ou o que se passa é que mudou muita coisa, mas persiste a conveniência(?!) em não desbulhar a “verdade” até ao endocarpo, até à semente?
«Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras (…) o país não pode olhar a emigração apenas com a visão negativista da “fuga de cérebros” (…) dignificar o nome de Portugal e levar know how daquilo que Portugal sabe fazer bem (…) regressará depois de conhecer as boas práticas de outro país e poderá “replicar o que viu” no sentido de “dinamizar, inovar e empreender”»
disse Alexandre Miguel Mestre, secretário de Estado da Juventude e do Desporto para uma plateia de representantes da comunidade portuguesa em S.Paulo e jovens luso-brasileiros.
[também revelou o propósito de (com intuito de capacitar o jovem português e aumentar os laços com outros países, o responsável diz que o governo português) incentivar também os intercâmbios estudantis e os estágios no estrangeiro.]
Réplicas
«Os jovens portugueses desempregados devem emigrar, em vez de ficarem na sua «zona de conforto». Eu acho que um governante que diz isto devia ser posto imediatamente no olho da rua! É que isto não é só uma frase politicamente incorrecta, é uma ofensa à dignidade nacional! É a declaração de rendição de um Governo quanto ao futuro que nos reserva. É, desculpem a violência, uma grosseira estupidez! - José António Barreiros
«esse governante não sabe o que acontece aos países onde ocorre fuga de cérebros? Ou ele vai escolher só trabalhadores da construção civil, canalizadores, etc. para emigrarem? O problema é que esse sr. pensa mesmo assim.» – José Milhazes
(…)
Dá-se o caso de eu “ver” as coisas, também, "mais ou menos assim". É talvez por isso que
1 – onde uns sentem amachucadas, aviltadas as suas emoções patrióticas
(só agora?! foi preciso chegar a esta desgraça para clamarem pela “dignidade”? por onde andaste tu de há 5 anos para cá, dignidade?)
eu -- mesmo sopesando o facto de meus pais, filhos, netos e sobrinhos serem portugueses (jus solis) – por mais que me esforce, não chego a tanto.
(será por ser naturalizado?! Admito-o.)
2 – onde uns pressentem rendição eu percepciono “irremediável” constatação e, finalmente,
3 - estou em sentir-me mais ofendido com o facto de muitos dos que assim dizem sentir-se só, agora (…e logo por esta razão!), assim se sentirem.
Bem… mas isso é, mais coisa menos coisa, retórica. Treta, conversa p´ ra boi dormir. O que interessa? interessa registar que o que lhes doeu digamos, foi a «zona de conforto».
Sim, «zona de conforto» pois! (mau grado a “desgraça” presente e a que está por chegar).
Já foi melhor? sim;
já pagou melhor? pagou;
já esteve mais sustentada? já;
já garantiu mais? já;
(…)
porque foi, não é e muito dificilmente voltará a ser? ui… podemos recuar ao tempo em que fez escola com créditos firmados, a seguinte “tese (dogma) macroeconómica”:
o (nosso) percentual de desemprego estrutural é de até 3% (por exemplo).
Propalava-se aquilo com chancela técnico-científica e outras mais, apesar da transitória desgraça na península de Setúbal, da ida ao charco do vale do Ave, Cova da Beira, da razia no sector primário (agricultura e pescas), etc…houve até quem,-- Nandim de Carvalho, secretário-de-estado do Turismo – abjurasse a (remota que fosse) hipótese de para cá virem, dar uns mergulhos e bronzear-se, os maltrapilhos (turistas pé-descalço como eram, então, designados) endinheirados lá da Europa.
Não! serviços sim, e apenas; nós limpinhos também, e sempre; clientes sim, mas com dinheiro e pedigree.
3
Ainda é «zona de conforto», sim.
(aceito ser menos feliz, a designação mas leio-a, comparativamente)
Ainda é «zona de conforto» porque, por menor que seja o subsídio, ainda há subsídio;
ainda é «zona de conforto» porque, por menor e escasso que sejam as bolsas de estudo, ainda há algumas bolsas de estudo;
ainda é «zona de conforto» porque, na falta do subsídio ou da bolsa, ainda há a casa dos papás;
ainda é «zona de conforto», sim, porque «zona de conforto» é o lugar onde temos a família, os amigos,… por mais desconfortável que seja.
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Do que disse Alexandre Miguel Mestre preocupa-me bem mais a perspectiva optimista expressada em «regressará depois de conhecer as boas práticas de outro país e poderá “replicar o que viu” no sentido de “dinamizar, inovar e empreender”» pela simples razão de que a tenho por um tanto idílica. Está redondamente enganado quem faz contas e obtém esse resultado. A minha não se escora nos desígnios da esperança ou da Fé mas, como Marcelo R. Sousa diz, “pode ser que haja um milagre”.
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Nada mudou. Esta gente prefere de longe ouvir coisas do género (passe o exagero) «(…)vai ver. Os russos vão sofrer a sua maior derrota, a mais sangrenta da toda a sua história diante das portas da cidade de Berlim » que terá sido dita por A. Hitler ao general K. Koller, chefe do estado-maior da Luftwafe, a 5 de Abril de 1945
(suicidou-se a 29 de Abril)
ao proferido, no memorável “Sangue, Suor e Lágrimas”, por W. Churchill no parlamento inglês, a 13 de Maio de 1940
(cinco anos depois comemoravam a vitória)