8 de outubro de 2013

E noves fora, nada


[Um dia destes] apareceu-me o Nilton fazendo umas momices numa cerimónia televisionada e com  plateia cheia. Era o lançamento do seu mais recente “livro” – Miopia e Astigmatismo.
Um livro, contenha o conteúdo que contiver, é um livro.
A “peça jornalística” acareou-me pela enésima vez [perdi a conta tal a profusão de novidades “literárias”, «neófitos», noviços,… do nosso espaço editorial] com uma frustração de cariz existencial.
Já por mim perpassou a ideia de escrever um livro. Sempre que sou confrontado com estes novéis quão inusitados e inexpertos escrevedores [aperfilhados ou filhos da indulgência] ou entertainers mais se aprofunda a convicção de essa, minha, incapacidade. Se por algumas outras razões não fosse seria, decerto, pelas consequências da ideia que abrigo
«quem escreve e faz publicar o que escreve, fá-lo-á na crença ou convencimento de que alguém o leia»

tal como quem se propõe falar para uma plateia, presume que haverá alguém disposto a ouvi-lo.

Ora se as coisas são o que são porque hei-de alimentar essa bisonha ideia? sabendo antecipadamente que sequer fazer o pleno da família conseguiria. Escrever o quê? para quem? conhecendo, por um lado, alguns preceitos, impositivos, para “vingar” como é por exemplo, escrever o que os outros gostarão de ler e não o que o “escritor” entende escrever e se, por outro lado, com essa preceituação jamais tergiversarei.

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