segunda-feira, 31 de outubro de 2011

É um desbocado?

ou o que se passa é que mudou muita coisa, mas persiste a conveniência(?!) em não desbulhar a “verdade” até ao endocarpo, até à semente?
«Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras (…) o país não pode olhar a emigração apenas com a visão negativista da fuga de cérebros” (…) dignificar o nome de Portugal e levar know how daquilo que Portugal sabe fazer bem (…) regressará depois de conhecer as boas práticas de outro país e poderá “replicar o que viu” no sentido de “dinamizar, inovar e empreender”»
disse Alexandre Miguel Mestre, secretário de Estado da Juventude e do Desporto para uma plateia de representantes da comunidade portuguesa em S.Paulo e jovens luso-brasileiros.
[também revelou o propósito de (com intuito de capacitar o jovem português e aumentar os laços com outros países, o responsável diz que o governo português) incentivar também os intercâmbios estudantis e os estágios no estrangeiro.]

Réplicas
«Os jovens portugueses desempregados devem emigrar, em vez de ficarem na sua «zona de conforto». Eu acho que um governante que diz isto devia ser posto imediatamente no olho da rua! É que isto não é só uma frase politicamente incorrecta, é uma ofensa à dignidade nacional! É a declaração de rendição de um Governo quanto ao futuro que nos reserva. É, desculpem a violência, uma grosseira estupidez! - José António Barreiros
«esse governante não sabe o que acontece aos países onde ocorre fuga de cérebros? Ou ele vai escolher só trabalhadores da construção civil, canalizadores, etc. para emigrarem? O problema é que esse sr. pensa mesmo assim.» – José Milhazes
(…)
Dá-se o caso de eu “ver” as coisas, também, "mais ou menos assim". É talvez por isso que
1 – onde uns sentem amachucadas, aviltadas as suas emoções patrióticas
(só agora?! foi preciso chegar a esta desgraça para clamarem pela “dignidade”? por onde andaste tu de há 5 anos para cá, dignidade?)
eu -- mesmo sopesando o facto de meus pais, filhos, netos e sobrinhos serem portugueses (jus solis) – por mais que me esforce, não chego a tanto.
(será por ser naturalizado?! Admito-o.)
2 – onde uns pressentem rendição eu percepciono “irremediável” constatação e, finalmente,
3 - estou em sentir-me mais ofendido com o facto de muitos dos que assim dizem sentir-se só, agora (…e logo por esta razão!), assim se sentirem.
Bem… mas isso é, mais coisa menos coisa, retórica. Treta, conversa p´ ra boi dormir. O que interessa? interessa registar que o que lhes doeu digamos, foi a «zona de conforto».
Sim, «zona de conforto» pois! (mau grado a “desgraça” presente e a que está por chegar).
Já foi melhor? sim;
já pagou melhor? pagou;
já esteve mais sustentada? já;
já garantiu mais? já;
(…)
porque foi, não é e muito dificilmente voltará a ser? ui… podemos recuar ao tempo em que fez escola com créditos firmados, a seguinte “tese (dogma) macroeconómica”:
o (nosso) percentual de desemprego estrutural é de até 3% (por exemplo).
Propalava-se aquilo com chancela técnico-científica e outras mais, apesar da transitória desgraça na península de Setúbal, da ida ao charco do vale do Ave, Cova da Beira, da razia no sector primário (agricultura e pescas), etc
houve até quem,-- Nandim de Carvalho, secretário-de-estado do Turismo – abjurasse a (remota que fosse) hipótese de para cá virem, dar uns mergulhos e bronzear-se, os maltrapilhos (turistas pé-descalço como eram, então, designados) endinheirados lá da Europa.
Não! serviços sim, e apenas; nós limpinhos também, e sempre; clientes sim, mas com dinheiro e pedigree.
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Ainda é «zona de conforto», sim.
(aceito ser menos feliz, a designação mas leio-a, comparativamente)
Ainda é «zona de conforto» porque, por menor que seja o subsídio, ainda há subsídio;
ainda é «zona de conforto» porque, por menor e escasso que sejam as bolsas de estudo, ainda há algumas bolsas de estudo;
ainda é «zona de conforto» porque, na falta do subsídio ou da bolsa, ainda há a casa dos papás;
ainda é «zona de conforto», sim, porque «zona de conforto» é o lugar onde temos a família, os amigos,… por mais desconfortável que seja.
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Do que disse Alexandre Miguel Mestre preocupa-me bem mais a perspectiva optimista expressada em «regressará depois de conhecer as boas práticas de outro país e poderá “replicar o que viu” no sentido de “dinamizar, inovar e empreender”» pela simples razão de que a tenho por um tanto idílica. Está redondamente enganado quem faz contas e obtém esse resultado. A minha não se escora nos desígnios da esperança ou da Fé mas, como Marcelo R. Sousa diz, “pode ser que haja um milagre”.
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Nada mudou. Esta gente prefere de longe ouvir coisas do género (passe o exagero) «(…)vai ver. Os russos vão sofrer a sua maior derrota, a mais sangrenta da toda a sua história diante das portas da cidade de Berlim » que terá sido dita por A. Hitler ao general K. Koller, chefe do estado-maior da Luftwafe, a 5 de Abril de 1945
(suicidou-se a 29 de Abril)
ao proferido, no memorável “Sangue, Suor e Lágrimas”, por W. Churchill no parlamento inglês, a 13 de Maio de 1940
(cinco anos depois comemoravam a vitória)

domingo, 30 de outubro de 2011

Estava à toa na vida

Opinei aqui que teria sido bem mais útil que o Presidente da República em vez de ter aberto a boca, tivesse “mamado” uma fatia de bolo-rei  –-  nem entrava mosca nem teria saído asneira. Enfim, esperteza saloia.
A prova está aí.
O (Seguro) PS, faz que vacila no que concerne à votação do OE 2012;
por isso, mas não só, absteve-se no “rectificativo” para 2011;
propõe-se, responsavelmente, apresentar alternativas que nunca serão feitas senão na especialidade [que é a ocasião de menor visibilidade e nenhum escrutíniomas quem é que lê os diários das sessões?! -- que lhes permite dizer que propuseram tendo proposto nada];
entrementes Seguro fez o “périplo” pela nave e transepto da catedral europeia da Internacional a apalpar o pulso ao cabido e saber-lhes as expectativas;
de regresso passa por Paris, reúne com o "senador" – garantida a indisponibilidade de Gama, Guterres e Vitorino --, expressa solidariedade e garante-lhe indefectível apoio futuro;
para encerrar este subcapítulo conseguirá que o PS se abstenha na votação global (apesar do chinfrim que farão)... é que, até à abertura do novo dossier, a raivinha socrática passa (e a gente esquece) e Seguro, seguramente, garante ser um político muito credível, responsável e que tem o partido dominado. Um líder de fibra!;
para já e até novas ordens, no burgo e no que estritamente respeita à paróquia, fica exarada a renovação, a mudança de geração e a transmissão do testemunho socialista, laico e republicano:
 Sócrates na Presidência da República com um Seguro primeiro-ministro.
Ora se Cavaco Silva supôs que poderia interferir em benefício do que seja, benignamente, fazendo-os sentirem-se da “comissão das festas”, enganou-se redondamente. É que se, por acaso, estivessem eles interessados em ditar leis nesta festa teria Sócrates pedido a mão ao PSD e /ou ao CDS, teria(m) sido sérios e probos nos capítulos dos PEC’s,…
… de qualquer maneira a festa seria a mesma com as mesmas danças. A banda é que teria mais intérpretes.

a ver a banda passar.


Post-scriptum: por certo tenho que ninguém como Sócrates, quer em termos quantitativos quer qualitativos, conseguiu o que ele conseguiu providenciando qualquer eventualidade futura: primeiro em benefício próprio, depois em benefício do PS (e se com benefício mútuo, tanto melhor). Ninguém, como ele, deixou uma rede de coniventes e cúmplices tão disseminada, activa e proficiente. Ele cá voltará e cuidará em activar as células. A "activação" de tudo aquilo depende apenas, e só, do momento em que souberem ser possível fazer a distribuição das prebendas - nos próximos dois anos, creio, não será. Dois anos que serão mais do suficientes para o "reabilitar".

sábado, 29 de outubro de 2011

Os fundamentos dos “fundamentais” *

Quem esteja mais ou menos familiarizado com o jargão da finança e economia percebe a que se alude quando se se refere aos fundamentais de um activo. Uns, por razões óbvias, ficam por aqui: ou porque mais não podem ou por mais não quererem, por mais não necessitarem ou por nenhuma dessas razões com a excepção de saber se subiu, ou desceu, a cotação ou se há, ou não, dividendo.
Todas estas razões não sendo compreensíveis  -- merece castigo quem vai ao casino jogar sem saber o que é uma roleta, ou não?! --, são toleráveis.
O que não é compreensível nem tolerável é o ostracismo, o desprezo a que os especialistas, investigadores e cientistas por esse mundo afora sujeitaram os fundamentos dos “fundamentais”. E ainda outro tanto: os que de eles ** tiveram a ousadia de não o fazer, por forma activa ou não, foram “centrifugados” dos “sistemas” em que se inserem.

Tudo indica que o andem a fazer (ostracizar, desprezar os “fundamentos dos fundamentais”), ininterruptamente, há pelo menos quatro décadas. Com uma característica [que estou agora capaz de percepcionar e não a “detectaria” há seis anos atrás] -- a prática tem sido “uniformemente acelerada” tanto quanto a permitida na arquitectura de “modelos” sobre “modelos”.
A isto levou, de facto, a financeirização da economia. Sem ignorar que os sistemas e os poderes se puseram a jeito.
Não aceito que conhecedores do assunto procurem fazer passar que determinadas, precisas e conhecidas inércias foram inesperadas, imprevisíveis, etc… não aceito que alguém conhecedor se permita surpreender-se com alguns “efeitos perversos” – perversos, imagine-se! -- consequentes à desmaterialização (da moeda), à globalização (das economias) e às tecnologias (de informação e processamento de dados).
…sou, direi (G.) Arrighi(ano) ***

*são a terra arável, o mar, as matérias-primas,…
**[Já outras vezes (uma irónica, outra sarcástica) escrevi que «os “fisiocratas” afinal tinham razão». Acrescento agora que jamais deixaram de a ter (fisiocrata não deixa de ser quem o é não sendo fundamentalista)]
***G. Arrighi em "O longo Século XX" faz um estudo dos ciclos do capitalismo baseado numa análise dos Ciclos Sistémicos de Acumulação e demonstra, matemática e historicamente, que o enredo histórico do capitalismo se tem dialéticamente  repetido.
A ideia principal dos Ciclos Sistémicos (de Acumulação) é a de que, na análise histórica do capitalismo, há alternâncias de épocas de expansão material e épocas de expansão financeira (financeirização). No final de uma expansão financeira há mudança do “actor principal” e inicia-se um novo ciclo. A financeirização é a fase final dos grandes ciclos. O “enredo” é o seguinte:
a expansão material do sistema vai crescendo e chega a um ponto em que a velocidade do retorno do investimento no comércio e produção, deixa de satisfazer os interesses (lucro). Neste ponto há uma ruptura do sistema fazendo com que as transações se tornem essencialmente financeiras, com o intuito de se aumentar a velocidade de retorno do capital.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"Pluriálogo" facebookeano

Henrique Raposo - Duarte Lima é português, a vítima é portuguesa, logo, o homem deve ser julgado aqui. Quando é que o sr. PGR termina a sua sesta?

Maria Belo - sinceramente, e a avaliar pelos últimos exemplos de julgamentos feitos a "figuras públicas" em Portugal, acho uma péssima ideia julgá-lo cá...

Miguel Ferreira - Se for julgado em Portugal ficaremos sempre na dúvida se é culpado ou inocente porque acabará por ser ilibado por uma qualquer questão processual ou prescrever antes de resolvido...

Claudio Lameira - O certo é que a Constituição ainda protege os criminosos. Se Duarte Lima quiser mostrar a sua inocência que voe para o Brasil e seja lá julgado. Eu não ponho as minhas mãos no fogo!

José Pinto Correia - Lema da procuradoria (com sesta, sem sesta, de segunda a sexta): Procuro e não encontro!

Sofia de Landerset  - PGR não é PGR. É AGR - Arquivador Geral da República

David Reis Oliveira - Está em Vale da Coelha, em reflexão

Jacinto Bettencourt - As coisas são um bocadinho mais complicadas

David Reis Oliveira - É! em Portugal é tudo (um pouco) complicado. "Je sais" como cantou o Jean Gabin, je sais.

Henrique Raposo - Jacinto, admito o excesso do "deve ser julgado aqui". Não tem de ser, tal como o rapaz que matou Carlos Castro não tem de ser julgado aqui. Mas o silêncio da PGR não faz muito sentido. Parece que há ali um vazio. Faz impressão.

André Machado Vaz - Se o julgamento for cá, ainda acaba a velhinha condenada postumamente...

David Reis Oliveira - H. Raposo... não há vazio algum. Há “esponjas”. As instituições executam funções. Esta, sem ser por acaso, tem funcionado como “esponja” - absorve. E depois administra os tempos úteis para fazer funcionar o esquecimento. (...) Mas isso sou eu que sou má  língua e ando de má-fé.
Todas as grandes questões estão cheias de ambiguidades
TÁCITO (55-120 d.C.)
Meu caro. Penso que a questão não é tão linear, nem pouco mais ou menos. Os caminhos do Direito parecem por vezes tortuosos mas, quase sempre, há uma RATIO LEGIS que explica os PORQUÊS de determinados institutos, normas, etc... muitos dos quais tendo a sua raiz no Direito Romano... A questão será complexa...

David Reis Oliveira - Meu caríssimo Sr. António Pereira de Carvalho
E está o sr. cheio de razão. Eu também. E, já agora, por exemplo (só a título de exemplo, claro) o Ortega e Gasset, idem... pelo menos nisto
«a divisão mais radical que cabe fazer na humanidade é esta de dividi-la em duas classes de criaturas: as que exigem muito de si e acumulam sobre si mesmas dificuldades e deveres, e as que não exigem de si nada de especial, pois para elas viver é ser em cada instante o que já são, sem esforço de perfeição em si mesmas, bóias que andam á deriva»

André Machado Vaz - Fazendo a síntese Tácito/Gasset: quando as grandes questões são entregues nas mãos de bóias à deriva, sobra uma velhinha morta e uns milhões na Suíça...

sábado, 22 de outubro de 2011

A “rasteira”

2952
… repito: falar em equidade -- num “lugar” em que pouco mais se tem feito do que reiteradamente [a maioria das vezes sem qualquer nexo racional] criar iniquidade e fundas desigualdades de índole vária e conforme a força reivindicativa [força sempre avaliada à luz da sua expressão eleitoral] dos respectivos lobbies -- is another little swindle.

Esta constatação não tem nada qu’ espante:
as coisas chegaram ao ponto a que chegaram; o regime é a comédia que é; os serviçais, cortesãos e toda a sorte de incumbentes estrebucham por sentirem os úberes a encarquilhar; a populaça arrasta-se pela ruas da amargura e, atoleimadamente, ao invés de tentar sair do beco vai em direcção ao muro, atraída pelo ruído de festas alheias;…
isto é um cúmulo de equívocos, gerado por uma série de artistas de feira que se têm revezado. Os capazes que se propunham fazer algo foram queimados pela “revolução”, os seguintes serviram-se e agora ou trabalham por baixo das mesas ou escusam-se à “mistura”.

Há conversas para que não contribuo como essa dos “do Estado” e dos “do privado” por esta simples razão: foram sempre duas realidades com detalhes tão diferenciadores que, pretender compará-las, é como querer avaliar o azeite pela água da curtimenta da azeitona.

O que Cavaco Silva está presentemente a fazer com o governo no que respeita à proposta de OE 2012 não é (salvaguardadas as circunstâncias e a natureza) muito diferente daquilo que fizeram, Melo Antunes (via CR) e Ramalho Eanes (via Belém), com o PC na sequência do 25 de Novembro de 1975. O que foi feito, feito ficou. Mas que o regime e o país nada lucraram com isso, não.

Aqueles acorbardaram-se e tiveram medo das eventuais consequências de um PC outra vez na clandestinidade; este tem medo que o PS vá engrossar as fileiras dos indignados - o que é um erro: o PS vai estar a fazer jogo duplo (um -- de dia, no parlamento -- negociador talvez conciliador e responsável e outro -- à noite, nas catacumbas -- de "desestabilização" e de cizânia).
Cavaco Silva disse algo que “vem nos livros” (vem mais ou menos assim; depende bastante da direcção do vento) mas que também sabia ir dar azo a que o PS -- … apesar do chinfrim se absteria na votação global e faria o que lhe compete na especialidade -- passasse a partir daquele instante a colocar sob “chantagem” o governo, escudando-se nas palavras do Presidente, e (como seria de esperar) colocando, já, no terreno um aríete, Ferro Rodrigues, a espezinhar o resultado eleitoral (com 4 meses de vida), borrifando-se para a legitimidade e essas coisas caracterizadoras do Estado de Direito (para muito tem servido com excepção de lhes queimar a língua) que agora, e por exclusiva conveniência, mandam retrete abaixo. Golpada! posto que não existe (de essencial ou acessório) nada de novo, que não seja o que tem sido e que não esteja como sempre esteve à disposição das instituições e dos respectivos titulares.
Está o Presidente da República com dificuldade em resistir à tentação de mudar o norte-magnético da política nacional para Belém? Me parece que sim. Ora, eu teria ficado muito agradecido que, esses esmeros, os tivesse revelado na legislatura anterior e oportunidades, e montanhas de razões para o fazer, teve e não fez.

Pois fossem a convicção, o calibre, a disposição e a disponibilidade de Passos Coelho, de Paulo Portas, do PSD, do CDS, a dos “do governo” e a dos “dos partidos” a que eu idealizo, e o caldo estaria entornado… ainda antes da discussão na generalidade do OE ficava com o menino nos braços. E já que é crente e cristão, fosse o que Deus quisesse.

Nota: o que consta da gravura ao lado (retirada da página do Facebook) é a confirmação de uma tentativa de “reorientar” o norte-magnético.