quarta-feira, 7 de março de 2018

Da chafurda


Dei aulas no Instituto Superior Técnico sem ser licenciado.
O professor Diamantino Durão – catedrático no departamento de Engenharia Mecânica, regente de várias cadeiras do ramo de Termodinâmica Aplicada, presidente do Conselho Directivo – convidou-me quando acabei o 4º ano [tinha sido aluno dele (teóricas) nas cadeiras de Transmissão de Calor e Massa]. Durante dois ou três meses assegurei as aulas – as práticas e as teóricas – de  Transmissão de Calor e Massa I(…) Nunca me explicou o motivo de o convite não ter sido precedido de um rigoroso concurso público mas admito que, o facto de ser o melhor aluno do curso de Mecânica com 19 valores, possa ter tido alguma influência; suspeito que possa não ter sido por motivações políticas [ingressei no PSD trinta e dois anos depois]. (…)

Felizmente este episódio não chegou aos jornais [não havia redes sociais] e investigadores, notáveis, como o professor doutor Rui Bebiano ou a professora doutora Raquel Varela não tiveram conhecimento; por isso não vieram para a praça pública indignar-se contra a destruição da universidade pública através da decadência da exigência do nível científico inerente  à contratação de professores não doutorados ― exigência que eles próprios garantem com referências científicas sólidas baseadas nos graus académicos que outros como eles lhes atribuíram.
(…)
E o IST não caiu no pântano em que merecia apodrecer por recrutar assistentes e professores convidados não-doutorados, alunos para dar aulas a outros alunos… nem a OE recusou a atribuição do grau profissional de engenheiro aos licenciados que foram meus alunos.
(…)
A academia pode perfeitamente ser colonizada por idiotas e trafulhas, mas deve ser reservada a doutorados. Ou então de esquerda.

Manuel Vilarinho Pires  in  Gremlin Literário, blog

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