A propósito da filípica que a menina ressumou e que me mereceu reparo em “A menina anda tão, mas tão...” calhou andar por aí, desfolhando, e, inesperadamente -- “da palavra que soltas, és escravo” -- deparo com outra de Setembro de 2004 - esta ditirâmbica. Mais, deslumbrada."Um economista, Cavaco Silva, desembaraçou-nos a contabilidade, e consolidou o nosso europeísmo ... Mesmo com as falências dos governos posteriores, percebe-se como Portugal mudou, e como essa mudança é extraordinária, fazendo de nós cidadãos de primeira. Quem viaja pelo terceiro mundo, como eu viajei durante dias e dias, apercebe-se do capital de simpatia de que dispomos, e apercebe-se de que, ao contrário de antigamente, toda a gente sabe agora onde fica Portugal e o que é Portugal. Um país da Europa, justamente ... Portugal é um país simpático ... Tem hoje uma cultura, um estilo de vida, uma língua, uma paisagem e até uma economia que não embaraçam os portugueses. Tem liberdade de opinião e uma voz pública activa Portugal tem hoje uma cultura cosmopolita e tem uma oferta cultural ... Portugal tem um público esclarecido que consome cultura, como eu vi com os meus olhos ao apresentar Salman Rushdie no Porto, durante as conferências do Porto 2001 ..."
Enfim "a necessidade é inimiga da virtude"
Entre a remota e a recente, o que mudou? Nada. Nem o país nem a frequência e também não, para desgraça nossa, os hospedeiros.
"Em caso de necessidade, casa a freira com o frade"
Não escondo, nem disfarço o asco, que esta trupe me causa. Como é evidente, esta gente não dá ponto sem nó. A comunidade é uma coisa abstracta que lhes serve para parasitarem e a força das suas opiniões é razão directa da procura ou seja, quando se sentem (seja lá como fôr ou à custa de quem fôr) recompensados - “somos” do melhor que o Criador idealizou; quando não – “somos” uns proscritos, dejectos do Demo.
Mercenários.
"De um rato não pode nascer senão outro rato"

