A única vez que opinei sobre swaps e sobre a provável, e eventual, responsabilidade
de Maria Luis Albuquerque, ministra das finanças, terminei o texto “dizendo” «o resto é
guerrilha». Quando o escrevi ainda não tinha ocorrido a audição [que
ouvi, quase, de fio a pavio] efectuada em 30.07 [o meu texto é de 26.07].
Do decurso desses procedimentos parlamentares tive ocasião de ver pela 1ª vez, uma fantochada: uma fantochada
de que se pode queixar ninguém. O que vi e ouvi foi uma emulação mal enjambrada
do que deveria ser de facto um exercício de fiscalização: desde logo porque na
melhor das hipóteses o que dali pode resultar é -- de tão
indefinida em termos jurídicos e consequentemente em termos práticos -- nada:
sequer o constrangimento dos [políticos] "fiscalizados". É afinal parte
substancial do múnus de toda essa
gente [que passa, incólume, de geração em geração] e, simultaneamente, parte do
húmus que caracteriza os lusos. Ora, ao invés do comummente
suposto, enquanto não mudar em “baixo” jamais mudará em cima.
Se existem múltiplas razões
para persistir na denúncia à resiliente falta de transparência bem como da prevalente
contumácia dos clãs há outras tantas para denunciar estes tão picarescos,
quanto improdutivos e nefastos, exercícios de governação e administração democrática.
Subscrevo a nota de Paulo Pinto Mascarenhas no CM
«A história dos
swaps é como se uma quadrilha de bandidos que assaltou um banco durante seis
anos resolvesse, no final da carreira, avisar a polícia de todos os roubos. Os
ladrões queixam-se mais tarde, que ela – a polícia – nada fez durante os dois
anos seguintes, a não ser evitar que o cofre voltasse a ser arrombado. De quem
é o crime?»
Desse grotesto espectáculo
ficam as ligações porque, goste-se ou
não, deverão ficar acessíveis para memória futura. E por nenhuma boa razão,
quanto a mim.
Declaração inicial da ministra
Documentos entregues pela ministra
Ficheiro vídeo da audição à ministra
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