domingo, 28 de maio de 2017

Anotações (1)

[nas bordas das páginas] 


Uma das “coisas” com que a História (me) seduz é que (nos) “mostra” mais a ineficácia dos actos do que a vanidade dos propósitos e a vanglória dos protagonistas. É vesga! Em putos dizíamos “dos fracos não reza a história”. Errado! A questão – tão irresolúvel quanto natural – sempre foi/é a mesma, afirmo eu [de forma estritamente empírica]: os “heróis” e os “cobardes” definem de igual maneira os “objectos” e os fins, todavia percepcionam-os de maneira antagónica; possuem prioridades dissemelhantes. Por isso, Calvino ficou inscrito e Castélio, esfumou-se.
*.*
Boris Vian, sardónico ou sarcástico até à medula, apreendeu que “na vida, o essencial é fazerem-se juízos apriorísticos sobre tudo.” — e disso nos deu conta no Prólogo ao seu «A espuma dos dias» — “Com efeito, as massas erram e os indivíduos têm sempre razão”. Bom seria que a maioria dos atrevidos, que por aí andam opinando sobre religiões e matérias correlatas, começassem por entender que as religiões não tiveram origem na exigência de solidariedade social, nem as “igrejas” foram erigidas para coadjuvar o poder secular, nem as “catedrais” foram edificadas para promover o turismo. Se me faço entender! 
*.*
E é assim que um tipo, que se embrenha Paul Ricoeur adentro, fica atolado num charco de interrogações, nutrindo um respeito desusado de parceria com uma enorme sensação de tristeza.