intelectuais» da nossa terra é o fácil com que mistificadores de talento lhes dão a impressão de serem génios. Os selvagens admiram sempre os charlatães, e, nisso, há sempre «intelectuais» que são selvagens
Transcrevo António Sérgio por me causar irritação na pele a tara pelas transcrições de Eça de Queiroz. … sei bem que os bandos de papagaios são imensos mas acho que não têm, todos, em uníssono, de grazinar a mesma charla. Diz das intrínsecas qualidades dos “psitacídeos”.
Não tenho pretensão de escrever algo que repute inédito ou original ou novo ou… tenho razões para crer que o que foi escrito no século passado, -- por motivos diversos, evidentemente --, já o fôra antes mau grado, presentemente -- salvo raríssimas e honrosas excepções --, já não se escrever…
uns, desavergonhados, plagiam; outros, farsantes, coligem e rearranjam o “dito” e, outros tantos pedantes, cabotinos, dão forma de letra ou vocalizam uns traques, enxertam-lhes umas citações pelo meio (a darem aquele ar de gente letrada -- tão letrada quanto inútil, acrescento eu)…
Foram outras as razões e/ou motivações porém, sem espanto, não foram dissemelhantes as conclusões. O que nos diz bem duns e doutros assim como dá uma boa perspectiva do que foi, para ser o que é e lobrigar o que certamente irá ser.
Serão grandes, os filhos da puta que assinam o “indignado” panfleto Um Novo Rumo. E não fossem, alguns deles, ser quem são poderia ser dito que têm algumas boas razões para tanto. Acontece que nem se pode ignorar o panfleto nem os respectivos subscritores. Segundo a “tipologia” de Alberto Pimenta, estes, são dos grandes filhos da puta apesar da “barricada” em que se instalaram por agora.

o grande filho da puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho da puta,
e não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho da puta
(…)
é o grande filho da puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho da puta

Por escrupuloso respeito à verdade não ficaria de bem comigo se pudessem subsistir dúvidas quanto à “omissão” de inúmeros grandessíssimos filhos da puta que não fazem greve, não têm por que se indignar e, pior… muito por causa deles estão agora inúmeros a fazer greve. Não omito, claro!
Depois há os restantes filhos da puta (no caso a maioria dos que fazem greve) e mailos que s’aproveitam das dificuldades (geradas pela greve) para se fazerem grevistas, etc
o pequeno
filho da puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
pequeno,
o filho da puta.

Saudades prenhas

domingo, 20 de novembro de 2011

Conversas de predadores

Ouvi Fernando Ulrich do BPI verberar poses e propostas dos da 5ª ou 7ª linhas do FMI e pior “que os senhores tão pouco são democraticamente legitimados”. Tem toda a razão se se desconsiderar um pequenino detalhe: não foram eles que vieram, por lhes ter dado na gana, mas fomos nós que lhes rogámos que viessem.
Seguidamente apareceu um administrador do Millenium que num enorme soundbyte disse serem os bancos instituições que “podem ser sólidas e não ser líquidas” assim como “apresentarem liquidez sendo de fraca solidez”.
É uma verdade: não só para bancos. No caso dos bancos, pela natureza do seu negócio, uma verdade agudíssima.
Sendo partes insofismáveis da verdade financeira (pelo menos neste mundo, por enquanto, e tal qual o conhecemos) me parece haver por ali uns umas zonas escuras.
A banca nacional, fora questões de solidez, sofre imenso e por isso muito sofre a economia com falta de liquidez, digamos assim. Muito por culpa própria já que -- consta e me parece que com toda a razão -- de há oito anos para cá se prostituíram demasiado com os negócios do Estado e com uma espécie de formiga-branca que se passou das cadeiras do poder político para as poltronas dos CA’ s dos minorcas empórios lusos mas empórios. Azar o da “prostituta”. Elas queixam-se de certos clientes. Estas de maus-tratos, violência; pelos vistos, a banca nacional não se queixa de violência mas do avalista ser caloteiro e relapso, do cedente de garantia ser contumaz e do emissor da dívida estar tecnicamente falido. É o risco do negócio – no limite foi uma má avaliação do risco.
Bem…
receber as largas dezenas de milhão que o Estado lhes deve…kaputt!;  esperar que a dívida soberana que detêm passe a valer mais do que o papel em si…kaputt!;  esperar que os índices bolsistas disparem e daí lhes advenha valor e dinheiro…kaputt!;  que os clientes comecem a correr, solidarizando-se com eles, a depositar o dinheiro que está nos colchões…kaputt! não há dinheiro nos colchões; …
Andam, apesar de tudo, a armar ao pingarelho com o recorro/não recorro aos 12 mil milhões d’ “os-do-FMI-e-mais-as-coristas-que-já-estão-a-passar-as-marcas”.
Concluo que é só “guerra negocial” e nessa medida, “pressão” táctica. Aguentem-se! ou tivessem tido juízo de cada vez que receberam o sr. Mota com ou sem o Coelho,…
Vão mas é buscar a guitinha que os tipos da 5ª e 7ª linha disponibilizam que desta vez, creio eu, não correm o risco de roubos/nacionalizações. Se mantiverem o juízo e os deuses ajudarem.

Não é a salivação que enche o prato

Presumo que não deva haver quem desconheça o que é dito quando se se referem as experiências, os reflexos condicionados, os cães,… Pavlov.
Se esta minha presunção é válida então tenho de concluir que – sabendo-o -- não sejam suficientemente inteligentes para deduzir que não sendo cães -- sendo racionais -- reajam imenso a estímulos… apesar de isso possuam imensos reflexos “ponderadamente” condicionados” e como tal, não reajam, opondo-se, ao condicionamento que lhes é feito;
se a minha ideia não é válida, ficamos conversados e não faço questão quanto à omnipresente operação de condicionamento de reflexos.
Pavlov nas suas investigações utilizou imagens, apitos, música, etc
Quais são os estímulos utilizados por exemplo na fraseologia, no texto, na retórica,… para salivarmos?
(faço notar que o(s) “investigador(es)” é(são) o(s) mesmo(s) e conscientes de que as “matilhas” a condicionar são “racionais”. Tiveram, portanto, de operar com minúcia a alterações, a ajustamentos de determinados “detalhes” no caso aos termos, designações e por consequência em certas proposições,…)
Neoliberal - banqueiros privados - Estado Social - conquista civilizacional -…
Assobios que há três décadas eram
Capitalismo – capitalistas/burgueses – luta dos trabalhadores -…