5 de setembro de 2013

Razões (as minhas, as tuas, as deles, as da paróquia,...)

Andam, aparentemente, cheios de razão [se desconsiderarmos umas quantas, muitas, razões]. Convenhamos que quem raramente tem razão são 1 -- quem tem de fazer e não faz ou 2 -- quem faz mas faz mal ou 3 -- podendo fazer assim, optam por fazer assado.

Não acho que o maior problema de um faminto seja a existência de pão. Acho que é a realidade da sua fome. Sendo assim, se lhe perguntarem «Existe pão?», ele responderá «Aparentemente, não».
È muito provável que o faminto não faça a mais pequena ideia de quem foi S. Tomás de Aquino. Mas foi S. Tomás de Aquino que à pergunta «Existe Deus?», respondeu «Aparentemente, não».

«O pensamento conceptual e a linguagem verbal –  que elevaram o homem a um nível superior a todas as outras criaturas e lhe deram o domínio do planeta -- não são propriamente umas bençãos. Todos os perigos que ameaçam a humanidade de exterminação são consequências directas deste pensamento conceptual e dessa linguagem verbal»
Konrad Lorenz

Das tolices que são frequentemente papagueadas sobre optimistas e/ou pessimistas e que exercem função similar à de alguém que profere sem que tal lhe seja solicitado nem perguntado «ser de esquerda» ou seja, funcionam como máximo divisor comum de quem pretende falar sem nada dizer, a essas deliciosas pessoas, Woody Allen, dedicou-lhes uma dulcíssima estória
À hora da refeição, duas velhinhas instaladas num hotel termal, dizem
           -- A comida deste hotel é péssima.
           Ao que responde a outra
           -- Pois é! E as doses são muito pequenas.
Aparentemente as velhinhas tinham razão. Na realidade, se a tinham, perderam-na. Quiçá por razões, outras, de que as velhinhas sabem mas não falam e, Woody Allen, não conta. Para a terem teriam de ser consequentes – a primeira, não comia; a segunda, não reclamava da pequenez da dose e ambas «levantavam o rancho» e …

José Gomes Ferreira [jornalista que aprecio favoravelmente] escreveu um livro que é «O Programa de Governo», dele. É realmente o dele. Do país só aparentemente poderá ser. Do país, deste país é que, garanto, jamais será. Mas se benevolamente o quisermos tomar como realidade, eventual, e não como desejo então, nessa remota eventualidade, a suposta clarividência de Gomes Ferreira, não será clarividência: o país é que será outro! com pouco ou nada que ver com o anterior.
Aproveita, Zé!
Gomes Ferreira, aparentemente, está carregadinho de razões tanto mais que a muitas, fundamenta-as e justifica-as. Eu também só que nunca escrevi livros [e isso é incompetência minha].
O problema não é esse. «O problema» são as outras razões além, ou aquém, das razões dos outros [não me refiro às dos banqueiros, dos monopólios, dos neoliberais chiça, capitalistas empedernidos, etc refiro-ma às razões dos que calcorreiam as calçadas que nós calcorreamos] e que fazem com que «quem a tem» e por maior que seja «com ela fique», e «bom proveito».

Haja paciência!

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