20 de julho de 2013

Para onde caminham os enchidos portugueses?

É a questão-título de um “trabalho” jornalístico ínsito na «Fugas» do jornal Público, hoje.
No primeiro dia a seguir a uma semana em que andaram todos como soe dizer-se, a encher chouriços [aliás com o PS, a probabilidade de isso acontecer é mais do que grande], o menos que deva ser dito é que é apropriado.
Não li nem faço menção disso e mais, de isso não careço para afirmar que o futuro dos ditos e de quem os enche não é brilhante o que, em mim, não será novidade [por isso é que são mais as vezes em que acerto do que aquelas em que erro. O segredo está em baixar as expectativas, não ir em conversas, não acelentar esperanças, antecipar sempre o pior até porque com o razoável, o bom  ou o óptimo não há queixumes].


O problema como é óbvio não está nos porcinos e na sua qualidade [verdade, verdade é que nem sei como será possível duvidar da qualidade dos porcinos, bísaros ou não, se sabemos que a estrumeira em que chafurdam é a que é] nem estará no conhecimento dos quesitos gastronómicos pois esses passam de geração em geração com a mesma fiabilidade com que passam as estórias de D. Fuas Roupinho ou as genuflexões e orações de Afonso Henriques antes da batalha de Ourique ou de Nun´Álvares Pereira antes de Aljubarrota, por exemplo.

O problema dos enchidos em Portugal é, neste tempo, qualquer coisa que faria todo o sentido constar de qualquer medievo inconábulo. Nestes trinta e oito anos coube-nos a ocasião, arte e a presciência de fazer Portugal [em muitos items e em termos relativos] regredir como dificilmente seria imaginável [embora se consiga desde que não nos percamos com a babugem apressada, as mais das vezes de má índole e de má-fé, dos grémios de "especialistas" e se deixarmos aos pardais, pardalecos e pardalões todo o espaço e tempo para debicarem à vontade].
Esta gente atoleimada [a mal porque a bem, está mais do que visto, não quer] não quer ver que nunca dará bom destino aos enchidos enquanto não perceber que antes de qualquer outra coisa o que está subjacente a tudo isto para além da efectiva penúria e das dívidas é que [sem qualquer interferência de persas] engendrámos maneira de forma convicta e voluntária criar, na Ibéria, um desfiladeiro apropriadamente baptizado de Termópilas. E ainda assim, especiosos, com um nada pequeno probleminha: os autênticos acharam umas centenas de espartanos dispostos a tudo espécime que como é mais do que sabido nunca foi encontrado ao longo da história por estas bandas.

De um total de dez milhões e quatrocentos mil, cinco milhões e quinze mil são inactivos o que quer dizer que activos são poucos mais do que outros tantos. Mas que, decompondo, a estes se retiram um milhão que andam ou passaram a andar de mão estendida. E dos quatro milhões e quatrocentos mil, que ainda recebem a transferência dos honorários ao fim do mês quase seiscentos mil, servem o patrão Estado. Quer dizer então que, por defeito, se pode afirmar que apenas 37% * [do total da população] esmifra a toda a hora por sua conta [para se bastar a si mesma e sustentar as legiões dos direitos adquiridos].


*é decomponível mas é melhor não o decompôr a não ser que a pretensão fosse a de terminar no exame laboratorial aos componentes da lavagem em que refocila a porcalhada. Ora, já não estou para isso.

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