Se
há “coisas” [creio saber-se mas se não é, sabido
fica] pelas quais sempre me senti tocado, e penhorado, foi com as desmedidas,
notórias [o mesmo não digo quando, as preocupações,
se revelam atribulações] e públicas “preocupações” [de todos em geral e de figuras «destas», muito particularmente]
dos meus semelhantes pela sorte do(s) vizinho(s) que por uso e tradição são, invariavelmente, menores do que a minha com
a sorte dos tamanduás no pantanal brasileiro.
z Melhor que
os “recados” do Pacheco Pereira,
Do
«Navio Fantasma», em que Pacheco Pereira resolveu fazer um cruzeiro, chegam uns
«bilhetinhos» [que serão produto da profunda reflexão a que devotou estes seus
dias de contemplação mas de questionável
afastamento]. Já chegaram trinta e seis, salvo erro.
Uma
espécie de recados semelhantes aos que Ovídio enviava para Roma, lá, do exílio
que o imperador lhe destinou. Sempre martirizando-se com as vidas dos romanos
como é fácil de compreender. Mas, sempre, rogando a melhor compreensão do
imperador para a sua condição.
«Toda a linguagem
do Primeiro-ministro é de vingança,
medo, e representa
uma deriva cada vez menos
democrática», consta no derradeiro.
Duvido
que assim seja. Do que não duvido é que os «bilhetinhos» do Pacheco Pereira
revelam um indigerível e profundo ressabiamento.
--
Ó homem, assim
nem você descansa nem nós sossegamos.
Ó
Pacheco… eu reconheço que o senhor é um homem de pensamento e de imensas
letras, reconheço. Sei que Alexandre Zinoviev lhe será “familiar”. Sei que «Hauteurs
Béantes», ou seja, L´Âge D’Homme quer dizer «a fala do Esquizofrénico»
«na medida em que
o poder, seguindo as leis sociais, se apropria da inteligência e da vontade da
sociedade, procura, naturalmente, fazer aproximar o estado real das coisas
deste ideal e considera as manifestações da vontade das pessoas que começam,
sem a sua autorização, a reflectir sobre a sociedade, leis, imprensa, artes,
etc… como interferências ilegais num domínio que lhes está reservado. E se
estas pessoas começam a compreender os problemas da sociedade melhor do que os
representantes do poder (o que não é difícil porque o nível oficial de
compreensão tende a um mínimo de verdade e a um máximo de erro) acabam por ser
criminosos aos olhos do poder se bem que,
juridicamente falando, não seja proibido a ninguém compreender o meio em
que vive»
não
lhe é estranha, sei.
Por
isso a “carga”, o exagero não é admissível. E a dôr de cotovelo ainda menos. Quanto
mais não seja porque temos, sempre, de reserva, para além de si, um Basílio
Horta para nos salvaguardar do hediondo crime que seria locupletarem-nos alguns
desses perecíveis, mas consignados, intangíveis constitucionais.
z só o peito feito de Basílio Horta
na
defesa da virtuosa Constituição. E logo Basílio Horta que, como
sabemos, foi um indefectível soldado constitucional. Na discussão parlamentar e
no dia em que na bancada do CDS a votou [desfavoravelmente e ainda bem pois,
nessa ocasião, para gajos com complexos não resolvidos de esquerdismo chegavam os que poluíam a bancada do PPD].
Dirá
que evoluiu. Eu direi «necessidade a quanto obrigas». Vão
longe os dias em que a triste e desleixada figura, fazia de «porta-pasta/mala» a Américo
Amorim.
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