Quem
amiúde passa os olhos pelo que escrevo reparou que, paulatinamente, fui deixando
de abordar assuntos de natureza económico-financeira. Sucede que ao longo do
tempo fui sedimentando a ideia que a essência do problema de Portugal não é
económico. Tem outras naturezas e nenhuma é desse foro.
«(…) Portugal
é
um “doente da história”»
Ontem, foi-nos dado a saber que a Irlanda [o PIB irlandês contraíu 0,3% em 2013] reviu em alta
o crescimento para 4,5% ou seja, a Irlanda este ano crescerá 4,5 vezes mais do
que Portugal; que os
crescimentos homólogos do PIB e do PNB [exclui o contributo das multinacionais],
no segundo trimestre, foram de 7,7% e de 9%, respectivamente.
O "comportamento" dos índices evidenciam as diferenças quantificáveis.
Não evidenciam as não quantificáveis que são as que justificam e
explicam por que é que na Irlanda,
os assuntos ingentes com que se entretém a sociedade, não são as “vantagens” da
reestruturação da dívida pública, a mutualização da dívida, as "virtudes" da
saída “controlada” do Euro, etc…
O
major Tristão Barroso [personagem de José Rodrigues Miguéis], criatura nada
propensa ao cientismo, “manuseamento” de dados, igualmente a salamaleques ou a
excogitações líricas, depreendeu que «(…)
Portugal é um “doente da
história”. Portugal é um
sistema em desequilíbrio crónico irremediável. Não se lhe pode mexer sem
estragar tudo (…) nós, portugueses, sentimos, pensamos, falamos e agimos
como vítimas da história; como se uma força oculta e contrária nos houvesse
roubado o futuro prometido, esse múltiplo himeneu de glória, poder, virtude e
prosperidade.»
É,
sem nada tirar e pouco acrescentar, o que penso.
Quase mil anos de história são um lastro brutal para tanto iletrado, história bem e mal contada, verdadeira e quimérica, história daquilo que supostamente fomos e história da expectativa daquilo que deveríamos vir a ser.
ResponderEliminarCom tal herança às costas, ou teríamos de ser mais informados e cultos ou, em boa alternativa, completamente abrutalhados. É que neste meio-termo de gente mediana (leia-se medíocre) deixamo-nos pear pelo peso dessa ganga que nos sussurra a cada passo: - não te esmeres, não vale a pena, pois nunca serás capaz de fazer como o Gama ou o Albuquerque. E nós não nos esmeramos.