O
“ocidente” digamos assim, prepara-se para mais uma vez meter o bedelho onde não
é chamado e ensarilhar ainda mais o que os que decidiram ensarilhar-se e assim andam
ensarilhados há pelo menos 600 anos sem grandes interregnos, não conseguem
desensarilhar.
Obstinadamente,
em nome de umas «coisas» [liberdade, democracia, direitos humanos, etc…] -- altos e nobilíssimos valores --
que os próprios, em casa, demonstram cada vez mais dificuldades em propiciar
aos seus sem dramáticas entorses, e enormes e profundas máculas.
Washington e o Pentágono asseguram que «a operação será rápida e cirúrgica».
Tal qual o foram as incursões punitivas no Iraque e no
Afeganistão. Ou a que se desenrola no Mali.
«Com custos reduzidos».
Tal qual foi a reposição daa fronteiras no Koweit.
«Sem riscos de incendiar
toda a região».
Como se fosse possível lançar fogo ao que arde. Pelo
contrário:
Israel que até agora se tem aguentado sem se coçar, é
evidente, será instigado por todas as formas e feitios a proceder de acordo com
o «destino» que o Ocidente, por contrapartida, lhe impõe. Que faça mais uma vez
em prol das suas vidas o que já se habituou a ter de fazer -- inúmeras vezes o
trabalho e o jogo sujo que permite à Europa manter as mãos limpas.
A comunicação social de cócoras [que é cada vez mais a sua posição natural] confere
e concede toda a dignidade aos soundbytes
mais convenientes às embaixadas «dos bons».
O secretário de Estado, John Kerry, afirmou ser "inegável a
utilização de armas químicas contra civis".
Esta causa, este nexo causa-me enormes dificuldades de
compreensão.
Bashar Al- Assad que será [dos
intervenientes na contenda] o que menos interessado está em que
terceiros apareçam de permeio, sabendo que uma das red-lines era o uso de
“químicos” ou “biológicos” faz [o que dizem, fez],
e ainda por cima no preciso momento em que os polícias da ONU se apresentaram
ao serviço, o que jamais deveria ter feito. Ora isso não é pisar o risco; é
exigir que o ataquem; que o removam; que lhe ponham uma corda em volta do
pescoço.
Em 1975, em Luanda, desesperado por atirar para fora
de Luanda os da FNLA e os da UNITA, sem o conseguir, o MPLA ganhou a guerra da propaganda. E, assim, logrou o que não conseguira a tiro ou morteiro. Não careceu de muito.
Garantiu a cobertura de toda a comunicação social para o «achado macabro» [uma série de frascos com corações humanos em álcool ou éter
que, após o assalto e desalojada a FNLA, encontrou nas masmorras dos "congoleses do Mobutu, "agentes da CIA"]
que [soube-se de imediato, mas a comunicação social nem
por isso] tinham desaparecido dos laboratórios de Anatomia do Hospital
Maria Pia [centro nevrálgico da faculdade de
Medicina de Luanda].
Nesse tempo, o MPLA,
nos arredores de Luanda, também praticava amiúde a arte de “travestir” os
Faplas. Montavam inopinadamente barricadas, ditas de controle, em nome [mas sem aprovação] dos outros movimentos -- os
Faplas, fardavam-se com as fardas roubadas aos adversários mortos em refregas
anteriores, mudavam de armamento [com excepção das
Kalashnikov que faziam o pleno] e praticaram, impunemente, o terror
sobre as populações.

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