24 de janeiro de 2014

A ira dos dendritos

               Andam indignados os “cientistas”, agora. Me parece que os cientistas, esses, nem tanto assim ou se andam, dão a saber a sua indignação a quem de direito por formas menos folclóricas e histéricas [o facto de à cabeça da luta se ter erigido uma “cientista” social, D. Raquel Varela, é suficiente para saber com uma pouco provável e dispicienda margem de erro de onde vêm e o que pretendem].
Há um exemplo de quem lidou bem com um “movimento” de características semelhantes e com o mesmo objectivo e que, na ocasião, mereceu da parte de proeminentes “intelectuais da cançoneta” acorrentarem-se ao gradeamento de uma casa de espectáculos -- refiro-me, claro, ao movimento de “indignados da culturae ofícios afins”, no Porto, face à expedita resolução de Rui Rio. Que o município deixou de sustentar uma dúzia e meia de inúteis “proxenetas culturais”, deixou; que a cultura portuense tenha perdido alguma coisa, não perdeu.

Parto do princípio de que as derradeiras decisões não estejam isentas de erros, máculas de vária índole ou mesmo propósitos mas, depois do que tive oportunidade de verificar, fico sem dúvidas quanto á necessidade de «fazer a poda». «É preciso podar, e estaria talvez na altura de o fazer»
Maria Mota
 
 
Concurso de Projetos Exploratórios de IC&DT - 2013
(em todos os Domínios Científicos)

EXPL/NEU-SCC/1193/2013 -- A sabedoria do faminto: modulação por ghrelina da neurogénese e da sua relação com a memória. Jorge Valero Gómez-Lobo, Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNBC/UC). €49.980
EXPL/ECM-TRA/2416/2013 -- Indicadores de Acessibilidade e Atratividade Pedonal: Ferramenta de avaliação e gestão da caminhabilidade urbana. Filipe Manuel Mercier Vilaça e Moura, Associação do Instituto Superior Técnico para a Investigação e o Desenvolvimento (IST-ID). €44.575
EXPL/ECM-HID/1663/2013 -- Estudo numérico e experimental do escoamento em torno de pilares complexos. João Pedro Gomes Moreira Pêgo, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FE/UP). €48.024
EXPL/EEI-ESS/2542/2013 -- Estudo Exploratório de Falhas em Aplicações Distribuídas na Cloud. Raul André Brajczewski Barbosa, Universidade de Coimbra (UC). €37.858
EXPL/FIS-AST/1608/2013 -- Testes cosmologicos da gravitacao. Nelson Jose Godinho Nunes, Fundação da Faculdade de Ciências (FFC/FC/UL). €35.164
EXPL/MAT-NAN/1761/2013 -- Roteamento e gestão de stocks. Agostinho Miguel Mendes Agra, Universidade de Aveiro (UA). €21.750
EXPL/MAT-STA/0622/2013 -- Desenvolvimento de Extremos no Tempo e no Espaço. Cláudia Margarida Pedrosa Neves, Fundação da Faculdade de Ciências (FFC/FC/UL). €34.500
EXPL/GEO-GEO/0714/2013 -- Modelação da ligação tectónica chave entre a falha da Gloria e o sistema de falhas SWIM ao longo fronteira de placas Eurásia-Nubia (NW Atlantico). Filipe Medeiros Rosas, Universidade de Lisboa (UL). €49.936
EXPL/GEO-GEO/1253/2013 -- Proveniência e potencial económico dos arenitos Triásicos em Portugal. Cristina Maria Pinto Gama de Castro Pereira, Universidade de Évora (UE). €41.040
EXPL/IIM-ECO/0817/2013 -- Concorrência Cambial: Líderes e Guerras. Alexandra Maria do Nascimento Ferreira Lopes, ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). €28.080
EXPL/IIM-ECO/1207/2013 -- Por dentro da crise: (dis)funções e desempenho do mercado de trabalho. Priscila A. M. Ferreira, Universidade do Minho (UM). €14.939
EXPL/IIM-ECO/1615/2013 -- Discriminação de preços com base no comportamento de compra dos consumidores em mercados multiproduto. Rosa Branca da Silva Vilas-Boas Esteves, Universidade do Minho (UM). €14.680
EXPL/IIM-ECO/1787/2013 -- Governância local, selecção de candidatos e agência política. Susana Maria Fernandes Peralta Perelman, Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (FE/UNL). €34.158
EXPL/IVC-SOC/2340/2013 -- Rotinas, reflexividade e mudança no consumo de energia associado ao uso dos media eletrónicos pelos adolescentes em tempo de escassez. Ana Maria do Rosário Rei Silva Horta, Instituto de Ciências Sociais (ICS/UL). €49.726
EXPL/IVC-COM/2191/2013 -- Activismo juvenil em rede: media digitais, movimentos sociais e cultura participativa entre jovens activistas. José Alberto de Vasconcelos Simões, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/UNL). €30.196
(…)

«Nesta área, como em muitas outras em Portugal, construímos um país dual. (…) temos os professores e investigadores que, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, encheram os quadros das universidades e, depois, dos laboratórios associados. Muitas dessas pessoas estão hoje envelhecidas, nunca tiveram uma qualidade por aí além, mas são inamovíveis por muitos e longos anos. Toda a gente que conhece o sistema sabe do que falo e (…) temos as gerações que têm vindo a ser formadas nos últimos anos, (…) centenas de investigadores com mais valor e mais qualificação do que muitos dos que estão instalados, mas que encontram as instituição cheias e sem vagas. Todos os anos, sempre que mais uma coorte de universitários termina a sua formação, o número dos que ficam à porta do sistema aumenta.
O rápido crescimento do sistema de bolsas de doutoramento e, sobretudo, de pós-doutoramento tornou-se assim não apenas numa tradução do investimento em Ciência, mas numa forma de ir mitigando os problemas de emprego de um número crescente de jovens qualificados. Foi uma solução que só podia acabar mal (…)  estava a formar-se uma bolha (…) e mais tarde ou mais cedo o Estado deixaria de conseguir continuar a financiar mais e mais bolsas. Foi isso que aconteceu agora. Criara-se entretanto uma espécie de proletariado feito de uma multidão de bolseiros para quem o Estado parece ser o único empregador possível.(…)
Ao discutirmos apenas o número de bolsas não discutimos o que está na origem das dificuldades. Não discutimos, por exemplo, as razões por que as instituições não se renovam e têm tendência para enquistar, como sucedeu, por exemplo, em alguns dos laboratórios do Estado, outrora centros de excelência e que hoje vegetam por entre lamentos relativos à ausência de quadros com menos de 40 anos. (…) Mas a falta de perspectivas dos nossos bolseiros não é apenas consequência do anquilosamento de muitas instituições universitárias e científicas – é também fruto da debilidade do sector privado. Em Portugal apenas três por cento dos doutorados encontraram emprego na indústria, o que compara com médias europeias que andarão nos 40%, ou americanas e asiáticas nos 60%. Esta realidade não se muda de um dia para o outro e não deriva apenas de os nossos industriais investirem pouco em inovação e desenvolvimento, pois também são muito poucos os que, tendo concluído o seu doutoramento, arriscam criar as suas próprias empresas. Há bons exemplos, mas são raros. Até porque falta espirito empreendedor e sobram as dificuldades criadas pela burocracia e pela regulação. Para além disso continuamos a olhar apenas para o Estado quando há problemas ou falta dinheiro. Mas o Orçamento não dá para tudo. (…) O caminho que está a ser feito pelas instituições que procuram diversificar as suas fontes de financiamento não é por isso apenas necessário e recomendável, tornou-se inevitável.» JMF

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