quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O visionário



«Um certo olhar» é o nome de um programa radiofónico da Antena 2 — Luís Caetano [anfitrião apresentador/moderador], Luísa Schmidt, Gabriela Canavilhas [paineleiras anfitriãs] e um convidado [personalidades ilustres, claro]. 
No pretérito dia 19, tratando-se de um «breve olhar sobre a história da internet, a Web Summit, as redes sociais», o ilustríssimo convidado foi José Magalhães. 
É de boa educação, e melhor tom, que seja feita a apresentação do convidado. No caso “um homem das leis, da política, das novas tecnologias…um visionário” (sic). Certo que a cortesia quase sempre franqueia os portões à hipocrisia e faz dos corteses, bajuladores mas, francamente, “visionário” é tudo isso, e um salvo-conduto à mais refinada idiotia. 
No decurso da autodiegética «epopeia» foi-me facultada a excelsa (por desconhecer se escreverá as memórias ou, caso as escreva, se as publica) oportunidade de ficar a saber que foi o “visionário” quem, na década de noventa, foi ter com o António Câmara, co-fundador da Ydreams e [à semelhança do que fez Ulisses quando se fez amarrar ao mastro da embarcação por forma a impedir-se de reagir ao ladino canto das sereias] o desamarrou do mastro da inércia tecnológica; terá sido a sua “visão” que removeu todas as dúvidas, suspeitas enfim, os escolhos que tolhiam a decisão do técnico/professor/empreendedor António Câmara. Em suma: em Portugal, neste domínio, se estamos como estamos, e estamos bem, à visão de José Magalhães, José Pacheco Pereira (uma citação) e a Diogo Vasconcelos (alusão de Luísa Schmidt - nota de rodapé) o devemos.
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O que me vale é que leio, ouço ou vejo cada vez menos estas sumidades —  para os estudiosos vindouros autênticos «hápax legómenon» e, se ainda o faço, é a curiosidade «da criança a observar as formigas num carreiro para ver se há, ou não, alterações de “comportamento”» que me move.
O meu olhar!