* Luis Pacheco
Em 1918, António Sérgio, na revista Pela Grei, dizia (a propósito da derradeira “obra” publicada) de Teófilo Braga “autor de obras mais que péssimas, inqualificáveis, e verdadeiro homem representativo dessa época de esfacelamento de inteligência portuguesa”. Em 1936 em um dos seus Ensaios, “Alexandre Herculano e o problema moral e social do Portugal moderno”, anotou
«Um dos resultados do carácter provinciano, ingénuo, beócio de muitos dos «intelectuais» da nossa terra é o fácil com que mistificadores de talento lhes dão a impressão de serem génios. Os selvagens admiram sempre os charlatães, e, nisso, há sempre «intelectuais» que são selvagens.»
Transcrevo António Sérgio por me causar irritação na pele a tara pelas transcrições de Eça de Queiroz. … sei bem que os bandos de papagaios são imensos mas acho que não têm, todos, em uníssono, de grazinar a mesma charla. Diz das intrínsecas qualidades dos “psitacídeos”.
Não tenho pretensão de escrever algo que repute inédito ou original ou novo ou… tenho razões para crer que o que foi escrito no século passado, -- por motivos diversos, evidentemente --, já o fôra antes mau grado, presentemente -- salvo raríssimas e honrosas excepções --, já não se escrever…
uns, desavergonhados, plagiam; outros, farsantes, coligem e rearranjam o “dito” e, outros tantos pedantes, cabotinos, dão forma de letra ou vocalizam uns traques, enxertam-lhes umas citações pelo meio (a darem aquele ar de gente letrada -- tão letrada quanto inútil, acrescento eu)…
Foram outras as razões e/ou motivações porém, sem espanto, não foram dissemelhantes as conclusões. O que nos diz bem duns e doutros assim como dá uma boa perspectiva do que foi, para ser o que é e lobrigar o que certamente irá ser.
Serão grandes, os filhos da puta que assinam o “indignado” panfleto Um Novo Rumo. E não fossem, alguns deles, ser quem são poderia ser dito que têm algumas boas razões para tanto. Acontece que nem se pode ignorar o panfleto nem os respectivos subscritores. Segundo a “tipologia” de Alberto Pimenta, estes, são dos grandes filhos da puta apesar da “barricada” em que se instalaram por agora.
o grande filho da puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho da puta,
e não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho da puta (…)
é o grande filho da puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho da puta
Por escrupuloso respeito à verdade não ficaria de bem comigo se pudessem subsistir dúvidas quanto à “omissão” de inúmeros grandessíssimos filhos da puta que não fazem greve, não têm por que se indignar e, pior… muito por causa deles estão agora inúmeros a fazer greve. Não omito, claro!
Depois há os restantes filhos da puta (no caso a maioria dos que fazem greve) e mailos que s’aproveitam das dificuldades (geradas pela greve) para se fazerem grevistas, etc…
o pequeno
filho da puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
pequeno,
o filho da puta.