sábado, 27 de setembro de 2014

«Ando a comer uma viúva»

Num desses inquéritos que os jornais fazem para tomar o pulso à “opinião pública” perpassando a ideia de que os interesses da gajada vêm e estão acima de todas as coisas é expressiva a insatisfação e, adivinha-se, a indignação.

O inquérito e tudo o que a propósito seja sugerido trouxe-me à memória
1 - o manifestado por Luis XIV «De cada vez que dou destino a um lugar vago, gero cem descontentes e um ingrato», em termos gerais e 2 - uma outra estória, deliciosa, sobre a essência do indignado indigenato

Salazar tinha “caído da cadeira”; os oposicionistas procuram aproveitar-se desse vazio, eventual. No aeroporto de Roma, em trânsito para a feira do livro de Frankfurt, Alçada Baptista, encontra-se com um reputado homem de letras, informadíssimo, anti-fassista incompassivo, que confessa o seu desalento e indignação

- Oh! António. Não há nada a fazer deste país. Vou eu a correr convencido que ia ajudar à revolução e nada. Fui ter com um que me disse que não podia comprometer-se porque tinha um pedido no Fundo de Turismo; outro, porque tinha a mulher doente e Fulano de tal disse-me que agora não porque «andava a comer uma viúva»

A indignação vem a seguir. Talvez.

1 comentário:

  1. Ora aí estará uma razão atendível impeditiva de participação numa revolução. É tudo uma questão de prioridades. :D

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