26 de julho de 2013

O bombo da festa

O que menos importa são as ventosidades por aí expelidas em forma de verbo. Pondo isso de lado está visto que Maria Luis Albuquerque foi “arvorada” em bombo da festa. Não se conclua que tomo as dores da senhora porque a políticos, de entre outros “agentes” de qualidade similar, raramente lhes fico reconhecido e nunca agradecido.


Em primeiro lugar porquê ventosidades? por uma razão, básica: na melhor das hipóteses, benevolamente, a noção que essa gente tem desses labirínticos contratos financeiros é a que lhes é propiciada pela Wikipedia ou seja, nenhuma portanto, por este lado, assunto resolvido.
Sobejam os que sabem um pouco mais do que isso. Destes há
1 -- os que não têm absolutamente nada a ver com o assunto excepcionando serem chamados a arcar com as consequências e 2 – os que por integrarem esse “corpo” administrativo e/ou político têm responsabilidades por acção ou omissão. Interessam os que possuem responsabilidade política porque i) são estes os que por um lado têm deveres e obrigações de fiscalização e por outro porque ii) por táctica, e na ausência de fiscalização ou de fiscalização deficiente, são os mesmos que esbravejam e dardejam e sempre com um fito, único: apagar o rasto, arranjar expiatório(s), manobrar politicamente.



Tendo afirmado que «a “estória” está a ficar, pelo menos, demasiado enrodilhada para o meu gosto. Até por haver demasiada gente e agentes a aceder a «coisas» que confirmam ou infirmam aquilo e aqueloutro mas sem que eu -- dispensando os seus diligentes "serviços" de intermediação, interpretação,... -- possa fazer um juízo» há que aceder à “permuta epistolar”. Ora, dessa consulta, a reter pelas piores razões [sem que constitua algo de imprevisto] fica a constatação da trágica lentidão com que a administração pública se move e de como para agir se arrasta.

«As notícias não explicam nada, elas são como a espuma à superfície das águas e quanto mais prendem a nossa atenção, mais incapazes nos tornam de compreender verdadeiramente o que se passa e mais insensíveis nos tornam ao que de facto conta. […] As notícias são uma perda de tempo. Todos sabemos, por experiência, que na verdade bastam uns minutos por dia para nos manter informados, o resto é repetição e ruminação que apenas visam alimentar o "infotenimento". As notícias tornam-nos passivos, elas valorizam tão intensamente o que está fora do nosso alcance, que só podem conduzir à resignação e ao conformismo*
O primeiro email  [enviado por Pedro Felício, ex-director-geral do Tesouro e Finanças, à então secretária de Estado do Tesouro e Finanças] é datado de 29 de Junho de 2011. Desse dia até que a acção tutelar se exerceu de facto a Terra fez 578 rotações. E o pior é que, intuo, Maria Luis Albuquerque terá muitas e mais do que justificadas e ponderosas razões para avocar em sua defesa. Mais do que aferir a lentidão com que a administração pública levou a reagir aos efeitos nefastos dos “negócios” poder-se-ia ou dever-se-ia começar pelo princípio: perceber todas as razões e os meandros que tornam possível que qualquer indigitado bicho-careta possa meter a mão à massa e fazer dela o que melhor  lhe parece. Isto é que, suspeito, não haverá muito quem nisso esteja interessado e da parte dos proprietários das ventosidades tudo o que convoque ou exija largar a chinela é demais.O resto é guerrilha.

Hão-de perceber [se alguma vez perceberem] que o que sobra dessa cultura filistina e dessoutro imenso cúmulo de pigarreio erístico é mais do que pouco: imperceptível e muito menos impressivo.

* Manuel Maria Carrilho


ADENDA

A opinião de Maria Abrantes de Sousa * in Público, 29.07.13

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