terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Como não fechar a janela?!



Ando muito distraído. Ou desapegado. 
Foi da “visita” ao blog «Quarta República», lendo um post do dr. J.M.Ferreira de Almeida — Escândalo? Que escândalo? —, que soube que Pacheco Pereira apoia Marisa Matias. Ou para lá caminha. Tal como J.M.Ferreira de Almeida também eu me questiono — Escândalo porquê?

Em primeiro lugar pretendo reafirmar que Pacheco Pereira sempre me provoca a “lembrança” dos contínuos recados que Ovídio enviava para Roma, lá do exílio em Constança, sempre “martirizando-se” com as vidas dos romanos e, sempre, rogando a melhor compreensão do imperador para a sua condição.

José Pacheco Pereira é [responsabilidade a que é alheio] presumidamente um “aristocrata” [diz não o reconhecer, mas continua a dar-lhe imenso jeito] que “ideologicamente” e no final das contas andou de escantilhão da extrema-esquerda para o centro e agora, por culpa do mundo com excepção de si próprio, passa [fiel às suas mais profundas e íntimas pulsões] do “centro” à “extrema-qualquer-coisa” [desde que sugira rebeldia pois tem sido essa suposta aversão racional ao «mainstream» que, afinal, lhe garante de há sete anos para cá as avenças que pelos vistos, os intendentes do dr. Balsemão, entendem conveniente e justificado pagar-lhe].
Antes desta “fase” Pacheco Pereira foi um eficiente prosélito cavaquista – tão convicto que mal se apanhou supondo que mandava qualquer coisa, daquele fervilhante cérebro logo eclodiu a peregrina ideia de condicionar os movimentos dos da comunicação social pelos corredores da AR — sim, mas à vez e se autorizados. Mas disto toda a gente se esqueceu. Ou faz por não lembrar [antes que me esqueça: é claro que durante estes anos foi o Estado a providenciar-lhe a “paparoca”]. 
Pelo meio, o que faz a criatura pela alta cultura desta nação? 
Frui [com todo o direito, convenhamos] de uma biblioteca [importante] em parte legada e outra parte por si aumentada e actualizada, quer dizer não é nem mais nem menos do que um “bibliófilo” [bom proveito lhe faça]; tem uma tara pela recolecta de papelada [há quem coleccione isqueiros, outros caricas, selos e até há quem recolha lixo enfim, antes isso que dar cabeçadas em paredes e muros] e é um obstinado quanto à realização da obra-prima da sua vida [coisa que ele supõe o alcandorará ao panteão dos inesquecíveis como Ian Kershaw, que escreveu a mais reconhecida biografia de Adolf Hitler ou Sir Martin Gilbert, que escreveu a mais reconhecida biografia de Winston Churchill ou mesmo do “colega” Edward Gibbon, que escreveu a monumental e mais reconhecida História do Império Romano] – a biografia do «Barreirinhas». 
(Juro que desconheço se fez filhos e se plantou, pelo menos, uma árvore). 
Há porém um erro de avaliação, crasso: para todos os efeitos [acho desnecessária a justificação] comparar qualquer dos biografados, citados, com o Barreirinhas Cunhal – a mais estimada “trilobite” [fóssil] de Pacheco Pereira – é o mesmo que, em termos absolutos, comparar a “obra” do abade da minha paróquia ao cardeal Joseph Ratzinger [isto se o abade em causa não fôr o abade de Baçal, por exemplo]. Por fim:
— Qual é para a comunidade o «valor acrescentado» quer das munificentes darandinas pachequianas quer dos pereiricos pigarreios televisivos, semanais? Nenhum. 
— O que vale o apoio de Pacheco Pereira? O voto dele, creio. E a lisonja ou os aplausos que, nestas coisas, estão garantidos aos idiotas úteis.

Contas feitas e memórias invocadas, Pacheco Pereira a única vez [na sua vida] em que se propôs ser [Presidente da Comissão Política Distrital do PSD/ Lisboa] o que queria ser [contando para isso com o “peso e importância” da sua pessoa] foi a votos, e perdeu.
Todas as outras chegou aonde chegou [deputado municipal, da república e europeu] não pelo apreço à sua pessoa ou reconhecimento pela sua “valia”, mas por imposição das regras consignadas. Ou seja ninguém votou no PSD por causa dele; votaram nele por causa do PSD. 
O José Pacheco é mais um dos que só não relincha por modéstia. Dá um uso frenético à facúndia sem que disso a sociedade extraia a mais pequena vantagem. 

Não o criaram?! Pois agora aturem-no.

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