sexta-feira, 1 de maio de 2015

Realmente



Realmente não há como as épocas eleitorais para que seja feita a necessária pedagogia político-social. Não há melhor ocasião para que nós outros ouçamos atentamente das fontes primárias sem distorções intercalares e ruído secundário as imaculadas ideias que, na maioria dos casos, por lá andavam –, frenéticas porém oprimidas – a fazer-lhes cócegas ao córtex e a entreter-lhes os respectivos neurónios e axónios.
Fulanizando, até digo mais
– neste sentido António Costa assim que lhe desligaram o ventilador e saíu do recobro a que, voluntariamente, se submeteu por forma a  justificar meses a fio de um cautelar silêncio tem sido uma caixinha de surpresas. Os jornais registam que, ontem, terá afirmado que «a única forma de tornar sustentável a Segurança Social é criando mais empregos».
Prescindo da apreciação à originalidade da sentenciosa proclamação assim como prescindo de acrescentar o que seja à malévola e funesta opção ideológica do actual governo em pouco ou nada fazer para os criar – empregos. Do que não prescindo é de com o melhor dos propósitos apontar-lhe i) a omissão, ínsita ou ii) erro, inadvertido ou iii) devaneio, entusiástico enfim, na ciência económica, miudezas

— «criando mais empregos», sim. E que os empregadores paguem, também. —

Por que são essas miudezas importantes? por que são ainda mais importantes quando as soluções propostas ou resoluções despontam no viveiro socialista?
Pelo seguinte a título de exemplo [além da tralha que entretanto a higiene mental cuidou e que, agora, não vem ao caso]
— Quando Vieira da Silva, ministro e colega de António Costa no governo de Guterres e ministro e colega de António Costa no 1º governo de Sócrates, “tratou” da reforma da SS, ou seja da sustentabilidade, anotei que Vieira da Silva era um farsolas [está editado com a fórmula, destaque da variável (traiçoeira) assim como do comportamento (estimado)] e divaguei «o governo reforma adiando os problemas. Não os resolve. Chegará o dia, num qualquer Fevereiro de 30 dias, em que o PIB cresça consecutivamente acima dos 4% . Então, não haverá pedreiro, carpinteiro, mecânico, técnico de frio, informático, chefe de cozinha, empregado de mesa, camareira, cicerone, intérprete que fique em casa sem nada p´ra fazer. Desde que contribua, tudo bem»
Ora se então assim foi, pois agora é 1 – para justificar o “estouro” acima preconizado “de forma mais precisa e justa a evolução demográfica, nomeadamente o efeito produzido pela recente quebra brutal da natalidade” e 2 – sobre o lastro da proposta económica socialista 2016 e seguintes o deputado João Galamba explica “no contexto da aplicação da estratégia global presente no relatório e do seu efeito combinado (…) é uma simulação que tem em conta os impactos cruzados das várias medidas», leia-se, exercício dinâmico – ao invés do proposto pelo PSD e CDS/PP que «decorre de um exercício estático».

São realmente uns endrominadores.

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