Andam
indignados os “cientistas”, agora. Me parece que os cientistas, esses, nem
tanto assim ou se andam, dão a saber a sua indignação a quem de direito por
formas menos folclóricas e histéricas [o facto de à
cabeça da luta se ter erigido uma
“cientista” social, D. Raquel Varela, é suficiente para saber com uma pouco
provável e dispicienda margem de erro de onde vêm e o que pretendem].
Há
um exemplo de quem lidou bem com um “movimento” de características semelhantes e
com o mesmo objectivo e que, na ocasião, mereceu da parte de proeminentes “intelectuais
da cançoneta” acorrentarem-se ao gradeamento de uma casa de espectáculos --
refiro-me, claro, ao movimento de “indignados da culturae ofícios afins”, no
Porto, face à expedita resolução de Rui Rio. Que o município deixou de
sustentar uma dúzia e meia de inúteis “proxenetas culturais”, deixou; que a
cultura portuense tenha perdido alguma coisa, não perdeu.
Parto
do princípio de que as derradeiras decisões não estejam isentas de erros,
máculas de vária índole ou mesmo propósitos mas, depois do que tive
oportunidade de verificar, fico sem dúvidas quanto á necessidade de «fazer a
poda». «É preciso
podar, e estaria talvez na altura de o fazer»
Maria Mota
Concurso de Projetos Exploratórios de IC&DT - 2013
(em
todos os Domínios Científicos)
EXPL/NEU-SCC/1193/2013 -- A sabedoria do faminto: modulação por ghrelina da
neurogénese e da sua relação com a memória. Jorge Valero Gómez-Lobo, Centro
de Neurociências e Biologia Celular (CNBC/UC). €49.980
EXPL/ECM-TRA/2416/2013 -- Indicadores de Acessibilidade e Atratividade Pedonal:
Ferramenta de avaliação e gestão da caminhabilidade urbana. Filipe Manuel
Mercier Vilaça e Moura, Associação do Instituto Superior Técnico para a
Investigação e o Desenvolvimento (IST-ID). €44.575
EXPL/ECM-HID/1663/2013 -- Estudo numérico e
experimental do escoamento em torno de pilares complexos. João Pedro Gomes
Moreira Pêgo, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FE/UP). €48.024
EXPL/EEI-ESS/2542/2013 -- Estudo Exploratório de Falhas em Aplicações Distribuídas
na Cloud. Raul André Brajczewski Barbosa, Universidade de Coimbra
(UC). €37.858
EXPL/FIS-AST/1608/2013 -- Testes cosmologicos da gravitacao. Nelson Jose
Godinho Nunes, Fundação da Faculdade de Ciências (FFC/FC/UL). €35.164
EXPL/MAT-NAN/1761/2013 -- Roteamento e gestão de stocks. Agostinho
Miguel Mendes Agra, Universidade de Aveiro (UA). €21.750
EXPL/MAT-STA/0622/2013 -- Desenvolvimento de Extremos no Tempo e no Espaço.
Cláudia Margarida Pedrosa Neves, Fundação da Faculdade de Ciências (FFC/FC/UL).
€34.500
EXPL/GEO-GEO/0714/2013 -- Modelação da ligação tectónica chave entre a falha da
Gloria e o sistema de falhas SWIM ao longo fronteira de placas Eurásia-Nubia
(NW Atlantico). Filipe Medeiros Rosas, Universidade de Lisboa (UL). €49.936
EXPL/GEO-GEO/1253/2013 -- Proveniência e potencial económico dos arenitos Triásicos
em Portugal. Cristina Maria Pinto Gama de Castro Pereira,
Universidade de Évora (UE). €41.040
EXPL/IIM-ECO/0817/2013 -- Concorrência Cambial: Líderes e Guerras.
Alexandra Maria do Nascimento Ferreira Lopes, ISCTE - Instituto Universitário
de Lisboa (ISCTE-IUL). €28.080
EXPL/IIM-ECO/1207/2013 -- Por dentro da crise: (dis)funções e desempenho do
mercado de trabalho. Priscila A. M. Ferreira, Universidade do Minho
(UM). €14.939
EXPL/IIM-ECO/1615/2013 -- Discriminação de preços com base no comportamento de
compra dos consumidores em mercados multiproduto. Rosa Branca da
Silva Vilas-Boas Esteves, Universidade do Minho (UM). €14.680
EXPL/IIM-ECO/1787/2013 -- Governância local, selecção de candidatos e agência política. Susana Maria Fernandes Peralta Perelman, Faculdade de
Economia da Universidade Nova de Lisboa (FE/UNL). €34.158
EXPL/IVC-SOC/2340/2013 -- Rotinas, reflexividade e mudança no consumo de energia
associado ao uso dos media eletrónicos pelos adolescentes em tempo de escassez.
Ana Maria do Rosário Rei Silva Horta, Instituto de Ciências Sociais (ICS/UL). €49.726
EXPL/IVC-COM/2191/2013 -- Activismo juvenil em rede: media digitais, movimentos
sociais e cultura participativa entre jovens activistas. José
Alberto de Vasconcelos Simões, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
(FCSH/UNL). €30.196
(…)
«Nesta área, como
em muitas outras em Portugal, construímos um país dual. (…) temos os
professores e investigadores que, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, encheram
os quadros das universidades e, depois, dos laboratórios associados. Muitas
dessas pessoas estão hoje envelhecidas, nunca tiveram uma qualidade por aí
além, mas são inamovíveis por muitos e longos anos. Toda a gente que conhece o
sistema sabe do que falo e (…) temos as gerações que têm vindo a ser formadas nos
últimos anos, (…) centenas de investigadores com mais valor e mais
qualificação do que muitos dos que estão instalados, mas que encontram as
instituição cheias e sem vagas. Todos os anos, sempre que mais uma coorte de
universitários termina a sua formação, o número dos que ficam à porta do
sistema aumenta.
O rápido
crescimento do sistema de bolsas de doutoramento e, sobretudo, de
pós-doutoramento tornou-se assim não apenas numa tradução do investimento em
Ciência, mas numa forma de ir mitigando os problemas de emprego de um número
crescente de jovens qualificados. Foi uma solução que só podia acabar mal (…) estava a
formar-se uma bolha (…) e mais tarde ou mais cedo o Estado deixaria de conseguir
continuar a financiar mais e mais bolsas. Foi isso que aconteceu agora.
Criara-se entretanto uma espécie de proletariado feito de uma multidão de
bolseiros para quem o Estado parece ser o único empregador possível.(…)
Ao discutirmos apenas o
número de bolsas não discutimos o que está na origem das dificuldades. Não
discutimos, por exemplo, as razões por que as instituições não se renovam e têm
tendência para enquistar, como sucedeu, por exemplo, em alguns dos laboratórios
do Estado, outrora centros de excelência e que hoje vegetam por entre lamentos
relativos à ausência de quadros com menos de 40 anos. (…) Mas a falta de perspectivas dos nossos
bolseiros não é apenas consequência do anquilosamento de muitas instituições
universitárias e científicas – é também fruto da debilidade do sector privado.
Em Portugal apenas três por cento dos doutorados encontraram emprego na
indústria, o que compara com médias europeias que andarão nos 40%, ou
americanas e asiáticas nos 60%. Esta realidade não se muda de um dia para o
outro e não deriva apenas de os nossos industriais investirem pouco em inovação
e desenvolvimento, pois também são muito poucos os que, tendo concluído o seu
doutoramento, arriscam criar as suas próprias empresas. Há bons exemplos, mas
são raros. Até porque falta espirito empreendedor e sobram as dificuldades
criadas pela burocracia e pela regulação. Para além disso continuamos a olhar
apenas para o Estado quando há problemas ou falta dinheiro. Mas o Orçamento não
dá para tudo. (…) O caminho que está a ser feito pelas instituições que
procuram diversificar as suas fontes de financiamento não é por isso apenas
necessário e recomendável, tornou-se inevitável.» JMF
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