domingo, 21 de agosto de 2016

À língua, sr. Presidente…dê-lhe um nó!



De regresso a casa que ditirambos, que delírios ouvirão da boca do Presidente da República os nossos atletas olímpicos?

Os nossos seleccionados de futebol, na sequência da conquista do Campeonato Europeu, ouviram imensas e exageradas parlendas das quais se destaca que “são/somos o melhor povo do mundo”… Ora, fica comprovado que não somos — nunca o fomos [nem nos tempos mais áureos da nossa história] e jamais seremos [por uma multiplicidade de razões algumas delas básicas]. Portanto, sem se desviar um milímetro das premissas que levaram a despender tamanho exagero — e como foi exagero, foi estúpido — no caso do futebol, terá de receber a “embaixada”, agradecer-lhes [o empenho], e prescindir de mais frivolidades.

Se a “medida” para a histeria é a conquista, o êxito, não vejo o que tagarelar em caso de rotundo fracasso. Não é certamente dizer-lhes que nos pespegaram a decepção ou a vergonha na cara: em primeiro lugar porque não é verdade e em segundo lugar porque, se fosse o caso, havia de enfatizar-se o esforço dos atletas que, em princípio, são vítimas [da trampa de sociedade em que praticam desporto com veleidades] e não réus.

Mas se assim sucedesse, se ainda assim ao PR sobejasse jactância para vocalizar algo, não me espantaria. Afinal, há cerca de vinte anos, um outro insigne concidadão, geminado, no exercício das mais altas funções do Estado fez questão em andar uma década a pregar e instigar a auto-estima lusitana [sabendo melhor do que ninguém a parasitagem, os predadores e a canalha que o rodeava no partido… E muitos levou para o governo!] e ao primeiro abanão, veio com a maior cara-de pau dizer que isto era um pântano e como tal, bazava.