É da natureza que «quem faz um cesto, faz um cento» e é consabido que
«mais vale prevenir do que remediar».
Prevenir é a ministra das finanças chamar o dito e apresentar-lhe a carta de
demissão. Garantir a prevenção será exigir nada menos do que isso.
Em 2005, quando o primeiro governo de Sócrates tomou posse, uma das maiores instituições financeiras mundiais, Citigroup, tentou oferecer uma "solução para melhorar o ratio dívida/PIB em cerca de 370 M€ em 2005 e 450 M€ em 2006". A “solução” passaria pela aquisição de três contratos de swap baseados em "derivados".«Os Estados geralmente não providenciam [ao Eurostat] informação sobre o uso de derivados. (...) os swap serão, efetivamente, mantidos fora do balanço» assim industriava o Citigroup quer o IGCP, quer o ministério das Finanças, quer o gabinete do primeiro-ministro. A proposta foi entregue ao gabinete de José Sócrates por Paulo Gray [director-executivo para Portugal do Citi e no presente responsável pela consultora Stormharbour contratada por Maria Luís Albuquerque para analisar os swaps das empresas públicas] e Joaquim Pais Jorge [diretor do Citibank Coverage Portugal] actual de secretário de Estado do Tesouro.
José Gomes Ferreira [SIC]
sugere [em prol de um melhor ambiente] que «a ministra das finanças tem de ir
ao parlamento explicar por que …». Ao que eu acrescento
--
de seguida [ou não vivemos num Estado de Direito e por conseguinte a mais vil e
pecaminosa das criaturas deste mundo tem direito a defender-se?!] irá o
secretário de Estado do Tesouro assim como todos os que entretanto forem
chamados para abonar ou desacreditar e …
È
uma forma de pensar e de agir, evidentemente. Sem qualquer outra intenção devo
observar que a esclarecida sugestão [ou exigência] padece de uma presunção de
pecado e que se pode com singeleza exprimir
= Um maná para o jornalismo. Ou
não? =
Que tal exigir tão só que as «coisas»
sucedam assim
1 – a ministra demite o secretário
de Estado ou
2 – i) a ministra [caso nada saiba ou sabendo] chama imediatamente
Joaquim Pais Jorge;
ii) pergunta e ouve o que há a perguntar
e a ouvir; e
iii) demite o secretário de Estado
com
esta linearidade?
Não
subsistem dúvidas de que, 1 – por uns tempos, emudeciam a oposição toda, 2 – em
definitivo, preveniam o que há [ou não havendo] a prevenir, 3 – retiravam do “banquete” um
adorável [para a comunicação social] “prato” e 4 – obrigavam a “guerrilha” a ter
de remover a barricada e a procurar outra linha de fogo.
Se
«os do governo» pretendem preservar um módico de integridade [tarefa que é cada
vez mais difícil], assim farão. Se quaisquer outros mais elevados interesses [legítimos,
escrutináveis, não há] houver, outra farão, diferente. Ou nada farão.

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