23 de novembro de 2013

A lucidez nunca me desampare


Vasco Pulido Valente inicia a “crónica”, hoje publicada, verberando, sim, os mais recentes eflúvios soáricos. Mas não sem que o incense, lhe conceda uma caritativa atenuante, difusa numa presuntiva dúvida [que Mário Soares não percebe ou deixou de ter “condições” para perceber]
«O dr. Mário Soares não percebe, ou não quer perceber, que prevenir contra a violência é ao mesmo tempo um incitamento à violência. E pior do que isso nunca explica em que espécie de violência está a pensar.»


Ora se há português que, qualquer que seja a perspectiva, desmerece a mais leve indulgência é Mário Soares. Porquê? precisamente pelo seu passado.
O que é que do âmbito da política, da ética, da moral, do direito, da justiça,… pode ser trazido à colação, a título de alívio, para quem foi deputado, ministro, primeiro-ministro e presidente da república?

Então por que é que para Mário Soares [mas não só] perpassa sempre uma tão cristã onda de compreensão, façam ou digam as criaturas o que disserem, e o mesmo não sucede [ao contrário] quando os visados são outros? por que é que as ondas de indulgência de que usufruem, sempre, são [em dimensão] iguais às ondas de desapiedade para com os demais [por mais insignificantes que sejam eles]?
Por todos, ou quase, lhes serem gratos. No que me diz respeito é nisso que bate o ponto. Acontece que não estou penhorado a Mário Soares [é a enésima vez que o escrevo]… a Soares, a ninguém sejam eles democratas, não democratas, desta “senhora” ou da outra,… digo que [para quem não entenda o que pretendo dizer] sou tão grato a Mário Soares quanto penhorado fico à empregada de mesa que me atende [e que é remunerada pelo serviço que me presta] no café.

Dedicou a vida ao que dedicou, deu-lhe o “destino” que entendeu e nessa medida padeceu o que padeceu, usufruiu o que usufruiu e usufruirá até ao ataúde, e podia ter feito o contrário. Quanto a isso, batatas.
Já o mesmo não digo se, em vez de se tratar de «penhora» [que não é moeda, não tem duas faces e ou existe ou inexiste], se tratar de «reconhecer» isto, aquilo ou aqueloutro. Reconhece quem crê saber, independentemente do juízo valorativo [moral, ético, político,…] “sobre”. E porquê? por uma muito “singela” razão:
o que para “eles” -- Soares e os outros a que aludo -- será o seu chão sagrado; não é o meu; o que para eles são absolutos, dogmas, postulados, quod erat demonstrandum, etc. para mim, quanto muito, serão premissas. Tal e qual: pontos de partida para a organização de argumentações, elaboração de raciocínios,…


É que isso de imprescindíveis, imortais, homens que exsudam amor ao próximo e preocupações com o próximo por quantos poros têm, sacerdócios e “coisas” que tais, é poesia – da má.

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