terça-feira, 5 de maio de 2015

Não voamos, mas cavamos


No mês das peregrinações, por excelência, lá andam as televisões cumprindo as liturgias profanas nos aeroportos portugueses. Para lá enviam as imberbes «porta-microfone» que por lá perambulam como se fosse penitência, para trás e para a frente, à cata de passageiros angustiados a quem sugerem –, fazendo e refazendo as perguntinhas da praxe –, a vocalização da indignação. Nada mais interessa senão isso. Não vá alguém, por ter mais que fazer do que ver televisão, perder a noção – tanto mais que a ausência de aviões no ar não passa da metade – de que existe uma luta, sem tréguas, de uma corporação e ainda outra, agora em banho-maria, contra a privatização. Tanto hão-de insistir, tanto hão-de porfiar que… É inadmissível que de isto resulte a diluição das culpas do governo – se não já, em melhor ocasião será.
Há muito, acho, deixou de interessar a quota parte de responsabilidade de cada um. O certo é que nos habituámos a andar em estado de prontidão de enxada ou pá nas mãos. Prontos para cavar. Sempre é pior cair na cova que outros abriram para nós do que tombar em buracos abertos pelo indigenato, bem ao nosso jeitinho. Esquisitices idiossincráticas!

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