A essa hiperbolizada darandina homenageadora,
e aos rapapés inerentes que por aí vêm sendo esparramados, digo «não gasto cera com tão ruim defunto». Se for
apercebida como contumélia, pois que seja.
A entrevista do títere à [falecida]
jornalista Oriana Fallaci
«Nós,
os comunistas, não
aceitamos o jogo das eleições […] Se pensa
que o Partido Socialista com os seus 40 por cento de votos, o PPD, com os seus
27 por cento, constituem a maioria, comete um erro. Eles não têm a maioria […] Estou a
dizer que as
eleições não têm nada, ou muito pouco, a ver com a dinâmica revolucionária
[…] Se
pensa que a Assembleia Constituinte vai transformar-se num Parlamento comete um
erro ridículo. Não! A Constituinte não será, de certeza, um órgão legislativo.
Isso prometo eu. Será uma Assembleia Constituinte, e já basta […] Asseguro-lhe que
em Portugal não haverá Parlamento […]
Nós, os comunistas, já tínhamos afirmado
aos militares que o PPD não devia estar presente [nas eleições], que não se podia conduzir o país ao
socialismo por meio de uma ampla coligação democrática. Mas eles quiseram
juntar socialistas, comunistas, sociais-democratas e as diversas correntes do
MFA... Tinha-mo-los avisado de que as eleições constituiam um perigo, que eram
prematuras, que se não se tomassem precauções as perderíamos […] A
solução dos problemas depende da dinâmica revolucionária; ao contrário, o
processo democrático burguês quer confinar a revolução aos velhos conceitos do
eleitoralismo […] Democracia para mim significa liquidar o capitalismo, os monopólios. E
acrescento: não
existe hoje em Portugal a menor possibilidade de uma democracia como as da Europa
Ocidental […] É um
facto indiscutível que Portugal actualmente se dirige para o comunismo. A única
coisa que não posso dizer é que forma assumirá esse socialismo. Talvez devesse
poder dizê-lo, dado que sou o responsável por um partido que que não foi
derrotado, muito pelo contrário. Nós, os comunistas, quere-lo-íamos
integralmente mas devemos ter em conta uma realidade muito complicada e muito
contraditória. O nosso programa de um Portugal comunista está certamente
sujeito a rectificações […] Nunca vi uma revolução que se desenvolva sem
o apoio dos militares ou de uma força militar. Veja Cuba. Como Castro não
dispunha de um exército teve que fazê-lo. E nós, que dispomos de um exército já
estruturado, devemos ignorá-lo? Acredite-me, sem armas não se consegue nada
[…] Quem, senão os operários
comunistas, as massas comunistas, esteve ao lado dos militares desde o 25 de
Abril? As forças democráticas, os socialistas, juntaram-se a eles no último
momento. Apenas desfraldaram as suas bandeiras depois da vitória deles […]»
in Público/15.11.2013

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