quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O lençol é pequeno

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«O Fundo Monetário Internacional (FMI) instou hoje o Governo a ser "ousado" e a cortar a Taxa Social Única no valor de 2% do Produto Interno Bruto» que, grosso modo, corresponde a uma descida de 8% na TSU.
No que concerne às medidas de relançamento económico, este, a redução da TSU, será o falhanço da  FMI e, consequentemente, do governo. Não obterão no terreno a confirmação dos valores ou índices que obtêm na resolução das funções econométricas inerentes nas folhas de cálculo e vão agravar o sarilho que já são contas da Segurança Social [as tais cuja sustentabilidade ficou, no dizer da abécula (Vieira da Silva) e no silêncio cúmplice e criminoso de quantos se limitaram em acenar com as orelhas -- sabendo que não existem, e continuam a não existir, intervalos de valores congruentes que o garantam como por exemplo a distribuição etária da população, a relação de distribuição, a pujança da economia, a criação de emprego, a capitação do rendimento nacional bruto, etc…]
Porque vai falhar?
Falhará como falharam muitos outros que, convidados, nos vieram propôr “saídas”/alternativas para uma inversão do sentido – estou a referir-me a Michael Porter, por exemplo. Este exemplo (para mim) é um dos mais gritantes por três razões, a saber: a primeira é que veio com um aturado trabalho de casa feito; a segunda é que veio pago a “peso de ouro” e a terceira é que, de isso, resultou uma excelente, e actualíssima obra prospectiva, A vantagem Competitiva das Nações. Em que falhou Michael Porter e em que falham os demais? No seguinte: os outputs reais -- por razões idiossincráticas, por atavismos seculares, por uma inércia instalada específica e ainda não anulada, antes pelo contrário   -- não têm correspondência com os outputs econométricos.
É imenso o que terá, em termos de complementaridade, de ser conseguido a fim de que a correspondência a que aludo seja conforme os cânones. Uma verdadeira “revolução” que depende muito do Estado mas muito mais da comunidade.
Aqui fica um outro exemplo e este de um poruguês, Ricardo Reis
«Os programas típicos de ajustamento do FMI, incluindo as duas intervenções em Portugal nos anos 80, assentam em duas pernas. A primeira perna é o saneamento das finanças públicas para reduzir o endividamento do Estado e, por arrasto, do país. Uma consequência nefasta deste ajustamento é que o aumento de impostos e a descida da despesa pública empurram o país para a recessão. A segunda perna é uma expansão monetária que aumente a inflação e desvalorize a moeda. Ao penalizar as importações e promover as exportações, esta desvalorização ajuda as contas externas e, mais importante, estimula a economia*. Por isso, permite combater o efeito recessivo da contracção fiscal e evitar que o país mergulhe numa espiral em que mais impostos retraem a economia, que por usa vez reduz a receita fiscal.

No caso de Portugal pode ser feita por via fiscal, manipulando as taxas de impostos de forma a taxar importações e subsidiar exportações. Como desvalorizar?(...) subindo os impostos sobre tudo o que consumimos e baixando os impostos sobre aquilo que produzimos. No caso português, a implementação passaria por baixar a TSU e subir o IVA e o IMI, em proporções que garantem que a receita fiscal não se altera
Curiosamente, Ricardo Reis, ignora um outro implícito, e esperado, resultado: a (implícita) criação de emprego. Afirmo eu: não vai criar! o que, como é evidente, nada tem que ver com o outro efeito -- o do reforço de condições em termos de competitividade externa.
Cá estaremos para o confirmar ou infirmar.

sábado, 3 de setembro de 2011

Debalde

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Verdade ou nem por isso parece existirem indicadores de que os portugueses estão a recorrer, mais do que o normal, a consultas de psiquiatras, psicólogos… Por causa da crise e das suas sequelas. “Do governo”, gritarão os padecentes, certamente. Mais ou menos assim.
Debalde, digo eu.
Também podiam ir pelo genuflexório do confessionário da igreja do lugar. Com toda a probabilidade efeito similar teriam e, que me conste, quer o “ofício” quer o ombro amigo são caridosamente gratuitos. Porém, caso assim acontecesse, diria o mesmo - Debalde.
Não sendo, é  uma forma de se gastar o que os próprios, acho eu, em princípio, não têm; outra forma de gastar o pouco que há para os que, de facto, não têm e, ainda forma de gastar o pouco que há e devia estar destinado aos que, por razões bem diversas, efectivamente precisam desse tipo de assistência clínica. E insisto – debalde.
Resta-me  a esperança de que os clínicos saibam, nas consultas, confrontá-los com verdadeiros e autênticos diagnósticos.
[Não sei é se a verdade, ou grande parte dela, é processo clínico auspicioso, mas … (?)]
Do que tenho menos dúvidas, é de que
1– as consultas não lhes soluciona nada;
2 – os “recursos a” são tardios e,
3 – provavelmente muito se explicará do seguinte modo:
─ quem, em tempo próprio, aos clínicos devia ter recorrido, deviam ter sido os respectivos progenitores.
Adianto que, não acredito que a pobreza de espírito, se trate em marquesas ou sofás de psiquiatras.
“Digo” debalde, assim como digo que não o digo, desrespeitosamente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Arabescos (I)

Este post  -- Arabescos --  de Outubro de 2010, continua a bater o record de leitura!!!
Alguém me sabe explicar a razão? É só, mesmo, curiosidade  minha. E até pode ser que sejam razões, que a minha não perscruta. Se fôr, pode ser que me seja útil, percebê-la; se não fôr, não acresce nem subtrai mas, se fôr a que penso que será então, estou de parabéns por um lado e por outro, confrontado com a lástima.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma “secessão” antes da União? ou a secessão porque sim

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«Alemanha, Áustria, Finlândia e Holanda devem sair do euro e criar uma nova moeda comum. E podem fazê-lo de consciência tranquila (…) o “bilhete de saída” está pago já que boa parte do empréstimo à Grécia e a Portugal nunca será reembolsado» alega Hans-Olaf Henkel, ex-presidente da confederação das indústrias alemã.
Henkel foi sempre um apoiante entusiástico do euro o que não o impede de reconhecer que esse foi o seu “maior erro profissional”.
Estes quatro países com endividamento controlado, criariam uma nova moeda, verdadeiramente à imagem do marco alemão, e “deixariam o euro, tal como ele está” - com a França ao leme. A França ficaria no centro do actual euro, agora reduzido aos países do sul e então poderiam voltar a usar a receita que tão bem conhecem e lhes garantiu a competitividade: desvalorizações e inflação.
Henkel sugere que a moeda fique aberta à adesão do Reino Unido, Suécia e, no limite, integre também a Irlanda - vítima da “irresponsabilidade” dos bancos e não por derrapagens orçamentais”.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

É só banga!

2924
Bernard-Henri Lévy, que não deve nada [como bem sabe ,quem sabe quem ele sempre foi e é] à contenção e ao exibicionismo, foi a Tripoli, encontrou-se e falou  com os “rebeldes” (os da linha da frente) como se fosse beber um copo, ao fim da tarde, ao bar do casino.
E isso interessa alguma coisa?
Não interessa de facto, mas interessa-me para o caso.
A questão é:
-- se assim foi/é  por que vão os “porta-microfones”/ os “enviados especiais” das nossas tv´s, com  indumentárias tipo Humphrey Bogard/Katharine Hepburn [nas filmagens de The African Queen nas bordas da selva austral africana], e se espojam  pelo chão [como se fossem descer o rio Congo há 70 anos atrás] … para quê?!
Já agora:
-- E vai à conta do OE, na rubrica Indemnizações Compensatórias, ou via Taxa de TV (compulsiva) na conta da energia eléctrica, não é?!
... considerando os custos, que envolvem essa heróica gesta jornalística (de esses relativos Robert Frisk de fancaria ou seja em edição de bolso e 50 páginas), para manter os cidadãos informados com a chancela da reconhecida isenção lusa e porque não seria fácil justificar a ausência, face às exigências e necessidades informativas dos portugueses que está, consabidamente, assaz preocupado com o desenlace do conflito,… ora, considerando estes factores, sou eu que sou mesquinho!
Que isto é um lugar pejado de garnizés, bonzos e sebáceos v.g. artistas, nunca tive a mais pequena dúvida. E se a tivesse estava, ou teria estado, enganado.