22 de novembro de 2013

[Poder] levar a mão ao pote

Soares, e alguns outros que o acolitam, sabe bem o que está a fazer.
O “problema” dele(s) não é propriamente o dos «zés-ninguém» ou sequer, os «ataques miseráveis» à Constituição e aos direitos nela consignados.
O “problema” é que estão negociados e foram homologados, por parte das instituições europeias, os pacotes legislativos e financeiros da Política de Coesão para o período 2014-2020. E são mais de 20MM €.

Em política não se toma partido sobre «algo» baseado em valores ou ideias. Não é disso que se trata em política. Política é igual a poder e poder é a capacidade que alguém tem de determinar as acções dos outros ou seja, fazer com que os outros [por ameaça, manipulação, coacção ou “comissão”] façam o que ele quer que seja feito. A política trata de pessoas e meios; não de valores ou fins. O que trata de valores e fins é a filosofia, a religião,…
ou seja, o âmago [silenciado] do “problema” deles, quer dos que estão no governo [PSD/CDS] quer dos que estão nas escadarias de acesso [PS], é o de quem acede directamente ao pote. Daí a pressa. Seguro não lobrigou mas Soares, que tem oitenta e tantos anos de sabedoria na arte de perscrutar, de farejar o bom-bom,…


«O mundo conduz-se por mentiras; quem quiser despertá-lo ou conduzi-lo terá que mentir-lhe delirantemente, e fá-lo-á com tanto mais êxito quanto mais mentir a si mesmo e se compenetrar da verdade da mentira que criou» Fernando Pessoa
É claro que daqueles «corpos» estão excluidos líricos, poetastros, menestréis, bardos, “valetudinários” e enfermos desse foro clínico [caso de Pacheco Pereira, coitado] cuja utilidade importa aos organizadores que além do mais sabem que para lhes inflar e satisfazer os egos, uma plateia a aclamá-los, basta.
«Os governos influenciam em pouco ou nada a criação de novos sentimentos, a formação de novos resíduos ou a modificação dos que existem. A arte de governar consiste principalmente em extrair benefícios dos sentimentos existentes no país»
À luz dos ensinamentos de Vilfredo Pareto é evidente que o governo tem sido um desastre. Existe, porém, o “risco” de poder alterar de forma perceptível o “ambiente”.
20MM € é muito, muito dinheiro. Não há nada de novo, portanto com excepção do recrudescer da vozearia e esparsas turbamultas.
Em 06.06.2011, na sequência do afastamento dos calhordas socráticos e da tralha socialista, “anotei”
«Se algo de essencial mudar será [infelizmente] mais por tangíveis e exógenos imperativos do que por consciente opção colectiva.[…] preferia que fosse por opção. Ora, quando falamos de mudanças substantivas, a última que o povo português tomou dando livre curso ao seu arbítrio colectivo, foi recusar [toda e qualquer] ligação efectiva ao então designado Ultramar. Tudo o resto [absolutamente tudo] lhes apareceu «como consequência de» e nessa medida, foram [sempre] atamancando soluções de recurso. Até na apressada entrada para a Comunidade Económica Europeia, assim foi. […]O “consulado” que agora foi postergado, foi um período muito mau. Fez “escola” uma forma criminosa de utilização dos meios e bens públicos. […] o problema é que se este período foi tão grande, foi por ter encontrado lastro na sociedade […] Vão ser necessárias reformas à séria. Não há tempo para aprimoramentos cosméticos.O problema é que terá de se ir qualitativa e quantivamente um nadinha mais longe do que ficou acordado com a troika; o problema é que os portugueses já estão mais pobres e irão irremediavelmente empobrecer um pouco mais [no próximo quinquénio] […] e gostem ou não, não acharão maneira de inverter o sentido se não interiorizarem que há uma série de “regenerações” a fazer. O meu problema é que descreio nas propriedades auto-regeneradoras deste epitélio descartando a descrença nos manipuladores genéticos»

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