terça-feira, 11 de junho de 2013

De insígnes «bichos da terra tão pequenos *»

Deparei na web com um vídeo da RTP1 em que o PR, entrevistado pela Fatinha [Campos Ferreira], diz a dado passo «Tudo o que se diz no Conselho de Estado fica gravado. As gravações neste momento não são conhecidas mas, quando o forem […], quem fizer a comparação entre o que está gravado e o que foi escrito, há-de ter uma grande surpresa»
 
Surpreendido ficaria eu se cresse que Cavaco Silva supõe que alguém se surpreenda com essas alegadas “discrepâncias” de conselheiros. Não é o caso. Estamos falando de cabouqueiros e perpetradores.
 
Em primeiro lugar porque, essa apreciação, será feita no futuro. Por assim ter de ser, para o presente representa nada. Em segundo lugar porque, então, a isso se dedicarão uns escassíssimos historiadores e poucos mais curiosos. A repercussão desses «estudos» e «curiosidades» será, obviamente, nenhuma: o que, aliás, não será nem menos nem mais do que acontece presentemente com a utilidade dada ao que sabemos sobre o que contemporâneos [vivos] fizeram ou não fizeram há anos, décadas atrás. Em terceiro lugar porque essas apreciações, volteios e faenas á parte, redundam sempre em juizos de carácter. Ora sabemos, por experiência, que do carácter dos que protagonizaram a «emulação democrática» e dos que protagonizam a simulação deste «Estado de Direito», melhor será não falar. Porque se falamos de carácter, falamos de qualidade; se falamos de qualidade, falamos do que há pouco -- integridade, hombridade -- e por isso, temos de falar do que é mais comum -- cinismo, táctica, velhacaria, dissimulação, mesquinhês, …
Se assim não fôr, falamos de quê?
Há excepções? Claro que as há. O problema está mesmo nisso: serem excepções. E, que se saiba, as excepções nunca substantivam a regra.
 
Em 1985, a D. Quixote, publicou  «Cartas Particulares a Marcello Caetano» de José Freire Antunes em dois volumes, onde constam “epístolas” – umas «dedicadas», «emocionadas»,… outras «penhoradas», de «júbilo», «ao meu bom Amigo» ou «prezado Amigo», «…estrénue …» --… a maioria delas escritas a hemolinfa.
Dos remetentes fazem parte Diogo Freitas do Amaral, Eurico de Figueiredo, João Coito, José Mensurado, José Miguel Júdice, Luis Stau Monteiro, Lurdes Pintassilgo, Mário Castrim, Raul Rego, Vasco da Gama Fernandes, Henrique de Barros, Francisco Pinto Balsemão, A. H. Oliveira Marques, entre outros.
 
Muito fica explicado e mais outro tanto, justificado.
 
*Luis Vaz de Camões

2 comentários:

  1. Apreciei, e concordo (mas tive de ir ver o que é hemolinfa).
    Abraço

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