[E ainda bem que o são. Dissuadem-me da leitura.]
porque
emigrar é tão natural como natural é o homem, quando não se sente bem e caso
possa, levantar o rabinho do catre e
procurar outros pastos;
é
tão natural quanto natural é o homem possuir um módico de ambição;
é
tão natural quanto natural seria [que pelos vistos
não é, de facto], atingida a maioridade, perceber que o sonho, aliás
como todo o resto, é -- bom, assim-assim ou pesadelo – efémero. Assim sendo o
que se deve desejar é que o “curso” da quimera seja ínfima, e de natureza mais
evanescente, perto da efemeridade do sonhador;…
O
que não é natural é não querer perceber que, sendo o sonho tão natural, o que
mais há é quem sonhe -- de olhos abertos. E imensos mais são os que sonham de
olhos fechados crendo, piamente, que os têm abertos.
E
também não é natural não querer entender que de olhos abertos, há muito quem (vos)
revele sonhos almejando que os demais, sonhando e andando com os pés nas núvens,
lhes garanta poderem continuar a cevar-se, medrando, e trazendo(-vos) as núvens
para o chão.
O
que não é natural [será?!] é que tantos sonhos
sonhados e outros, muitos mais, em frangalhos, desfeitos sem honra nem glória,
ainda haja quem não perceba que para se sonhar é preciso ser corajoso. E
arriscar o ónus da desfeita, da derrota, … arriscar a mais profunda decepção – acordar
e concluir que sonhou.
Na
medida em que raramente o são, competentes, ao deixarem-se embalar que ao menos fossem, competentes, no despertar.
Entre
o que é e não é natural existe uma constante que como é evidente, apenas serve
quem a concretiza: ou por confluência de circunstâncias, favoráveis, ou por “ciência”. O resto são abstracções,
virtualidades,…
Ou pior: puro cretinismo.
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