[Um
dia destes] apareceu-me o Nilton fazendo umas momices numa cerimónia
televisionada e com plateia cheia. Era o lançamento do seu mais recente “livro” –
Miopia e Astigmatismo.
Um
livro, contenha o conteúdo que contiver, é um livro.
A
“peça jornalística” acareou-me pela enésima vez [perdi a conta tal a profusão
de novidades “literárias”, «neófitos», noviços,… do nosso espaço editorial] com
uma frustração de cariz existencial.
Já
por mim perpassou a ideia de escrever um livro. Sempre que sou confrontado com
estes novéis quão inusitados e inexpertos escrevedores [aperfilhados ou filhos
da indulgência] ou entertainers mais
se aprofunda a convicção de essa, minha, incapacidade. Se por algumas outras
razões não fosse seria, decerto, pelas consequências da ideia que abrigo
«quem
escreve e faz publicar o que escreve, fá-lo-á na crença ou convencimento de que
alguém o leia»
tal
como quem se propõe falar para uma plateia, presume que haverá alguém disposto
a ouvi-lo.
Ora
se as coisas são o que são porque hei-de alimentar essa bisonha ideia? sabendo
antecipadamente que sequer fazer o pleno da família conseguiria. Escrever
o quê? para quem? conhecendo, por um lado, alguns preceitos, impositivos, para “vingar”
como é por exemplo, escrever o que os outros gostarão de ler e não o que o “escritor”
entende escrever e se, por outro lado, com essa preceituação jamais tergiversarei.

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