14 de abril de 2013

Sem eles para que serviria o «Estado-social»? **


A torre habitacional, número-não-sei-quantos, do bairro do Aleixo foi abaixo. A parolada da comunicação social, cheia de mundo, tratou do folclore mediático em redor das especialíssimas “minudências” técnicas que uma implosão não dispensa. E como não podia deixar de ser assestou todos os azimutes na exibição da componente social da questão… as bocas cheias de dentes cariados, ou a sua falta, exibindo as epidérmicas obras de tatoo, os lóbulos com os imprescíndíveis brinquinhos, as meninges carregadas de piorreia e a língua a debitar a linguagem própria aos desvalidos, taxonomicamente, deste tipo.


Os da(s) torre(s) do(s) Aleixo(s), coitadinhos, são [quiçá, geneticamente] carentes, necessitados, desestruturados, negativamente discriminados e foram [é preciso não esquecer] guetizados [se, logo no pós- 25 Abril,  tivessem  atribuído a cada agregado familiar uma maison geminada com quintal, e garagem pró automóvel, hoje, seria a mesma coisa: ao invés de serem duas ruas com cinco ou seis “torres”, seria um emaranhado de ruas bordejadas por centenas de casas térreas. Um gueto, mais rasteiro mas mais extenso].
São, assim ou sem assim ser, as “nossas” «vítimas» e ponto final. E eu, coração empedernido, não tenho como me condoer ou melhor condoo, mas não tanto além de estar sempre de pé atrás com a proclamada desgraça alheia. Valha-me [agora e sempre] a confissão que não merece castigo.

Sendo autêntica, genuína, verdadeira, parte de toda aquela desgraça, a pergunta que nunca foi [nem será, prognostico eu] respondida*, é
 
  • E que fizeram a maioria daquelas criaturas, ao longo de quatro décadas, para quebrar os elos de dependência da solidariedade alheia leia-se, do Estado?

*a minha resposta segue, mais ou menos, pelo seguinte caminho
«Pouco ou nada. Muito provavelmente limitaram-se a serviço a serviço, gabinete a gabinete, funcionário a funcionário a esquadrinhar as múltiplas opções [que as há para as mais variadas formas de “fatalidade”] da parafernália de programas assistenciais à sua disposição. É uma forma de administrar a existência além de, por outro lado, ser a mais elevada forma de justificar a imprescíndivel máquina técnico-burocrática assistencialista e previdencial.»

** para garantir a reformas devidas é que não serviria, certamente. Já que essas, até ver, são para pagar a quem desgraçadamente andou uma vida a trabalhar e a descontar em contribuições, impostos, taxas e sobretaxas e demais alcavalas afins para a reforma própria e mais os direitos inalienáveis adquiridos pelos dos(s) Aleixo(s). E mais... os hábitos de trabalho e responsabilidade tal como os de ócio e irresponsabilidade se são hábitos... pois bem: quem os tem que os preserve!