sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Indecência e outras coisas tais



Os decentes prescindem de códigos: a boa-conduta corre-lhes nas veias. É por isso que há quem erre de vez em quando e outros há que, por mais condicionamentos que lhes sejam prescritos, não há restrição que os contenha. 
Mas não é daqui que vem mal ao mundo. Pesa mais o meio em que medram. Vai daí não será exagero afiançar que a putrefacção sócio-política apenas se questiona em sociedades subdesenvolvidas. Ora… da mesma forma que os moribundos acumulam remédios, as sociedades enfermas acumulam leis.

Com as devidas precauções enfatizo parte do que Luiz Felipe Pondé escreveu, há tempos
«A ideia de que os idiotas venceram é claraos idiotas nasciam, cresciam, comiam, reproduziam-se, limpavam as beiças às gravatas e morriam mas com a democracia descobriram que são a maioria e o mundo… A democracia é a força do bando erguida à categoria de elegância política. Em democracia há um embrutecimento do homem porque ele se descobre parte dos idiotas ou vítima deles. Quando é parte da maioria nunca precisa se preocupar porque faz uso dessa “quantidade”». 
O erro está em crer que a democracia aperfeiçoa as relações entre os humanos, apura a produção de conhecimento e afina consciência. Sucede que os entes, considerados individualmente ou em moles, há muito que deixaram de ser explicados ou justificados através da psicologia — a sociologia é suficiente.

Os símios não distinguem uma pérola de uma banana. Sabem que as bananas se comem e as pérolas, não. Por certo tenho que 1 – no dealbar da coisa os símios desceram das árvores por curiosidade, carência de espaço vital, comodismo e ambição e 2 - regressar às copas das árvores não regressarão porque i) cada vez haverá menos árvores e ii) cada vez haverá mais símios.

O (meu) consolo é crer que haverá refluxo. Quando, como, em que sentido, para onde? Não sei, mas haverá. Os meus netos que tratem do assunto.