segunda-feira, 6 de junho de 2011

Desmancha-prazeres?!



Apesar da saborosa vitória do PSD, do bom resultado do CDS, do excelente “estouro” do BE, da “sinalização” feita pelos açorianos o que é que, efectivamente, mudou?
(a questão foi-me isntigada por apartes, bocas e comentários de gente conhecida e/ou amiga no Twitter e no Facebook)
É precisamente pela(s) resposta(s) a esta questão que perco o entusiasmo para festanças e se me arrefece o júbilo – satisfeito, sim; esfusiante, …nem por isso. São razões tão óbvias, mas tão óbvias! que, recorrer a elas, até parece ridículo.
Se mudar algo de substancial será infelizmente por incontornável imperativo do que por consciente opção colectiva. E, evidentemente, eu preferia que fosse por consciente opção colectiva. Ora, mudanças substantivas … a última que o povo português tomou foi a de recusar toda e qualquer ligação efectiva com o então designado Ultramar. Tudo o resto, tudo, lhes apareceu “em consequência de” e nessa medida, foram atamancando (umas vezes melhor, outras pior) soluções de recurso. Assim foi até na apressada entrada para a UEM/adesão ao Euro.
Este consulado, que agora foi decapitado, do PS de Sócrates foi apenas e só, politicamente, um período muito mau em que fez escola [um dos meus receios é que tenha consolidado de tal maneira que apesar da mudança de certo pessoal político não tenha garantido uma diferenciação assinalável de procedimentos e comportamentos] uma forma enviesada de utilização dos meios públicos. Ora o problema é que se esse período foi tão grande, e se a escola foi sendo tolerada, foi por ter encontrado lastro na sociedade apesar da resistência e tantas outras ocasiões da “insurgência” (a muitos títulos notável) de umas centenas de bloggers e usuários do Facebook e do Twitter, etc… que muito fizeram para contrariar uma enxurrada contínua de “acções” catequizadoras [refiro-me concretamente a uma legião de avençados opinion-makers e “especialistas” a que o regime recorreu e que pululam na comunicação social]
Essa é que é essa!
Vão ser necessárias reformas sérias, e à séria, e não há tempo nem espaço para meras alterações cosméticas. E também no que a isso respeita gostava de olhar para Bruxelas e/ou Estrasburgo e ficar satisfeito. Pois não fico ou melhor fico na esperança de que as insuficiências e as deficiências os obriguem a arrepiar caminhos o que é - salvaguardadas as respectivas dimensões – nem mais nem menos do que, na essência, o nosso (de Portugal e dos portugueses) problema.
O problema é então de lastro. O problema é que terá de se ir qualitativamente um pouco mais longe do que ficou acordado com a troika; o problema é que os portugueses já estão mais pobres, irão irremediavelmente empobrecer um pouco mais durante o próximo quinquénio e, quer gostem quer não, encontrarão maneira de inverter o sentido se, e só se, interiorizarem que há uma série de “regenerações” a fazer – pela soma das partes por menor que seja o valor relativo das parcelas; nunca pela compensação aritmética entre a(s) parcela(s) que diminui(em) à(s) que acresce(m).

Desmancha-prazeres?! - Talvez seja. Se sou, lamento (por vós) mas ao olhar para trás, ao observar para os lados e ao tentar perscrutar para a frente, não encontro por que deixar de recolher os foguetes, sem os largar.

sábado, 4 de junho de 2011

"A adulação procura amigos;

2910
«(…) é forçoso reconhecer que Portugal evoluiu de uma forma incrível nos últimos trinta anos: talvez tenha aumentado o fosso entre ricos e pobres, mas a percentagem de pobres é incomparavelmente menor do que era na geração anterior e infinitamente menor do que era há cinquenta anos» - Miguel Sousa Tavares

Isto é nada. É parágrafo de um “catecismo”, de uma cartilha.
É uma constatação cuja valia depende daquilo com que se compara e mais, nada se compara ao desconhecido. Como comparação é uma avocação indevida, cínica e capciosa. Como justificação serve de dois modos: de soporífero a apóstolos com insónias, prosélitos inseguros e alívio de alma a quem foi incapaz de legar coisa melhor. Mas também é uma escora para descrentes, apóstatas ou pessoas inteligentes.
Mais fere a língua do adulador que a espada do perseguidor”, diz o povo

a verdade inimigos". Pois que seja!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Uma vitória e um exorcismo

2909
À hora a que escrevo, estaremos a pouco mais de 24 horas de se saber realmente o que resultou deste pleito eleitoral. Esta apreciação, este comentário tem para mim um sabor muito especial:
-- a concretizarem-se (sem filigrana, em linhas grossas) os resultados preconizados por auscultações e por mim desejados, isso, redundará em uma dupla vitória – por si e, imaginem, pelas eventuais consequências/implicações – imediatas – partidárias e  mediatas - políticas, administrativas, económicas, procedimentais, processuais, constitucionais, sociológicas, etc... (a ordem é arbitrária). Pelas quais, agudamente, sempre pugnei.
Um sabor especial, assim como que colher o resultado de um desafio gratuito – ajudar na quota-parte que me incumbe, a impulsionar um outro Portugal, mais digno. A dignidade é um valor que foi, amiúde, espezinhado por quem deveria pugnar e proceder em sentido contrário.
Apropriando-me do que terá dito Manuela Ferreira Leite uma vitória nossa, de Portugal, da Democracia é afastar da esfera da administração pública, dos directórios partidários, das instituições políticas do regime, personalidades desta estirpe. Sócrates, por si e pelo escol de entulho, foi um desastre para Portugal assim como foi para o partido que integra. Veremos!
O exorcismo
1 - o primeiro grande vencedor destas eleições é indubitavelmente o CDS/PP e Paulo Portas. O valor intrínseco à vitória do CDS não se afere pelo número de lugares conquistados no parlamento nem pelo número de pastas ministeriais que o score eleitoral impõe/obriga ou de secretarias-de-estado ou outras quaisquer prebendas correlatas. Não!
O resultado do CDS/PP é acima de tudo o resultado de um “exorcismo sociológico” - acrescentado que tem de ser ao resultado do PSD, claro.
Já sei como é e portanto explico: o CDS/PP jamais se conseguiu livrar do selo/da “marca” ignominiosa que lhe apuseram em 1975. Com juízo, responsabilidade e a ajuda das circunstâncias, isto - o resultado eleitoral -, é um virar de página, história.
Sociológica, e politicamente, o real valor é ser desmentida a procrastinada e recorrente tese de que a maioria sociológica do povo português é de esquerda (somadas todas as esquerdas das mais variadas matizes e cambiantes).
A afirmação é gratuita além de estúpida - é um dos soundbytes propagandísticos e panfletários que ainda não haviam soçobrado - 35 anos após o PREC  ; é uma radícula, vivaz… que 15% ou 16% sempre viveram a cavalgar e os outros 35 a 40%, parasitaram, flutuando ou por via do PS ou por via do PSD (infelizmente) – refiro-me àquela mole de urbanizados que gravitou na vida privada entre a indecisão expressa e a decisão confirmada (logo que lhes parece saberem onde vai sair o prémio) e que na vida profissional muito ou tudo devem a um qualquer órgão ou sistema da engrenagem.
Também por isso existem consequências virtuosas, porém dolorosas, da falta de dinheiro.
 A vitória
2 – Naturalmente tenho mais dúvidas, apreensões e suspeitas das virtudes advenientes da vitória do PSD do que de qualquer outra coisa. Talvez por conhecer demasiado bem (ou ter conhecido) parte da máquina, dos integrantes e da maneira de raciocinar e proceder deles. Por estar  por demonstrar a convicção e a força que Pedro Passos Coelho detém. E nada disso belisca ou me faz titubear quanto ao voto.
De estas “apreensões” já escrevi por outras ocasiões. Não me repetirei.
Os trabalhos com que Portugal se confrontará no próximo quinquénio, são hercúleos; as decisões com que o PSD se defrontará, são tremendas – tanto pelas incisões, que terá de efectuar na sua “falange”, quanto pelas dissenções que irá originar.
Mas o que tem de ser, tem muita força.
Estou tão certo que o caso - Portugal é para ser seguido à ilharga quanto de que os benefícios provenientes da apreciação serão extraordinários.
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-- Infelizmente para fazer o que tem de ser feito não há como fazê-lo descartando o PS - atirando-o definitivamente para o campo por que tanto clama de que faz parte e que reclama – a esquerda. Seria uma excelente oportunidade para o PSD e CDS em termos ideológicos e programáticos assim como um excelente contributo para uma definitiva separação de águas por consequência de propostas, projectos.
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Poderia resguardar-me e editar isto daqui a umas horas. Não! essa foi sempre a trivial maneira de proceder e viver da generalidade dos autóctones, não a minha. Assim adquire outras vantagens, digamos intangíveis - E de que eu gosto -… por exemplo: aquilatar eventuais erros.

terça-feira, 31 de maio de 2011

sábado, 28 de maio de 2011

Quem avisa,...

«Pedro Passos Coelho vai desculpar-me mas, mais uma vez, digo: Não ando à procura de outro primeiro-ministro. Procuro que Sócrates saia de primeiro-ministro. E ele só sairá de primeiro-ministro no dia em que o PSD tiver mais votos do que o PS. Só nesse dia.
(...) pessoalmente, dada a atitude de Sócrates, dado aquilo que ele diz, nem tranquila fico se ele ficar na oposição, porque acho que ele na oposição vai ser tão pernicioso para o país quanto na liderança do país, porque vai fazer a maior das afrontas a tudo aquilo que vá ser feito para cumprir o acordo que ele próprio assinou»
Manuela Ferreira Leite