segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Alavanca e ponto de apoio

O nosso primordial problema  também se explica com Arquimedes. Levantaria o mundo se
1 – tivesse uma alavanca e 2 – tivesse um ponto de apoio.
Acredito que “isto” tem solução. Até acredito que haja quem esteja na disposição de a tentar levar a efeito. O problema é que, democraticamente, quem dá a alavanca também cede o ponto de apoio. Nisto sim, nisto reside o problema. Neste sentido: é uma questão de qualidade. Se a alavanca tem de suportar a acção das forças, o ponto de apoio não pode ceder. Leva-nos, esta incontornável exigência, a um detalhe... tendo a crer que alavancas, existem várias (e qualquer delas passa nos testes de resistência) mas tenho fundadas suspeitas quanto ao ponto de apoio. Pois, para que quero a alavanca se não tenho onde a apoiar?!

domingo, 3 de outubro de 2010

“O Povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre”
Almeida Santos

Desmascará-los!


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Lê-se,  editado num blog bem frequentado, a seguinte pergunta
É caso para dizer: não há respostas estúpidas; há perguntas idiotas. Talvez, analogamente, a resposta se vislumbre na resposta a esta (incomparavelmente menos burra e não lhe subjaz qualquer tipo de ínvio juízo) -- "Por que é que uma determinada taxa se designa "de referência" e não apenas por taxa?!" ou "por que é que há taxas, que são de referência, e outras há que são apenas taxas?" ou Se o banco se pode financiar no MMI (Mercado Monetário Interbancário) a, por exemplo, 1,5 % porque pagará os depósitos aos clientes a 2,5 % ou 3 %?” e Por que razão paga o banco a quem constitui uma poupança a 90 dias, a 1,5 % e paga  a quem a constitui a 365,  a 1,55 %?”ou ainda Como é possível que a fábrica de pincéis vender cada pincel a 1,0  e o hipermercado os vender a 0,95?”
O verdadeiro problema nem são as perguntas. O problema é que, quem faz perguntas deste calibre tem falta de vergonha pelo menos  a suficiente para tecer todo o tipo de considerações, e fazer apreciações, sobre assuntos deste âmbito. E o que é trágico é que supõem, esses “autores”, que as respostas se dão através de elaboradíssimos raciocínios concretizados em variáveis existentes em complexíssimas fórmulas matemáticas quando qualquer bom comerciante da “velha-guarda” com a 4ª classe e alguma tarimba, se a isso estiver disposto, lhes pespega com a resposta e a vergonha na cara.
Se apresentarem ao comerciante (da esquina, lá da ruaCn = C0*(1+t)n  uma das mais elementares fórmulas do Cálculo Financeiro, não a resolve. Mas se lhe pedirem a solução, dá-la-á e certa. Como? não digo! as “explicações” de matemática, contabilidade, finanças, economia não são gratuitas além de este não ser o meio apropriado. Tenha(m) vergonha!
É preocupante? Claro que é! tão preocupante que, não fosse esta iliteracia associada a muito atrevimento, não seria possível a Teixeira dos Santos, Sócrates, Vieira da Silva e Emanuel dos Santos andarem a enganar os cidadãos convencendo-os que a Despesa decresceu 2,7 % quando, tomando por bons os nºs oficiais, na realidade decresceu 2,7% menos a inflação e, ainda por cima, esse percentual é sobre o valor do PIB … jogando a seu bel-prazer com valores/índices nominais e reais … enquanto o acréscimo ou decréscimo da Despesa é um valor real (é, percentualmente, o que uma certa despesa cresceu ou diminuiu em relação à mesma  despesa em período homólogo anterior), o peso que essa Despesa representa em relação ao PIB, é tanto menor quanto maior fôr o PIB. Mantendo-se a Despesa igual, se o PIB cresce então o percentual da Despesa, em termos de PIB, diminui. Não porque a Despesa diminuiu, mas porque o PIB aumentou. Mas ainda há mais … não se está a considerar o efeito que tem a inflação quer sobre a Despesa quer sobre o PIB mercê da incidência que tem em cada um dos componentes que constituem quer o agregado quer o índice.

sábado, 2 de outubro de 2010

As pernas da centopeia

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Perorava ontem n’ o Expresso da Meia-Noite sobre a titânica (!), na língua dele, dificuldade (leia-se impossibilidade prática) que é a reforma da Administração Pública, Luís Delgado. Luís Delgado não é idiota, não! Ignorante declarado, consciente madraço (expõe e expende a falta de informação e estudo) e atrevido é, sim! Muito. há-de estar a defender algo – particular. É preciso denunciar quantos, à semelhança de Luís Delgado, por aí se insinuam entre o cheque (de uma avença para debitarem uns quantos lugares-comuns) e o complemento que auferem para lançar o fogo ao circo pela calada da noite a fim de na alvorada seguinte nos reportarem as trágicas consequências pessoais ou colectivas do circo queimado. É  preciso não ceder os flancos a essas tribos de cortesãos.
A imbecil criatura contava-nos a “dificuldade” -- explicando-a a Sarsfield Cabral assim a modos que desenhando -- … é cortar, mexer com juízes, enfermeiros, médicos, polícias, militares … Não, não é! essa é a forma como é colocada a questão por parte dos visados e/ou por parte de aldrabões com objectivos inconfessáveis.
A reforma, a limpeza na AP ou se faz em consequência “de” (substantivas alterações constitucionais) ou ela própria será a causa “de” (substantivas alterações constitucionais). Pode não ser desta mas já esteve mais longe.
Se o putativo “analista” cuidasse em consultar o Boletim do Observatório do Emprego Público (o último é de Set. 2009) alojado no site da Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público, evitava dizer “asneiras” e contribuir para enganar quem o ouve.
É absolutamente intolerável que no domínio da Administração Central adstritos à Presidência do Conselho de Ministros, existam 2.200 colaboradores; que titulados Orgãos de Soberania e Independentes* existam 13.600; que no Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional existam 3.950; no Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, 3.010
para completar o universo que compõe o ramalhete do Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional há que acrescentar, na Administração Local, 119.200. Uma máquina tão gigantesca que, se feita uma distribuição linear, nos dá uma média de 387 funcionários por autarquia. Um desastre! mas o pior não é isso. Se afinarmos a apreciação -- afinar a apreciação é constatar a qualidade dos servidores públicos considerando quer o nível de qualificações técnicas/literárias e/ou científicas e a relação com a qualidade de prestação profissional, o serviço com que a máquina responde ao cidadão – isto é uma orgia sem contrapartidas para quem a paga.
Quem quiser com mais minúcia afinar os resultados pode conjugar exercícios aritméticos com os dados do quadro acima e uma consulta ao Sistema Retributivo da Administração Pública, aqui -- consultando a  Tabela de Carreiras Gerais, de Carreiras Especiais, Tabela de Regimes, Carreiras e Categorias e a Tabela de Habilitações Literárias -- sem esquecer que estivemos sempre, e só, no universo da denominada Administração Directa do Estado e desta, na Central. De fora ficou a Administração Indirecta bem como outros apensos
349 Institutos Públicos, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 3 Entidades Empresariais Regionais, as 5 Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional, as Comunidades Inter-Municipais, Observatórios (dezenas) e outras tantas dezenas de Fundações**.
A reforma, a limpeza na AP ou se faz em consequência “de”(substantivas alterações constitucionais) ou ela própria será a causa “de” (substantivas alterações constitucionais). Pode não ser desta mas já esteve mais longe. Ou será a falta de dinheiro para sustentar essa insaciável máquina que o exigirá ou serão os olhos abertos de quem a paga sem contrapartidas palpáveis, que o exigirão.
Pode até nem ser desta vez, mas que já esteve mais longe de acontecer, já!
*Inclui: Órgãos de Soberania e Independentes, Tribunais e Magistrados. Não inclui: SG Presidência da República, SG Assembleia da República; Gabinetes Ministros da República RAA e RAM
**a propósito de Fundações a curiosidade levou-me a visitar duas – a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a Fundação Mário Soares em busca de confirmar as minhas expectativas. Na primeira fui constatar a transparência e na segunda a minha suspeita: a opacidade, a falta de informação ou, no mínimo, a informação para alguns. Na mouche!
Entra-se no site da FFMS e lá encontramos, a céu aberto, as “contas” – Balanço, Demonstração das Variações Patrimoniais, Demonstração dos Fluxos de Caixa, Anexo ao balanço e à Demonstração das Variações Patrimoniais, Parecer do Conselho Fiscal,…;
na F Mário Soares encontrei de tudo – Estatutos, Órgãos Sociais, Mecenas, Protocolos, … -- excepto as “contas”. Quanto a mim sem qualquer novidade ou motivo para espanto.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Portugal ... zapping!

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Estava a ver o Jornal da Noite da SIC preso a uns excertos de uma reportagem  -- a transmitir no próximo domingo --  sobre a (falta) qualidade da água (uma, caríssima, lástima) que é distribuída às populações deste tão mal frequentado quinhão de península. Chegou uma bateria de publicidade. … zapping.
TVI - passava algo a que já tinha deitado o olho à hora do almoço – o abandono a que estão sujeitos os idosos, o criminoso abandono a que os devotam os seus mais próximos entes familiares. Algo tão ignóbil e abominável que … “nem os cães!”. Factos, uma realidade tão absurda, mas tão absurda! que dou por mim a crer, a desejar que a tantas vezes alegada falta de humanidade e impessoalidade de tratamento hospitalar ou asilar seja um conforto se comparado com o ambiente e as mãos de dejectos humanos que a inevitabilidade biológica fez parentes. … zapping.
RTP1 – … Judite de Sousa, a requisitada de entre a sarna televisiva pública, “entrevista” Sócrates. Não posso jurar porque não controlei. Mas garanto que foi um ápice. Um ápice de não mais de 15 segundos. Tão breve que não retive uma frase, sequer. Já não suporto vê-lo, quanto mais ouvi-lo. … zapping.
… para três quartos de hora de televisão é um massacre.
C Music (TV Nights)