Apesar da saborosa vitória do PSD, do bom resultado do CDS, do excelente “estouro” do BE, da “sinalização” feita pelos açorianos o que é que, efectivamente, mudou?
(a questão foi-me isntigada por apartes, bocas e comentários de gente conhecida e/ou amiga no Twitter e no Facebook)
É precisamente pela(s) resposta(s) a esta questão que perco o entusiasmo para festanças e se me arrefece o júbilo – satisfeito, sim; esfusiante, …nem por isso. São razões tão óbvias, mas tão óbvias! que, recorrer a elas, até parece ridículo.
Se mudar algo de substancial será infelizmente por incontornável imperativo do que por consciente opção colectiva. E, evidentemente, eu preferia que fosse por consciente opção colectiva. Ora, mudanças substantivas … a última que o povo português tomou foi a de recusar toda e qualquer ligação efectiva com o então designado Ultramar. Tudo o resto, tudo, lhes apareceu “em consequência de” e nessa medida, foram atamancando (umas vezes melhor, outras pior) soluções de recurso. Assim foi até na apressada entrada para a UEM/adesão ao Euro.
Este consulado, que agora foi decapitado, do PS de Sócrates foi apenas e só, politicamente, um período muito mau em que fez escola [um dos meus receios é que tenha consolidado de tal maneira que apesar da mudança de certo pessoal político não tenha garantido uma diferenciação assinalável de procedimentos e comportamentos] uma forma enviesada de utilização dos meios públicos. Ora o problema é que se esse período foi tão grande, e se a escola foi sendo tolerada, foi por ter encontrado lastro na sociedade apesar da resistência e tantas outras ocasiões da “insurgência” (a muitos títulos notável) de umas centenas de bloggers e usuários do Facebook e do Twitter, etc… que muito fizeram para contrariar uma enxurrada contínua de “acções” catequizadoras [refiro-me concretamente a uma legião de avençados opinion-makers e “especialistas” a que o regime recorreu e que pululam na comunicação social]
Essa é que é essa!
Vão ser necessárias reformas sérias, e à séria, e não há tempo nem espaço para meras alterações cosméticas. E também no que a isso respeita gostava de olhar para Bruxelas e/ou Estrasburgo e ficar satisfeito. Pois não fico ou melhor fico na esperança de que as insuficiências e as deficiências os obriguem a arrepiar caminhos o que é - salvaguardadas as respectivas dimensões – nem mais nem menos do que, na essência, o nosso (de Portugal e dos portugueses) problema.
O problema é então de lastro. O problema é que terá de se ir qualitativamente um pouco mais longe do que ficou acordado com a troika; o problema é que os portugueses já estão mais pobres, irão irremediavelmente empobrecer um pouco mais durante o próximo quinquénio e, quer gostem quer não, encontrarão maneira de inverter o sentido se, e só se, interiorizarem que há uma série de “regenerações” a fazer – pela soma das partes por menor que seja o valor relativo das parcelas; nunca pela compensação aritmética entre a(s) parcela(s) que diminui(em) à(s) que acresce(m).
Desmancha-prazeres?! - Talvez seja. Se sou, lamento (por vós) mas ao olhar para trás, ao observar para os lados e ao tentar perscrutar para a frente, não encontro por que deixar de recolher os foguetes, sem os largar.

