A
torre habitacional, número-não-sei-quantos, do bairro do Aleixo foi abaixo. A
parolada da comunicação social, cheia de mundo, tratou do folclore mediático em
redor das especialíssimas “minudências” técnicas que uma implosão não dispensa.
E como não podia deixar de ser assestou todos os azimutes na exibição da componente
social da questão… as bocas cheias de dentes cariados, ou a sua falta, exibindo
as epidérmicas obras de tatoo, os
lóbulos com os imprescíndíveis brinquinhos, as meninges carregadas de
piorreia e a língua a debitar a linguagem própria aos desvalidos,
taxonomicamente, deste tipo.
Os da(s) torre(s) do(s) Aleixo(s), coitadinhos, são [quiçá, geneticamente] carentes, necessitados, desestruturados, negativamente discriminados e foram [é preciso não esquecer] guetizados [se, logo no pós- 25 Abril, tivessem atribuído a cada agregado familiar uma maison geminada com quintal, e garagem pró automóvel, hoje, seria a mesma coisa: ao invés de serem duas ruas com cinco ou seis “torres”, seria um emaranhado de ruas bordejadas por centenas de casas térreas. Um gueto, mais rasteiro mas mais extenso].
São,
assim ou sem assim ser, as “nossas” «vítimas» e ponto final. E eu, coração empedernido,
não tenho como me condoer ou melhor condoo, mas não tanto além de estar sempre
de pé atrás com a proclamada desgraça alheia. Valha-me [agora e sempre] a
confissão que não merece castigo.
Sendo
autêntica, genuína, verdadeira, parte de toda aquela desgraça, a pergunta que
nunca foi [nem será, prognostico eu] respondida*, é
- E que fizeram a maioria daquelas criaturas, ao longo de quatro décadas, para
quebrar os elos de dependência da solidariedade alheia leia-se, do Estado?
*a minha resposta segue, mais ou
menos, pelo seguinte caminho
«Pouco
ou nada. Muito provavelmente limitaram-se a serviço a serviço, gabinete a
gabinete, funcionário a funcionário a esquadrinhar as múltiplas opções [que as
há para as mais variadas formas de “fatalidade”] da parafernália de programas assistenciais
à sua disposição. É uma forma de administrar a existência além de, por outro
lado, ser a mais elevada forma de justificar a imprescíndivel máquina
técnico-burocrática assistencialista e previdencial.»
** para garantir a reformas devidas é que não serviria, certamente. Já que essas, até ver, são para pagar a quem desgraçadamente andou uma vida a trabalhar e a descontar em contribuições, impostos, taxas e sobretaxas e demais alcavalas afins para a reforma própria e mais os direitos inalienáveis adquiridos pelos dos(s) Aleixo(s). E mais... os hábitos de trabalho e responsabilidade tal como os de ócio e irresponsabilidade se são hábitos... pois bem: quem os tem que os preserve!
** para garantir a reformas devidas é que não serviria, certamente. Já que essas, até ver, são para pagar a quem desgraçadamente andou uma vida a trabalhar e a descontar em contribuições, impostos, taxas e sobretaxas e demais alcavalas afins para a reforma própria e mais os direitos inalienáveis adquiridos pelos dos(s) Aleixo(s). E mais... os hábitos de trabalho e responsabilidade tal como os de ócio e irresponsabilidade se são hábitos... pois bem: quem os tem que os preserve!
