6 de dezembro de 2013

Das «azeitoninhas pró Mário»

às condolências das D. Gomes e D. Damásio


Muitos poucos meses após o 25 de Abril, Mário Soares, faz uma visita à Régua [para consolo e satisfação dos mais do que muitos socialistas, democratas e resistentes anti-fascistas que na região existiam].Um rio de gente.
Da estadia, e périplo [até por se tratar de uma acção do PS motivada pela necessidade partidária de garantir uma forte presença socialista na Comissão Administrativa da Câmara Municipal na sequência da destituição da «edilidade fascista» até à realização das eleições autárquicas], constava um jantar com figuras distintas e uns tantos figurões, conversos [representantes da fina flôr do entulho local]. ATF [pequeno retalhista da cidade mas bastante conhecido] não faltou. Essa era boa -- um impenitente anti-fascista e socialista como ele!

Consta que, estando mais ou menos todos os comensais devidamente “cimentados” em redor da mesa do contentamento e da louvaminha, ATF, ladino, conseguiu apesar da confusão e azáfama, ficar praticamente em frente de Mário Soares.
Entre «o tempo está excelente» e «o prazer indízivel que tenho em o conhecer», «não faz uma pequena ideia da emoção que…», etc e tal… [aquelas tretas de circunstância que são ditas para que não se pense que o interlocutor é mudo] …que preenchem o tempo enquanto se deglutem uns petiscos e, imagino, beberica um «martini», um «Porto» ou um [mais improvável] scotch, ATF, a dado passo, topando que Mário Soares não tinha um lapso de atenção e/ou tempo para si, e por isso não passaria de mais um entre os que, no dia seguinte de manhã, caso com ele se cruzassem não seriam reconhecidos, pega num dos pratinhos das azeitonas e dirigiu-se-lhe

-- Mário…vai uma azeitoninha?!

Enfim não seria para qualquer um a [presumiriam] intimidade, capaz de acomodar tratamento tão próximo, “familiar”,…tão cúmplice.

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                         A noite transacta, na sequência da notícia do passamento de Mandela, “choveram” nas têvês os depoimentos -- uns mais compungidos do que outros mas todos, por isto ou aquilo, profundamente tocados -- de carpideiras avençadas, ou não, como a D. Ana Gomes e uma outra [de quem tive de me empenhar para saber quem é], uma tal Teresa Damásio que me fôra “apresentada” pela estação como “especialista” em «ralações internacionais e assuntos africanos», qual Léopold Senghor, John Reader, Mário Pinto Andrade ou Joseph Ki Zerbo  [quando se trata de “especialistas em assuntos africanos” fico logo de orelhas afiadas. Vá-se lá saber porquê?!] e mais tarde, noutra estação, Costa, Pacheco, Xavier e imaginem, hoje pela manhã, Mário Soares.
                    A D. Ana Gomes de entre a verbalização da grandeza de Mandela e a enfatização de uma fortuita e eventual vez em que esteve a cinquenta metros de Mandela, optou pela segunda [a propósito: não há quem explique à dona que os únicos atributos, as “mais-valias” reconhecidas são os seus inatos e permanente destrambelhamento emocional e a insaparável faca-na-liga que jamais perde ocasião de sacar trate-se de festa, pleito ou funeral];
a D. Teresa Damásio, enquanto especialista, explicou-me sem ajuda de um globo onde se situa a República Sul-Africana que agradeço e fechou com chave d’ouro a douta dissertação «enviando, da sua parte, à família de Mandela e ao povo sul-fricano, o seu profundo pesar por tão infausto desenlace» [e eu fiquei a torcer para que, hoje, «aos familiares e ao povo» tenham efectivamente chegado o pesar da senhora D. Teresa Damásio]
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O que têm que ver ATF e as «azeitoninhas pró Mário»,… Ana Gomes com as condolências da D.Teresa por Mandela? Tudo, que não sei se é muito.
Quanto mais insignificantes são mais se põem em bicos de pés que também não sei se lamente… até porque cada vez me convenço mais, que será por estarem sempre em bicos de pés e braço levantado, que “vivem” (a maioria) melhor do que eu.

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