A vigarice* disseminada, por aí - a rogo da comunicação
social e logo mimetizada [por achar que não é
inteligente exigir, a papagaios, que sejam inteligentes] nas “redes do
brado” - por perpretadores [de Jorge Coelho e Manuela Ferreira Leite
a José Pacheco Pereira] sobre uma alegada opacidade (não afirmo que inexista, peremptoriamente, pois não me consta
que as “contratualizações”, homologadas, sejam do domínio público) nas
privatizações [enquanto premissa – erística, claro -, sobre a próxima e
aparentemente desdenhada, privatização da TAP];
as enjoativas tretas proferidas, pela enésima vez, pela sra. D. Maria José Morgado, no transacto «A Propósito» da SicN e umas, poucas, efabulações da investigadora do IMM, Maria Manuel Mota, no «Expresso da ½ noite» de 19.12, instigaram-me a reler uma [das] cartas de um “perigosíssimo fassista”, liberal [que, como poucos, conhecia a joça de que são feitos canhotos e ambidestros, o que pretendiam e ao que vinham] para o amigo, e camarada, Artur Portela Filho
as enjoativas tretas proferidas, pela enésima vez, pela sra. D. Maria José Morgado, no transacto «A Propósito» da SicN e umas, poucas, efabulações da investigadora do IMM, Maria Manuel Mota, no «Expresso da ½ noite» de 19.12, instigaram-me a reler uma [das] cartas de um “perigosíssimo fassista”, liberal [que, como poucos, conhecia a joça de que são feitos canhotos e ambidestros, o que pretendiam e ao que vinham] para o amigo, e camarada, Artur Portela Filho
«[…] juro não ter a mínima intenção de competir com outro cadáver, cuja realização ocupa afanosamente tantos patriotas e que, segundo a geografia, tem cerca de 90 mil Km2 e ainda dá pelo nome Portugal (a não ser que, como sucedeu a Lourenço Marques, e para se apagar um passado, decidam mudar-lhe o nome que eu adequadamente, e para fazer pendant com Maputo, proporia que passasse a ser Bonaputa, em homenagem a tantos dos seus mais vorazes filhos). […] Todos sabemos que, para que se corrijam os males, ante um povo a que nunca disseram que a liberdade é cara, e o socialismo ainda mais. […] O mal está em que, as chamadas «esquerdas» desde sempre não têm feito por falar a verdade mas, ao contrário, «por vender o seu peixe», sem escrúpulo e sem rebuço. […] O país atravessa horas difíceis, em que parece que os partidos desesperadamente apenas desejam sobreviver-se uns aos outros, à custa uns dos outros, e necessariamente, ainda que não digam nem confessem, à custa do povo português. […] ninguém insiste em esclarecer o povo, efectivamente, acerca do que a democracia seja. Todos o que no fundo querem é desacreditar o vizinho, mesmo que isso seja feito à custa da ignorância de um povo inteiro, ou grande parte dele […] Escândalo público é o erro que se não critica, o desmando que se não liquida, a tripa-forra que faz a gente pensar que a maior parte de algumas pessoas o que queriam era almoçar e jantar no Grémio Literário e nos restaurantes do faduncho de luxo, e dormir com as putas […] Foi com estas e com outras que a 1ª República cavou a sua sepultura.[…]»
Santa Bárbara, Califórnia, 12. 04.78
Jorge de Sena in Rever Portugal / Textos Políticos e Afins, págs. 357 e segs.
De umas aleivosias, por aí,
commumente promanadas [e que têm por objectivo colar
um determinado discurso, reaccionário – sim, mas, na maioria dos casos,
respeitante à recusa ou abjuração da nossa pastosa porém prevalente, “circunstância”
-, a pessoas
que proferem opiniões pouco consentâneas com o desejado pelo mainstream ou desconforme à
intencionalidade de um determinado innuendo],
fazem parte a denúncia do negativismo, maledicência, catastrofismo
e outras merdices semelhantes em género e tipo.
Merdices que caso não sejam
proferidas ou escritas por quem é olhado e venerado como prócere são para verberar mas, dando-se o caso de o terem sido então, são para silenciar, desconhecer, assobiar para o lado ou
no limite, catalogá-las, datá-las – contextualizá-las (como
se haja “coisa” que não careça de contextualização) - etc.
«Descontentes com o presente, mortos como existência nacional imediata, nós começámos a sonhar simultaneamente com o futuro e o passado.[…] Pombal pensou libertar-nos por um europeísmo à Pedro da Rússia, que não convenceu os nossos boiardos locais, analfabetos, glutões e preguiçosos[…] Para fugir a essa imagem reles de si mesmo («choldra», «piolheira») Portugal descobre África, cobre a sua nudez caseira com uma nova pele […]» – págs. 27 a 30
«Em vez do encarecimento do tirano omnisciente, reina a bajulação avulsa dos caciques que entre si jogam aos dados nas costas do povo português os poderes e as benesses de que se instituíram herdeiros.(…) um povo educado, em suma, no hábito de uma vida pícara que durou séculos e que uma aristocracia indolente e ignara pôde entreter à custa de Brasis e Áfricas» - págs.52 e segs.
«Citar um autor nacional, um contemporâneo, um amigo ou inimigo, porque nele se aprendeu ou nos revimos com entusiasmo, é, entre nós, uma excentricidade como um capote alentejano.[…] Os portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo.[…] Portugal ora é assumido positivamente pelo herói, ora mergulha em delírios e sonhos absurdos, transformando-se na pátria do milagre» – págs.94 e segs.
«Não trabalhar foi sempre, em Portugal, sinal de nobreza e quando, como na Europa protestante, o trabalho se converte por sua vez em sinal de eleição, nós descobrimos colectivamente a maneira de refinar uma herança ancestral transferindo essa penosa obrigação.(…) Em princípio, todo o português que sabe ler e escrever se acha apto para tudo, e o que é mais espantoso é que ninguém se espante com isso.»- págs. 130 e segs.
Ora quem assim professava [contextualizando: em 78 o governo era socialista - ou a
predominância era essa - e o primeiro (dos ministros) era o camarada M. Soares] foi outro proeminente, e
perpetuamente venerado, pensador de direita ou seja reaccionário, negativista,
catastrofista, língua viperina, desesperançado, …de sua graça Eduardo
Lourenço in
O Labirinto da Saudade, tolinhos.
o que já me ri com as citações (que não conhecia) do Sena. E aquela sugestão de Bonaputa também é dele? Fartei-me de rir. Quanto ao E.Lourenço, sempre que o vejo é como se estivesse a ver o Salazar (fisionomicamente, claro - e pela pronúncia).
ResponderEliminarInfelizmente não consegui ler até ao fim o Labirintos da Saudade, um dos 3 livros dele que aqui tenho a enfeitar as prateleiras.
É dele, sim, Francisco. Transcrevi.
ResponderEliminarclaro que os vorazes filhos a que se refere são o Machel, o Jorge Jardim e suspeito, o escroque - o "camarada" Almeida Santos.
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