Num
desses inquéritos que os jornais fazem para tomar o pulso à “opinião pública” perpassando
a ideia de que os interesses da gajada vêm e estão acima de todas as coisas é
expressiva a insatisfação e, adivinha-se, a indignação.
O
inquérito e tudo o que a propósito seja sugerido trouxe-me à memória
1
- o manifestado por Luis XIV «De cada vez que dou
destino a um lugar vago, gero cem descontentes e um ingrato», em
termos gerais e 2 - uma outra estória, deliciosa, sobre a essência do indignado indigenato
Salazar
tinha “caído da cadeira”; os oposicionistas procuram aproveitar-se desse vazio,
eventual. No aeroporto de Roma, em trânsito para a feira do livro de Frankfurt,
Alçada Baptista, encontra-se com um reputado homem de letras, informadíssimo,
anti-fassista incompassivo, que confessa o seu desalento e indignação
- Oh! António. Não há
nada a fazer deste país. Vou eu a correr convencido que ia ajudar à revolução e
nada. Fui ter com um que me disse
que não podia comprometer-se porque tinha
um pedido no Fundo de Turismo; outro,
porque tinha a mulher doente e Fulano de tal disse-me que agora não
porque «andava a comer uma viúva»
A indignação vem a
seguir. Talvez.

Ora aí estará uma razão atendível impeditiva de participação numa revolução. É tudo uma questão de prioridades. :D
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