2 de dezembro de 2013

O anúncio


Na “visita” a um blog de gente com patente sensibilidade social deparo com um post em que a blogger, Teresa Ribeiro, «impressionada», encastoa um anúncio [ínsito no caderno Emprego/Expresso] e a que a blogger, alquebrada e pesarosa, qualifica  de «desespero elegante».

Da autenticidade do “anúncio” existe uma de duas hipóteses, possíveis
1 -- é autêntico, 2 -- é “gracinha” [de alguém que até pode pertencer à redacção do dito semanário].
Em abono à plausibilidade da “gracinha” encontro, sem esforço, várias razões para alguém mais empenhado lobrigar sei lá,  proveitos para uma determinada «causa» afinal, quando se atira com a carne toda para o assador, vale tudo; caso seja verdadeiro, outras “coisas” [quanto a mim bem mais tristes de constatar] se denotam de forma indelével.


Oferecem-se para caseiros esclarecendo que são «educados, cultos e polivalentes». Ora bem, sendo o caseiro «um guardador de casa de campo ou de férias», sinónimo de «granjeiro, rendeiro, capataz, feitor, olheiro,…» a educação não é emblema, gládio, emblema, atributo que se exiba a alguém, a propósito de nada. Ser-se educado é tão somente a mais ínfima e elementar regra [a cumprir com critério, rigôr e zelo] por forma a alguém se dispôr aturar outrém. E para que servirá ao hipotético empregador a avocada “cultura”? porquanto ninguém se pode presumir educado sem ser culto, e vice-versa. Seja assim ou não, qual será o [perscrutado] interesse do empregador no background cultural do oferente?
Supondo que dos hipotéticos "encargos" futuros das desesperadas criaturas faria parte uma quota de responsabilidade na administração ou co-administração dos bens e interesses do empregador para que servirá a outorga de «pré-falido»? (se “com” ou “sem” dívidas, a importância do facto é zero. A existirem, respeitam exclusivamente ao devedor) pelo contrário… digamos que a “chancela” é um fortíssimo factor de dissuasão, exclusão: alguém que na gestão dos seus exclusivos interesses [até provas em contrário] pré-faliu/faliu, à partida e sem mais, apresenta-se pouco capacitado para gerir interesses de terceiros.

Em prejuízo de todas as “garantias” aparece, ao fundo, como esclarecimento que, os «desesperados», “não possuem mais-valias rurais ou similares”. Com boa-vontade, se a essas “menos-valias” acrescentarmos as supostas «elegância», «boa presença», «elevadíssima educação» e «inquestionável saber-estar» e as considerarmos efectivas “mais-valias” estamos em presença de um casal que oferece os seus melhores ofícios a um vizir que não há (consta que o último terá sido Abû `Abd Allâh Mohammed ben Abî al-Hasan `Alî em Granada e há muitos anos) e caso houvesse, antes de o ser, teria garantido um magote de serviçais detentores de «"mais-valias" rurais ou similares». 
 
Do desespero dos “anunciantes” à pele-de-galinha da blogger  não me sobra “sensibilidade” nem para me impressionar com a situação dos anunciantes nem com a tocante solidariedade indignada da blogger, Teresa Ribeiro.

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