13 de setembro de 2013

A sevandija que se mostra na passerelle


«O Homem é humano quase tanto como voa a galinha. Quando apanha uma traulitada, quando um carro a obriga a bailar, lá vai ela pelos ares até ao telhado, mas logo de seguida aterra no lodo e desata a debicar na bosta. É a natureza, a ambição dela. Entre nós, na sociedade dá-se exactamente o mesmo. Deixa-se de ser tratante sob a acção de uma catástrofe. Quando tudo volta ao normal, a natureza retorna logo ao que era. Por isso mesmo é que, de uma Revolução, só vinte anos depois se pode ajuizar.»
-- Céline, «Mea culpa» --

              Por atacado desfila(ra)m nas têvês alguns dos que antes loquazes e empertigados turiferários se apresentam, agora, hipocritamente modestos e circunstancialmente eficientes usuários do repúdio. Alguns, estou em crer, até lobrigam a oportunidade para passar por canifrazes. São porém, todos [uns por omissão, outros por acção], perpetradores encartados. Aliás, foram sempre um vulcão de coisa nenhuma, meio-alucinados com as diversas ordens de enfezados roedores que o montículo pariu, zumbem e debicam sem pausa ou fastio rodeados por enxames de jornalistas, comentaristas,…, cardumes de politólogos, sociólogos e outras excelsas tricotadeiras da palha e mais as respectivas eructações, babas e decantações.


             A propósito dos «cortes» [nas pensões da CGA] o que mais se ouve são apostasias, coisas que tais e referências à Moral. Evidentemente que ninguém  os confronta com a moral a que recorreram sequer com a Moral que postergaram e ludibriaram. Ou nem a uma coisa nem a outra por andarem distraídos. Se a Moral fosse coisa cujo mau uso originasse mau hálito, certamente ninguém poderia sentar-se à sua beira.
             À maioria, em 2008, teria eu gostado muito ouvi-los, por exemplo, em uníssono e em nome da Moral, exigir a Teixeira dos Santos e a Sócrates, a “liquidação” do BPN. Em nome da Moral e da Ética.
            Tudo aquilo, então, me soou muito mal e agora, isto, vai pelo mesmo caminho. De igual forma me soam certas asserções e proferimentos tardios ao patriotismo.
 
«O patriotismo é fácil de entender. Significa cuidar de si não descuidando o [seu] país»
J. Calvin Coolidge (1872-1933),presidente dos EUA
Na vida de uma nação, poucas ideias são mais perigosas do que as boas soluções para os problemas errados.

Obs.:
pode depreender-se que estou concordante “com”. Não estou. Mantenho-me em estado de dissídio, há muito. E de uma série de assaltos à igreja, cometidos sob aclamação do rebanho, dei conta em ocasião própria.

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