27 de abril de 2013

Qual é a “notícia”, afinal?

No passado dia 25 de Abril, face a inúmeros textos de gente que dizia que aquele «tinha sido o dia mais feliz das suas vidas» e outros panegíricos de calibre mais grosso dei por mim a relembrar como o vivi. Sem exagero posso afirmar que foi um dia igual a tantos outros acrescido de dúvidas e alguma expectativa com o que "ia de cá" para além do gáudio de o dia de aulas não ter sido "normal" ou seja, nem houve nem deixou de haver, aulas: foi um dia autogestionado, em de roda livre.

O CM pespega na capa com a “novidade” [ao lado]
... "transporta-me" aos dias subsequentes, aos dias 26 ou 27, de Abril que digo agora, me colocaram defronte a alguns dos primeiros pulhas que tive o desprazer de repartir uns pouquíssimos avos da minha adolescente existência.


Aqueles sórdidos e desprezíveis espécimes que, da noite para o dia, se “transformam” nos mais encarniçados e velhacos [embora pessoal e directamente nada tenham feito que resultasse em prejuízo] «revolucionários» [marxistas, leninistas, estalinistas, maoistas, albaneses, nitistas, guevaristas,…]
Dos traços que caracterizam esta sorte de espécimes destacam-se a arte de procurar antes de qualquer outra coisa retirar vantagem da situação portanto quanto mais pantanosa fôr a situação, melhor.
Por regra são reconhecida e comprovadamente os mais medíocres *.

Lá, no meu meio, havia uma criatura que se destacava no seio de mais de setecentos alunos por quatro circunstâncias, razões e motivos:
1 – era, em termos absolutos, dos mais velhos do liceu,
2 – em termos relativos era certamente o mais velho (18/19 anos de idade) de todos os do 5º ano,
3 – também era dos que fazia gala em apresentar um rol de notas tão consistente em letras e números, a vermelho e
4 – fisicamente, destacava-se por não haver quem mais ostentasse semelhante corpanzil mastodôntico.
Poucos meses decorridos foi o primeiro a encabeçar uma sanha persecutória ao reitor do liceu no sentido de o sanear e em conluio com outros de categoria semelhante, de outros liceus, exigir a extinção dos exames no último ano do curso geral dos liceus **

Atenho-me apenas a este “exemplar” [que é um de cinco lídimos – três estudantes liceais, um universitário e outro um pária a quem hoje pagamos a reforma que obteve da RTP pelos serviços prestados em Moçambique] para não trazer à liça parte do muito que houve e por desmerecer o tempo, decididamente. Acontece porém que não tenho nem a arte nem a prática da memória selectiva.

Nada sabendo da criatura, sei no entanto o que é público.O que é esta criatura, agora? É um «capitalista» como convém ser, digo eu, e como se auto-cataloga.
Ia lá continuar revolucionário?! isso é que era bom! se, na praxis MPLA, os mais miseráveis tiques revolucionários são hoje as mais abjectas e exceráveis práticas do mais hediondo “capitalismo”!

Então como agora, lá em Angola como cá em Portugal, há trampa que nem vale a pena mexer pela simples razão de que 1 – nada resolve e 2 – nem com nada disso os contemporâneos se inquietam nem têm por que se inquietar (1).
Os pais aprenderam com os avós, os filhos com os pais e as “provas de estrada” foram feitas com os proveitos [e proventos] advenientes quer da sua condição invertebrada quer, por maioria de razões, do contorcionismo. Razão tinha o “mestre” em História que, no Recife, ao confrontá-lo com a lástima que é isto, aquilo, aqueloutro,… assentiu, mas retorquindo que «tiveram excelentes professores além de décadas e mais décadas de aulas práticas».

Onde está a novidade?
Foram aos milhares os casos em que tal aconteceu ao tempo do PREC mas pior é que voltou a acontecer -- não pela mesma forma mas que produziram efeito similar e proveito -- na década de 80 com o tsunami das universidades privadas. Onde está a novidade?!


Já várias vezes o escrevi e voltarei a escrever:

... roguem, reclamem de tudo. Não roguem ou reclamem por vergonha: não falem em vergonha ou então, quando efectivamente a tiverem, e sentirem, comecem o serviço -- de alto a baixo, sem olhar a quem -- e parem apenas quando tiverdes a certeza de que o "ambiente" ficou descontaminado. Até lá, antes de abrirem as bocas, olhem para os espelhos e abram os armários.

 ~ Resumindo ~
não corram o risco de pôr a ventoínha a funcionar. Não vão ser cortados pelas pás além de ficarem encharcados de trampa.

refiro estudantes pelo que a mediocridade tem que ver com os percursos se bem que as criaturas em questão fossem já, caracteriologicamente, irrecomendáveis.

** digamos que acompanhei a situação porque um colega universitário [também ex-aluno do liceu], de Economia, me veio desafiar para irmos a Benguela a uma RGA por forma a demovê-los se não da “luta” pelas passagens administrativas pelo menos da inadmissível sanha persecutória ao reitor.

(1) nota pessoal
Na primeira pessoa ponderadamente digamos que não me inquieto: nunca se sentaram à minha mesa e jamais sentarão. Se alguma inquietação de isso pode advir é [e só] digamos pelos meus descendentes. Tudo o mais é asco.