Nestes
dias de júbilo e desvelo democrático [tem a sua
graça assistir a uma “festa” em que os folgazões exibem carrancas, dentes e
punhos cerrados, espuma nos cantos dos lábios e apelo à luta] as redes sociais foram encharcadas de citações __ umas, a
maioria, de Marcelo Caetano; outras de Oliveira Salazar.
A
mais papagueada [ou regougada, não
sei] «em
poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras
nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional.
Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suiça, o golpe de
Estado foi o princípio do fim. Resta o sol, o turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa» de Marcelo Caetano.
O(s) disseminador(es) com propósito, óbvio,
“trabalharam-na” em conformidade com os seus escopos.
A citação correcta é
«Sem o Ultramar
em poucas
décadas estamos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade das nações ricas,
pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação
que estava em vésperas de se transformar numa pequena Suiça, a revolução foi o
princípio do fim. Restam-nos o sol, o turismo, a pobreza crónica e as divisas da emigração, mas só
enquanto durarem.
As
matérias-primas vamos agora adquiri-las às potências que delas se apossaram, ao
preço que os lautos vendedores houverem por bem fixar. Tal é o preço por que os
portugueses terão de pagar as suas ilusões de Liberdade!»
num dia de 1978 em que MC, depois de visitar
e proferir uma “palestra” no Liceu Literário Português / Rio de Janeiro, foi visitar
as obras de restauração e modernização no Convento de Sto. António.
Independentemente
de pontos de vista e/ou origem, a isso chamo «elidir a má consciência».

A propósito do "Dizem que Caetano disse", os meus agradecimentos a David Reis Oliveira, pelo seu esclarecedor escrito, ao qual só agora acedi após 'googlar' a frase «Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência».
ResponderEliminarSobre o mesmo não-assunto, reproduzo opinião pessoal, firmada quando um fulano com conta no facebook, em vésperas do 40-do-25A, andou por correio e redes sociais a reproduzir aquela pseudo-conversa.
--«quote»--
Também ainda não localizei a fonte concreta.
Dizem-me que foi durante uma entrevista, no Rio de Janeiro, em 1976.
Alguém sabe quem foi o entrevistador? Em que local e data? E onde está publicado?
É provável que Marcelo Caetano tenha proferido estas "sentenças". No entanto, se de facto disse o que disse, apenas entendo como confissões de um dos primeiros coveiros – se não coveiro propriamente dito, ao menos deu a picareta e a pá –, pois foi ele próprio quem, por sucessivos momentos (11Mar59, 13Abr61, Mar-Set62 e Ago65) andou conluiado com reviralhistas, até chegar ao poder e logo em Jan70 ter iniciado o caminho para o "federalismo", dando assim sustentáculo aos inimigos, externos e internos, do Estado Unitário Português: ou seja, traiu, conscientemente, o juramento feito, em 27Set68, ao Chefe do Estado.
Em Fev71, bem avisou Franco Nogueira: «a perda do Ultramar, implica a absorção de Portugal pela Espanha».
Pior, não foi pela Espanha: foi pela Europa do Norte.
Não tenho, no entanto, quaisquer dúvidas: Caetano soube, com muita antecedência, sobre tudo quanto se estava a passar nos bastidores castrenses, tanto mais por ter sido ele mesmo quem deu corda ao spinolismo, que desaguou no Carmo... onde caiu a Trindade.
Podem continuar a repetir estas palavras de Caetano (curioso que isto começou a circular por email e depois pelas redes sociais, sem que alguém tenha assumido o "lançamento" da coisa), mas tenho para mim como certo que Marcelo José das Neves Alves Caetano bem sabia no que se estava a meter quando deu corda a Spínola e, por extensão, ao MFA!, mas o bluff saiu-lhe caro, muito caro. Demasiado trágico, para a Nação Portuguesa, para milhões de pessoas.
As "conversas" de Caetano no Brasil, com Veríssimo Serrão, e o seu "Depoimento", não podem ser lidas e interpretadas ajuizadamente sem antes (ou depois) haver cuidado em conhecer, detalhadamente, tudo – tudo! – o que fez, na governação e fora dela, nos corredores do poder e nos bastidores do teatro que, desde a birra universitária até 1968, foi paulatinamente fazendo.
Nem tudo que luz é ouro.
Nem tudo quanto "aparece", subitamente (?!), nas redes sociais, servirá para cotejo e compreensão da nossa recente História.
--«unquote»--
Melhores cumprimentos.