Realmente não há como as épocas
eleitorais para que seja feita a necessária pedagogia político-social. Não há melhor
ocasião para que nós outros ouçamos atentamente das fontes primárias sem
distorções intercalares e ruído secundário as imaculadas ideias que, na maioria
dos casos, por lá andavam –, frenéticas porém oprimidas – a fazer-lhes cócegas
ao córtex e a entreter-lhes os respectivos neurónios e axónios.
Fulanizando, até digo mais
– neste sentido António Costa
assim que lhe desligaram o ventilador e saíu do recobro a que, voluntariamente,
se submeteu por forma a justificar meses
a fio de um cautelar silêncio tem sido uma caixinha de surpresas. Os jornais
registam que, ontem, terá afirmado que «a única forma de tornar sustentável a
Segurança Social é criando mais empregos».
Prescindo da apreciação à originalidade
da sentenciosa proclamação assim como prescindo de acrescentar o que seja à
malévola e funesta opção ideológica do actual governo em pouco ou nada fazer
para os criar – empregos. Do que não prescindo é de com o melhor dos propósitos
apontar-lhe i) a omissão, ínsita ou ii) erro, inadvertido ou iii) devaneio, entusiástico enfim, na
ciência económica, miudezas
— «criando mais
empregos», sim. E que os empregadores paguem, também. —
Por que são essas miudezas
importantes? por que são ainda mais importantes quando as soluções propostas ou
resoluções despontam no viveiro socialista?
Pelo seguinte a título de exemplo
[além da tralha que entretanto a higiene mental
cuidou e que, agora, não vem ao caso]
— Quando Vieira da Silva,
ministro e colega de António Costa no governo de Guterres e ministro e colega
de António Costa no 1º governo de Sócrates, “tratou” da reforma da SS, ou seja
da sustentabilidade, anotei que Vieira da Silva era um farsolas [está editado com a fórmula, destaque da variável (traiçoeira)
assim como do comportamento (estimado)] e
divaguei «o
governo reforma adiando os problemas. Não os resolve. Chegará o dia, num
qualquer Fevereiro de 30 dias, em que o PIB cresça consecutivamente acima dos 4% . Então, não haverá
pedreiro, carpinteiro, mecânico, técnico de frio, informático, chefe de
cozinha, empregado de mesa, camareira, cicerone, intérprete que fique em casa
sem nada p´ra fazer. Desde que contribua, tudo bem»
Ora se então assim foi, pois agora
é 1 – para justificar o “estouro” acima preconizado “de forma mais precisa e justa a evolução
demográfica, nomeadamente o efeito produzido pela recente quebra brutal da
natalidade” e 2 – sobre o lastro da proposta económica socialista
2016 e seguintes o deputado João Galamba explica “no contexto da aplicação da estratégia
global presente no relatório e do seu efeito combinado (…) é uma simulação
que tem em conta os impactos cruzados das várias medidas», leia-se, exercício
dinâmico – ao invés do proposto pelo PSD e CDS/PP que «decorre de um exercício estático».
São realmente uns endrominadores.
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