3 de setembro de 2013

[Comentários de] ingrato

Se há “coisas” [creio saber-se mas se não é, sabido fica] pelas quais sempre me senti tocado, e penhorado, foi com as desmedidas, notórias [o mesmo não digo quando, as preocupações, se revelam atribulações] e públicas “preocupações” [de todos em geral e de figuras «destas», muito particularmente] dos meus semelhantes pela sorte do(s) vizinho(s) que por uso e tradição são, invariavelmente, menores do que a minha com a sorte dos tamanduás no pantanal brasileiro.
    z  Melhor que os “recados” do Pacheco Pereira, 
Do «Navio Fantasma», em que Pacheco Pereira resolveu fazer um cruzeiro, chegam uns «bilhetinhos» [que serão produto da profunda reflexão a que devotou estes seus dias de contemplação mas de  questionável afastamento]. Já chegaram trinta e seis, salvo erro.
Uma espécie de recados semelhantes aos que Ovídio enviava para Roma, lá, do exílio que o imperador lhe destinou. Sempre martirizando-se com as vidas dos romanos como é fácil de compreender. Mas, sempre, rogando a melhor compreensão do imperador para a sua condição.

«Toda a linguagem do Primeiro-ministro é de vingança, medo, e representa uma deriva cada vez menos democrática», consta no derradeiro.
Duvido que assim seja. Do que não duvido é que os «bilhetinhos» do Pacheco Pereira revelam um indigerível e profundo ressabiamento.

-- Ó homem, assim nem você descansa nem nós sossegamos.
Ó Pacheco… eu reconheço que o senhor é um homem de pensamento e de imensas letras, reconheço. Sei que Alexandre Zinoviev lhe será “familiar”. Sei que «Hauteurs Béantes», ou seja, L´Âge D’Homme quer dizer «a fala do Esquizofrénico»
«na medida em que o poder, seguindo as leis sociais, se apropria da inteligência e da vontade da sociedade, procura, naturalmente, fazer aproximar o estado real das coisas deste ideal e considera as manifestações da vontade das pessoas que começam, sem a sua autorização, a reflectir sobre a sociedade, leis, imprensa, artes, etc… como interferências ilegais num domínio que lhes está reservado. E se estas pessoas começam a compreender os problemas da sociedade melhor do que os representantes do poder (o que não é difícil porque o nível oficial de compreensão tende a um mínimo de verdade e a um máximo de erro) acabam por ser criminosos aos olhos do poder se bem que,  juridicamente falando, não seja proibido a ninguém compreender o meio em que vive»
não lhe é estranha, sei.
Por isso a “carga”, o exagero não é admissível. E a dôr de cotovelo ainda menos. Quanto mais não seja porque temos, sempre, de reserva, para além de si, um Basílio Horta para nos salvaguardar do hediondo crime que seria locupletarem-nos alguns desses perecíveis, mas consignados, intangíveis constitucionais.
       z só o peito feito de Basílio Horta 
na defesa da virtuosa Constituição. E logo Basílio Horta que, como sabemos, foi um indefectível soldado constitucional. Na discussão parlamentar e no dia em que na bancada do CDS a votou [desfavoravelmente e ainda bem pois, nessa ocasião, para gajos com complexos não resolvidos de esquerdismo chegavam os que poluíam a bancada do PPD].
Dirá que evoluiu. Eu direi «necessidade a quanto obrigas». Vão longe os dias em que a triste e desleixada figura, fazia de «porta-pasta/mala» a Américo Amorim.

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