sábado, 15 de outubro de 2011

Já cá faltavam! (os feijões-verde)

2948

Militares admitem endurecer as manifestações de descontentamento
«O presidente da Associação Nacional Sargentos diz que "já há muito tempo" que os militares estão "a preparar uma série de iniciativas
 … bem visto, e ponderado, tem a sua vantagem desde logo a de lhes questionar a voz, as exigências, a função, a utilidade, o preço e o proveito, etc
Nada que não devesse já ter sido resolvido. Não foi mas já o podia ter sido. Não é, porém, a irresolução que me preocupa: são a(s) razões que o têm impossibilitado.
Como? pelo princípio, naturalmente: começando por uma revisão da Constituição, com uma nova arquitectura em que a soberania e as respectivas funções fossem remolduradas, redistribuídas… e, nessa eventualidade, o exército passaria a ter uma dimensão e um peso diminuto (comparativamente à que tem).
Infelizmente não é um assunto cogitável e é pena quanto mais não seja por serem uns “servidores” -- uns largos milhares de inutilidades -- da República dispendiosos em demasia para os “serviços” que prestam ou por contrapartida do que se presume garantirem.

Estas inutilidades pesaram, em 2010, 3,1 mil milhões de euros; no presente ano, dados de Setembro, já lá vão 1,1 mil milhões.

E de isto não há memória de alguém que tenha passado pelas instituições ou que tenha dirigido as forças partidárias a quem tenha passado isto pela cabeça. Se passou, calaram-no, acobardaram-se. Se nunca passou, pior – devia ter passado.



Como é evidente vão-se permitindo exalar de quando em vez uns dichotes deste género por uma única razão: sabem bem o tipo de gente que compõe a sua comunidade tanto quanto sabem a fraqueza do Estado e conhecem as fragilidades, as dependências dos que supostamente já os deveriam ter definitivamente passado à peluda e procurar trabalho – remuneração já a têm!

Não é que há por aí uma maltinha que fez, destes 35 anos, um holograma? me parece que sim. Não é que há por aí umas legiões de sans-coullotes que supõem  -- por ouvirem as estórias que lhes contam – que, nos dias que passam, uma reedição daquele 11 de Março se ficava por amenas trocas de mimos e galhardetes entre umas réplicas mal paridas de Dinis de Almeida, Otelo e Moura Carvalho? Há e estão muito enganados.
Já nem as casernas frequentavam. Kaput! As casernas, se o fossem, seriam os seus doces lares – se o quisessem e as esposas o permitissem. As casernas já tinham sido todas passadas à Estamo para as passar a patacos.  

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Enrascados e indignados. Com quê?!

2947
Se razões existem -- quem as não tem? razões há sempre  e mesmo não havendo, inventam-se -- para desfilar, protestando, muitas mais são as que aconselham recolhimento. Desde logo por indignado, andar eu há bem mais de  duas  dezenas de anos, upa, upa!... logo a indignação, para mim, não é um estádio – é um hábito e, depois -- supondo que lá estaria por a minha indignação já não se conter confinada às paredes da casa --, porque assim que olhasse para o lado, na procissão, de certeza que me viria embora, imediatamente, indignado com a “indignação” do “ululante” vizinho.
Um protesto é também um acto solidário, uma acção de solidariedade. Ora é essa solidariedade que não me disponho a distribuir a esmo, sem olhar a quem -- o que aliás, afirmo-o, não é nem mais nem menos do que a que senti ao longo de 36 anos -- isto sim a minha cruz e sendo, não alijo responsabilidades (que as tenho) próprias, nisso -- em Portugal.
Não lamento já que, nisso de solidariedade, sou digamos casuístico ou seja em tese, por princípio, sim! mas na sua concretização nem tanto. Sobeja-me sempre a questão: e a “parte”, leia-se reciprocidade, do outro? Na solidariedade também existe contraparte, sabiam?! (replico eu que sou cristão, mas não sou Cristo)
 -- Solidarizar-me com quem? com um professor do ensino básico, com 30 e poucos anos de serviço, reformado no escalão 10 ou 11  -- peçam-lhes para contar como é que chegaram (e foram fornadas a fazê-lo) ao escalão 10 ou 11 ao fim de seis meses de uma “licenciatura”… um dos maiores embustes (do consulado guterrista) que tive oportunidade de conhecer. Perguntem-lhes! É que de isso não falam -- nem os “reformados” nem o Nogueira dos profs -- e que hoje tem uma reforma acima de 2500 euros?! nem pensar;
 -- solidarizar-me com a menina que, ontem à noite, carpia mágoas sentada, em ameno convívio, à mesa de uma discoteca ou coisa parecida? devem estar doidos;
 -- solidarizar-me com os advogados que foram reprovados (por isso vão ficar por mais uns tempos enrascados) no exame de admissão à respectiva Ordem? jamais;
 -- com os papás e as mamãs que reclamam jobs para os ganapos lá de casa, mas dignos, em conformidade com o estatuto social e outras merdas do género?! têm bom remédio: vão partir cascalho (se houver) para a estiva! (se não houver, levem um saco de casa);
 -- solidarizar-me com os dois gajos que, hoje de manhã, estive a observar por três quartos de hora (o patrão não estava lá), a discutirem entre eles se começavam por ali e depois iam a Cascais ou se iam a Cascais e voltavam por ali e, claro, mais umas tantas conversas particulares/domésticas via telélé (do patrão, claro!). Três quartos de hora!!! e, por fim, um foi para Cascais e o outro ficou por ali. Solidarizar-me só se para rogar a Deus por inteligência, no mínimo.
 -- solidarizar-me com o pequeno médio empresário que está prestes a fechar o tasco (diz ele que o mercado está mau, e está! mas que esconde os leasings que contraiu para comprar popós e esconde a descapitalização que, mês após mês, fez e mais a ajuda fiscal que recebeu, anualmente, em sede de IRS, e que lhe permitiram criar empresas fictícias, com empregados fictícios, para sacar três ordenados lá para casa em vez de um como devia ser)? e aos colaboradores não lhes aumentou os honorários por seis anos porque as vendas (se não as vendas, as margens) não o permitem? essa merda (o tasco, a venda, a "empresa") num país a sério, não ia fechar; já tinha fechado, há muito. E o petit -"empresário" em vez de andar armado em yuppie já estava a bulir por conta d' outrém também há muito. Tenham juízo.

Como se dizia lá para cima, em tempos:
~ comeu?! bom proveito lhe faça. Agora vou comer eu. ~

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

... et je suis à Paris. Ooh la la! Je ne regrette rien. Comme est belle la philosophie!


na Declaração do Primeiro-Ministro sobre o OE 2011
2011-10-13

«(…) vivemos momentos da maior gravidade.(…) O Estado depende em absoluto da assistência externa para cumprir as suas funções básicas, desde o pagamento de salários a enfermeiros, professores ou polícias, até à realização das mais variadas prestações sociais.
(…) o sector privado sofre cada vez mais com a escassez de crédito (…) Vivemos um momento de emergência nacional.
Quando no ano passado ajudei a viabilizar o orçamento para 2011, fiz questão que nele estivessem contidas reduções significativas da despesa pública. (…) Foi esse o compromisso que estabeleci com o Governo de então, porque sem essas reduções seria impossível resolvermos os nossos problemas.
Quando tomei posse, sensivelmente a meio do ano, esperava que metade desse orçamento tivesse sido devidamente executado.
Porém (…) nesses primeiros meses que antecederam a minha posse no Governo, 70 por cento do défice permitido para a totalidade do ano fora já esgotado.
No passado, habituámo-nos a tolerar as derrapagens orçamentais. Tornou-se num hábito político que é urgente reparar. Mas este ano todos tinham a obrigação de já ter aprendido a lição.
As derrapagens orçamentais num País que enfrenta a perda da credibilidade externa e a vê secar as suas fontes de financiamento têm consequências muito mais gravosas do que é habitual. Temos de acrescentar a tudo isto uma contracção económica prevista para 2012 maior do que foi antecipado e uma deterioração severa das circunstâncias externas à economia portuguesa.
E é preciso sublinhar que se agravou substancialmente o peso dos prejuízos e do endividamento do Sector Público Empresarial, o que vai obrigar a uma profunda reestruturação do sector.
(…) neste orçamento (…) teremos de fazer um esforço redobrado de consolidação.
Para atingir o mesmo resultado de contas públicas a que nos obrigámos externamente temos agora de fazer mais do que estava inicialmente previsto.
(…) a expansão do horário de trabalho no sector privado em meia hora por dia durante os próximos dois anos, e ajustar o calendário dos feriados. Substitui a descida da TSU (…)
(…) a eliminação dos subsídios de férias e de Natal para todos os vencimentos dos funcionários da Administração Pública e das Empresas Públicas acima de 1000 euros por mês. Os vencimentos situados entre o salário mínimo e os 1000 euros serão sujeitos a uma taxa de redução progressiva, que corresponderá em média a um só destes subsídios.(…) porque os desvios na execução orçamental de 2011 relativamente ao que estava previsto no Programa de Assistência são superiores a 3000 milhões de euros.
(…) serão eliminadas as deduções fiscais em sede de IRS para os dois escalões mais elevados, e os restantes verão reduzidos os limites existentes. Mas serão salvaguardadas majorações por cada filho do agregado familiar (…) acautelaremos a fiscalidade das IPSS e isentaremos de tributação em IRS a maioria das prestações sociais, como, por exemplo, o subsídio de desemprego, de doença ou de maternidade.
(…) reduz consideravelmente o âmbito de bens da taxa intermédia do IVA, embora assegure a sua manutenção para um conjunto limitado de bens cruciais para sectores de produção nacional, como a vinicultura, a agricultura e as pescas. (…) não haverá alterações na taxa normal do IVA e mantemos os bens essenciais na taxa reduzida (…)eliminar os subsídios de férias e de Natal para quem tem pensões superiores a 1000 euros por mês. As pensões abaixo deste valor e acima do salário mínimo sofrerão em média a eliminação de um só destes subsídios.(…) não prescindimos do nosso compromisso de descongelar as pensões mínimas e actualizá-las. Tivemos tantas oportunidades para inverter o rumo e limitámo-nos a encolher os ombros. (…) seremos implacáveis com a evasão fiscal e agravaremos a tributação das transferências para off-shores e paraísos fiscais.(…)
Depende da competência e liderança do Governo, da diligência e dedicação das Administrações Públicas, da inovação e criatividade dos empresários, da confiança e serenidade dos investidores, do profissionalismo e energia dos trabalhadores. Depende da cooperação dos parceiros sociais, do dinamismo das instituições da sociedade civil, do diálogo construtivo com os partidos da oposição, em particular com o maior partido da oposição que tem nesta matéria uma oportunidade de evidenciar um elevado sentido de responsabilidade e de serviço ao País.
A eficácia deste orçamento dependerá de todos. (…)»

Fruta temporã

2946
mas também podia chamar-lhe de
camarim dos  Heróis do cuspo
Proclama ter no combate à corrupção uma obsessão e do combate, faz vida. Que vive, vive. Já do tal “combate” para que diz viver, alguém (ou a própria) é capaz de apontar o(s) caso(s) realmente resolvidos?!
... e não se cansa. Anda em “combate”, se a memória não engana, há bem mais de duas dezenas de anos.
É uma luta incessante e inacabada, respondem. Pelo que mantenho a questão:
 - já começou?!

Cerejas fora d’ época (III)

2945
É evidente que podem ser lidos e ignorados. Mas essa atitude arrasta um risco – o de passo a passo, letra a letra irem conseguindo fazer escola. É esse movimento que é designado de mainstream e é com esse movimento que se estabelecem, e incrustam, determinados perfis de “raciocínio”.
Na medida em que isso é castrador necessário é, combatê-lo e esse combate não tem latitude ou longitude, não tem fronteiras ou nacionalidade.
Entre umas poucas vacuidades «nas crises é ainda mais importante separar o essencial do acessório» introdutórias, tudo menos inocentes ou pueris «a história da humanidade é a história do progresso científico e tecnológico»
[para ler tiradas deste calibre tenho ali o Facebook mais barato que papel de jornal e mais amigo do ambiente],
outra inanidade «a aposta dos republicanos na instrução e na ciência (que ainda hoje origina acusações de “positivismo” ou “cientismo” (…)»
um tal Ricardo Alves, de “Submarino ao fundo” (sem link), perora nas páginas do i, de entorse em entorse, para chegar à brilhante
«o governo anterior deixou-nos a programação de 12 anos de escolaridade obrigatória, o Magalhães e o aumento de investimento em ciência (…) serão recordados por décadas», e conclusiva, “analogia”.
Do dilecto “pensador” e lídimo “apóstolo”
Se é uma criação do "anterior governo" é decerto certificado por uma daquelas Oportunidades; se não é, está percebido - a carga do “submarino” espelha-o.