Muitos
poucos meses após o 25 de Abril, Mário
Soares, faz uma visita à Régua [para consolo e
satisfação dos mais do que muitos socialistas, democratas e resistentes
anti-fascistas que na região existiam].Um
rio de gente.
Da
estadia, e périplo [até por se tratar de uma acção
do PS motivada pela necessidade partidária de garantir uma forte presença
socialista na Comissão Administrativa da Câmara Municipal na sequência da
destituição da «edilidade fascista» até à realização das eleições autárquicas],
constava um jantar com figuras distintas e uns tantos figurões, conversos [representantes da fina flôr do entulho local]. ATF [pequeno
retalhista da cidade mas bastante conhecido] não faltou. Essa era boa --
um impenitente anti-fascista e socialista como ele!
Consta
que, estando mais ou menos todos os comensais devidamente “cimentados” em redor
da mesa do contentamento e da louvaminha, ATF,
ladino, conseguiu apesar da confusão e azáfama, ficar praticamente em frente de
Mário Soares.
Entre
«o tempo está
excelente» e «o prazer indízivel que tenho em o conhecer», «não faz uma
pequena ideia da emoção que…», etc
e tal… [aquelas tretas de circunstância que são
ditas para que não se pense que o interlocutor é mudo] …que preenchem o
tempo enquanto se deglutem uns petiscos e, imagino, beberica um «martini», um
«Porto» ou um [mais improvável] scotch, ATF, a dado passo, topando que Mário
Soares não tinha um lapso de atenção e/ou tempo para si, e por isso não
passaria de mais um entre os que, no dia seguinte de manhã, caso com ele se
cruzassem não seriam reconhecidos, pega num dos pratinhos das azeitonas e
dirigiu-se-lhe
-- Mário…vai
uma azeitoninha?!
Enfim
não seria para qualquer um a [presumiriam] intimidade, capaz de acomodar
tratamento tão próximo, “familiar”,…tão cúmplice.
_______________________
A
noite transacta, na sequência da notícia do passamento de Mandela, “choveram”
nas têvês os depoimentos -- uns mais
compungidos do que outros mas todos, por isto ou aquilo, profundamente tocados
-- de carpideiras avençadas, ou não, como a D. Ana Gomes e uma outra [de quem tive de
me empenhar para saber quem é], uma tal Teresa Damásio que me fôra “apresentada” pela estação como
“especialista” em «ralações
internacionais e assuntos africanos», qual Léopold Senghor, John Reader, Mário Pinto Andrade ou Joseph Ki Zerbo [quando se trata
de “especialistas em assuntos africanos” fico logo de orelhas afiadas. Vá-se lá
saber porquê?!] e mais tarde, noutra estação, Costa, Pacheco, Xavier e
imaginem, hoje pela manhã, Mário Soares.
A
D. Ana Gomes de entre a verbalização
da grandeza de Mandela e a enfatização de uma fortuita e eventual vez em que
esteve a cinquenta metros de Mandela, optou pela segunda [a propósito: não há quem explique à dona que os únicos
atributos, as “mais-valias” reconhecidas são os seus inatos e permanente
destrambelhamento emocional e a insaparável faca-na-liga que jamais perde
ocasião de sacar trate-se de festa, pleito ou funeral];
a
D. Teresa Damásio, enquanto
especialista, explicou-me sem ajuda de um globo onde se situa a República
Sul-Africana que agradeço e fechou com chave d’ouro a douta dissertação «enviando, da sua parte, à família de Mandela e ao
povo sul-fricano, o seu profundo
pesar por tão infausto desenlace» [e
eu fiquei a torcer para que, hoje, «aos familiares e ao povo» tenham
efectivamente chegado o pesar da senhora D. Teresa Damásio]
_______________________
O que têm que ver ATF e as
«azeitoninhas pró Mário»,… Ana Gomes com as condolências da D.Teresa por Mandela? Tudo,
que não sei se é muito.
Quanto mais insignificantes são mais se põem em bicos de
pés que também não
sei se lamente… até porque cada vez me convenço mais, que será por estarem
sempre em bicos de pés e braço levantado, que “vivem” (a maioria) melhor do que
eu.

Sem comentários:
Enviar um comentário