No mês das peregrinações, por
excelência, lá andam as televisões cumprindo as liturgias profanas nos
aeroportos portugueses. Para lá enviam as imberbes «porta-microfone» que por lá
perambulam como se fosse penitência, para trás e para a frente, à cata de
passageiros angustiados a quem sugerem –, fazendo e refazendo as perguntinhas
da praxe –, a vocalização da indignação. Nada mais interessa senão isso. Não vá
alguém, por ter mais que fazer do que ver televisão, perder a noção – tanto
mais que a ausência de aviões no ar não passa da metade – de que existe uma
luta, sem tréguas, de uma corporação e ainda outra, agora em banho-maria,
contra a privatização. Tanto hão-de insistir, tanto hão-de porfiar que… É
inadmissível que de isto resulte a diluição das culpas do governo – se
não já, em melhor ocasião será.
Há muito, acho, deixou de interessar a quota
parte de responsabilidade de cada um. O certo é que nos habituámos a andar em
estado de prontidão de enxada ou pá nas mãos. Prontos para cavar. Sempre é pior
cair na cova que outros abriram para nós do que tombar em buracos abertos pelo
indigenato, bem ao nosso jeitinho. Esquisitices idiossincráticas!
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