16 de março de 2013

Perfunctória apreciação


Perfazem-se hoje 20 anos sobre o passamento de Natália Correia. Quis a Providência dotá-la, entre outras qualidades intelectuais, de uma especiosa, refinada e acutilante verve adjuvada de outra mais, nada natural no género... digamos que em prejuízo da sociedade em geral, dos homens em particular. A  Natureza dotou-a de um par de gónadas de fazer inveja [aos que têm inveja já que, suspeito, se foram poucos a tê-la hoje, é patente, são bem menos] aos varões lusos.
Ler Natália Correia é um deleite. Revisitá-la, hoje, chega a ser deletério.

«Eis-me entre o histórico de me perder por todos e o espiritual de me salvar por mim própria. O dilema queima. Entro, assim, a fundo no histórico. Para lhe dar combate! Este Portugal revolucionário é o laboratório pré-diluviano do Ocidente que neste seu extremo extremiza os efeitos sombrios dos seus Magos. Marx e a sua cientificação da luta de classes! Sempre a posse, a posse refinada do Estado proprietário de todas as vontades.
Avança, povo! Acomete! Apossa-te! Na realidade, é sempre o mesmo punhado de sectários que o magismo marxista instiga às depredações sobre as quais querem levantar o seu reino de posse absoluta. Ou abandoná-la à sombra do seu gémeo fascista. (…)
Ai, não serei eu a comover-me com as lágrimas que os partidos democráticos hão-de verter sobre o leite que derramam. A sua lamechice humanística torna-os tão responsáveis pela liquidação das liberdades de que são platónicos campeões como essa minoria cerrada pela força da mística que vertiginosamente os ultrapassa»
13.11.1975