1 de agosto de 2013

Prevenir para não ter que remediar

É da natureza que «quem faz um cesto, faz um cento» e é consabido que «mais vale prevenir do que remediar». Prevenir é a ministra das finanças chamar o dito e apresentar-lhe a carta de demissão. Garantir a prevenção será exigir nada menos do que isso.
Em 2005, quando o primeiro governo de Sócrates tomou posse, uma das maiores instituições financeiras mundiais, Citigroup, tentou oferecer uma "solução para melhorar o ratio dívida/PIB em cerca de 370 M€ em 2005 e 450 M€ em 2006". A “solução” passaria pela aquisição de três contratos de swap  baseados em "derivados".«Os Estados geralmente não providenciam [ao Eurostat] informação sobre o uso de derivados. (...) os swap serão, efetivamente, mantidos fora do balanço» assim industriava o Citigroup quer o IGCP, quer o ministério das Finanças, quer o gabinete do primeiro-ministro. A proposta foi entregue ao gabinete de José Sócrates por Paulo Gray [director-executivo para Portugal do Citi e no presente responsável pela consultora Stormharbour contratada por Maria Luís Albuquerque para analisar os swaps das empresas públicas] e Joaquim Pais Jorge [diretor do Citibank Coverage Portugal] actual de secretário de Estado do Tesouro.

José Gomes Ferreira [SIC] sugere [em prol de um melhor ambiente] que «a ministra das finanças tem de ir ao parlamento explicar por que …». Ao que eu acrescento
-- de seguida [ou não vivemos num Estado de Direito e por conseguinte a mais vil e pecaminosa das criaturas deste mundo tem direito a defender-se?!] irá o secretário de Estado do Tesouro assim como todos os que entretanto forem chamados para abonar ou desacreditar e …
È uma forma de pensar e de agir, evidentemente. Sem qualquer outra intenção devo observar que a esclarecida sugestão [ou exigência] padece de uma presunção de pecado e que se pode com singeleza exprimir
= Um maná para o jornalismo. Ou não? =

                Que tal exigir tão só que as «coisas» sucedam assim
1 – a ministra demite o secretário de Estado ou
2 – i)  a ministra [caso nada saiba ou sabendo] chama imediatamente Joaquim Pais Jorge;
      ii) pergunta e ouve o que há a perguntar e a ouvir; e
      iii) demite o secretário de Estado
com esta linearidade?

Não subsistem dúvidas de que, 1 – por uns tempos, emudeciam a oposição toda, 2 – em definitivo, preveniam o que há [ou não havendo] a prevenir, 3 – retiravam do “banquete” um adorável [para a comunicação social] “prato” e 4 – obrigavam a “guerrilha” a ter de remover a barricada e a procurar outra linha de fogo.
Se «os do governo» pretendem preservar um módico de integridade [tarefa que é cada vez mais difícil], assim farão. Se quaisquer outros mais elevados interesses [legítimos, escrutináveis, não há] houver, outra farão, diferente. Ou nada farão.

O problema é que, sabemos, isto anda tudo ligado e da vida fazem parte quer a estultícia quer a sofreguidão bem como toda a sorte de necrófagos.

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