Na universidade ensinaram-me que
um sapo transformar-se num príncipe, é um facto.1
É
preciso uma considerável dose de inconsciência para alguém se entregar sem
reservas a qualquer coisa. O entusiasta é, invariavelmente, um ingénuo. Os
crentes, os apaixonados, os discípulos, só percebem uma das faces dos seus
deuses, das suas potestades, dos seus mestres. Ora investigue as suas
admirações, perscrute os beneficiários do seu “culto” e mais dos que se aproveitam
da sua dedicação e verá que sob os mais desinteressados pensamentos deles, existe
sempre narcisismo, o aguilhão da glória, sede de “domínio” e de poder.
Quem
percebe os aspectos de alguém ou algo fica indeciso o torpor e a repulsa — amiúde
arrependido de enlevos e encantos. Basta um momento de atenção para que a “embriaguez” seja
abalada, outro para constatar que tanto ardor só produz uma variedade de
“catarro” e ainda outro para excogitar que no fundo de um suspiro, se esconde sempre
uma careta.
A
vigília altera o sabor dos arroubos.
Entre a babugem e a peralvilhice, que no meio de toda esta badalhoquice
impera, não há alento ou razão para perscrutar algo que mereça loas. Umas
quantas eminências pardas do “pensamento” luso mas que realmente não passam de
reles adelos culturais, arquétipos da flatulência, supinos intérpretes desta original
maneira de existir, dizem que é necessária uma Nova República, leia-se esta democracia regenerada — por causa da “degradação
dos partidos”, “descredibilização dos políticos e política”, para contrariar o “alheamento
dos cidadãos”, pela exigência de uma incontornável “mudança de paradigma” e outras
vacuidades que tais.
Há
um tabelião em cada “santo”, um porteiro em cada mártir e um vendedor em todo o
herói. Foram quarenta e oito anos
de verminação e quarenta e um de rataria — entre vermes e ratos que venha
o diabo, que escolha e os
leve.
“Sacrifícios”, “orações”, chorumelas, arengas,… esterilizadas dos fluidos e dos germes do “bordel”, não existem. Uma Nova República, leia-se, esta democracia regenerada com quem? com esta gente?! Quem está limpo evita falar, diz o que lhe parece de uma vez, evita aparecer, enfim, não se vêm enfiar na choldra 2.
“Sacrifícios”, “orações”, chorumelas, arengas,… esterilizadas dos fluidos e dos germes do “bordel”, não existem. Uma Nova República, leia-se, esta democracia regenerada com quem? com esta gente?! Quem está limpo evita falar, diz o que lhe parece de uma vez, evita aparecer, enfim, não se vêm enfiar na choldra 2.
Há
devoção sem elisão ou eclipse da inteligência?
Sem que o encanto e imbecilidade se
traiam, não há sentimentos puros.
Escolha.
No ensino básico, ensinaram-me que
só nos contos de fadas é que um sapo se
transforma num príncipe.1
1. Ron Carlson, novelista americano
2. é, no fundo, a razão para a recusa de António Guterres. Entre
a irrelevância da mais alta magistratura doméstica (PR), plausível, e a menos
plausível utilidade do presente comissariado ou o hipotético secretariado-geral
da ONU, não teve dúvidas.
só um errozinho mito pequenino: é perscrutar!!!
ResponderEliminar"...não há alento ou razão para prescrutar..."
Por vezes não é fácil "dobrar a língua". Tinha «prescrutado» duas vezes.
ResponderEliminarAgradecido, sr(a). Anónimo