terça-feira, 7 de setembro de 2010

“Mais vale uma justa crise política do que um mau Orçamento

(…) há boas crises políticas” – Miguel Cadilhe
“(…) uma má proposta de OE/2011 merece um chumbo (…) daí passar-se a uma crise política, vai uma enorme distância. De qualquer modo, se ela tiver de acontecer, mais vale uma justa crise política do que um mau orçamento. Apesar de tudo, uma boa crise política impressionará menos mal os observadores externos do que uma má política orçamental.Exactamente. Claro que sim. Nem mais nem menos do que ando para aqui a pregar há tempos.

Norsk

Antes assim que o contrário. Abençoada vitória – a da Noruega.
A pergunta no Sapo é: que mais falta acontecer?
Nada! ou melhor, tudo. Reconhecer que o avião é uma pileca (apesar de andarem sempre nas nuvens), que com a tripulação inteira, piloto e co-piloto, jamais (desde 1966) alcançaram os objectivos a que se propuseram (para disfarçar baixam a fasquia) pelo que arriscar um voo em piloto automático, só nas cabecinhas das abencerragens que se sentam à mesa da direcção daquele prostíbulo (e se assumissem a condição já nem era mau, de todo) que dá pelo nome de FPF. De caminho aproveitem para empacotar o outro mastodonte que, com ares de ser pensante e pose nefelibata, costuma de vez em quando zurrar umas banalidades – o secretário de Estado (desconheço o nome da alimária).

I don’t hear anything

2861
Ouvir o Presidente da República falar da urgência e da necessidade de dizer a verdade aos portugueses também já me põe os cabelos em pé.
Em primeiro lugar a verdade que tem de ser dita, não é dita por ninguém – por nenhuma das outras instituições da República e nem pelo Presidente. O PR não no-la diz. Polvilha o seu caminho político. Diz parte -- o que não é nem de longe nem de perto a verdade. Diz o que lhe convém e, quanto ao resto, escuda-se, esconde-se atrás dos limites constitucionais;
em segundo lugar, isso de verdade, é uma treta retórica na boca de todos eles (com toda a carga pejorativa e discriminatória);
em terceiro lugar porque a verdade se for dita, poucos a irão ouvir ou ouvi-la-ão e de imediato, discordarão já que não está em consonância com o que consta dos seus catecismos. O que quer dizer que o caminho não é, só, por aí;
em quarto lugar porque é cada vez mais evidente que só está em condições de dizer a verdade quem estiver consciente das consequências (vejam o que aconteceu ao Presidente do Bundesbank pese embora certo exagero não disse mentira alguma) ou sentir peso e capacidade de prosseguir. Passar à prática.
A "verdade" é
o soberano (o povo) sair à rua e exigir.
Como fizeram os de Moçambique. Doeu, recearam, resultou (os preços de alguns bens essenciais foram congelados).
Quanto ao que nos diz respeito nem há como ou por que admirar. Já saíram à rua tantas vezes por porcarias que não interessam ao menino Jesus e, outras tantas para ajudar a legitimar algumas das maiores bestialidades que cometeram ao longo da história que mais uma, menos uma talvez nem fosse de mais.
O primeiro-ministro continua garbosamente a exibir -- apesar do relatório da OCDE, Education at a Glance -- a sua imbecilidade. Não admira! os imbecis são mesmo assim. Dizem uma graça: se ninguém ri os demais são broncos portanto, não perceberam e por isso, não acham graça; se riem é porque lhe acharam graça -- jamais se perguntam se, a graça, é o próprio ou a graça em si.
… e vamos assim.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Estamos assim

Fazem uma pequena ideia e andam a gozar-nos

No mesmo dia em que Trichet mantém a taxa de referência e apresenta um outlook, onde ajusta as projecções de crescimento [este ano, no limiar inferior, para o dobro e no limiar superior em mais 1/3; para 2011, alarga a banda (o intervalo) em 200% ou seja, de 0,2% para 0,5% e de 1,2% para 2,3%] da zona euro, aparece a Merrill Lynch a dizer que “a economia dos EUA está tão mal que mais do que um arrefecimento (ou estagnação) é muito provável uma dupla recessão”.
Ora a taxa de referência nesse valor se tinha de manter ou o monetarismo é uma batata! Mantêm, orando para que a inflação se aguente abaixo dos 2%.
O outlook -- se a coisa não tivesse que ver com o meu bolso, seria para rir. Conhecido o desempenho da economia no 1º semestre, leia-se o desempenho da Alemanha e da França, acrescentar-lhe o “efeito de inércia” (análoga à térmica ou à dinâmica, escolham!) e apresentar aquelas projecções para o presente ano, vá que não vá. Pode ser que sim. Mas apresentar um intervalo daqueles para 2011 onde cabe -- a cumprirem-se -- uma provável situação de estagnação (na melhor das hipóteses), de eventual retracção (na pior) e, no limite superior, de pujança (início de crescimento sustentado) - se consideradas em termos homólogos - é brincar connosco.
Em 2011, 0,5% (em termos homólogos) significaria retracção - se o crescimento para o presente ano ficar por volta de 1%; significaria estagnação - se o crescimento ficar este ano abaixo de 0,9% e 2,3% significariam pujança – significaria que a “força de tracção” de alguns membros estaria a ser superior ao dobro, para aí o triplo, do corrente ano por maneira a compensar o anémico crescimento de alguns outros – Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia, ...
Acontece que perdidos entre uma e a outra notícia ficou de lado o aviso do FMIthe global economic crisis has eroded the government coffers of advanced economies and countries will need to return debt levels to a sustainable path to manage fiscal risks, foster long-term growth, and create jobs in the coming years.”.
Sim, aqui bate o ponto. Há duas décadas já estaríamos a ouvir um clamor – monetaristas! era uma designação polida, civilizada, académica, utilizada pela esquerda para descriminar os que pela cartilha deles não liam. Agora a “ofensa” faz-se com (neo)liberal. Mas está a perder força!