Imagino [que nada sei de biologias] que, nos parasitas, um dos atributos fisiológicos
mais desenvolvidos seja o da adaptação. Se assim não fosse como garantiriam a
existência face a alterações ou mutações, bruscas e inesperadas, da parte dos
hospedeiros? presumo por isso que, a analogia feita entre a interdependência de
hospedeiros/parasitas e a rede tentacular do sistema burocrático-administrativo,
não seja despropositada.
As vantagens, que supús virem a existir do temporário exercício
tutelar da troika, estão a
esvanecer-se. Enganei-me! a capacidade de reacção e adaptação leia-se reinvenção
do aparelho burocrático do Estado e da rede parasitária do Estado, é espantosa.
A
EGREP, http://www.egrep.pt/, empresa que gere as reservas
estratégicas nacionais de produtos petrolíferos [integrou
a lista de organismos que o governo pretendia eliminar/fundir para reduzir os
custos do Estado] vai passar, também, a fiscalizar o mercado de combustíveis [a DECO congratula-se com o facto. Por nós, consumidores].
Deixará de se denominar EGREP e passará a designar-se por Entidade
Nacional para o Mercados dos Combustíveis cuja função primordial, se
não única, no dizer do secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, será assegurar «maior controlo e transparência ao sector»(!)
O objectivo é proteger os consumidores. Salvé
maravilha.
[sempre que instituição, organismo ou alguém, sacana, diz querer
proteger-me, fico nervoso. E se na “ideia” surgem encavalitados o Estado,
governo,… dá-me vontade de partir prá porrada].
Para o efeito as luminárias procederão à alteração
dos Estatutos a
fim de «acomodar a última directiva comunitária»
pelo que «sob
o escrutínio deste organismo ficará toda a fileira dos produtos petrolíferos,
desde a gasolina até ao gasóleo, passando pelo gás de botija e propano, bem
como os biocombustíveis».
Acontece
que existe a Direcção-Geral
de Energia e Geologia (DGEG) que tem sob sua alçada o fornecimento
de gás butano, propano e outros gases combustíveis e
de cujas funções fazem parte, segundo se lê no respectivo site «acompanhar a actividade de comercialização de
carburantes, mantendo um registo de todos os agentes
de mercado devidamente actualizado; promover a segurança de pessoas e bens e a defesa dos consumidores através da sensibilização das
entidades que actuam no sector dos carburantes e do público em geral para a
aplicação da regulamentação técnica de segurança e de qualidade de serviço (…)»…
por
conseguinte, suponho que não seria provação de Hércules, adicionar-lhe mais esta
nobilíssima, profilática e filantrópica função. Mas também existe essoutro adorável tutor,
a ASAE, «autoridade
administrativa nacional especializada no âmbito da segurança alimentar e da fiscalização económica»… também, sem
recorrer a Hércules, podia acomodar a
função pois pela sua natureza é «responsável pela avaliação e comunicação dos riscos na cadeia alimentar,
bem como pela disciplina do exercício das actividades económicas
nos sectores
alimentar e não alimentar, mediante a fiscalização e
prevenção do cumprimento da legislação reguladora das mesmas
(…) rege-se
pelos princípios da independência científica, da precaução, da credibilidade e
transparência e da confidencialidade». Suspeito que recursos humanos,
não lhe faltarão [consultar organogramas da Estrutura
Central e das Unidades Regionais]. E se faltassem?! seria o menos… sobrariam
razões para enfiar mais uma ala de protegidos a fazer que faziam e a receber
por isso, os honorários devidos.
Há quem disto tudo diga o piorio do liberalismo, neoliberalismo, etc e tal… O que será socialismo?

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