Perfazem-se hoje 20 anos sobre o passamento de Natália Correia. Quis a Providência dotá-la,
entre outras qualidades intelectuais, de uma especiosa, refinada e acutilante
verve adjuvada de outra mais, nada natural no género... digamos que em prejuízo da
sociedade em geral, dos homens em particular. A Natureza dotou-a de um par de gónadas de fazer
inveja [aos que têm inveja já que, suspeito, se foram
poucos a tê-la hoje, é patente, são bem menos] aos varões lusos.
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Natália Correia é um deleite. Revisitá-la, hoje, chega a ser deletério.
«Eis-me entre o
histórico de me perder por todos e o espiritual de me salvar por mim própria. O
dilema queima. Entro, assim, a fundo no histórico. Para lhe dar combate! Este Portugal revolucionário
é o laboratório pré-diluviano do Ocidente que neste seu extremo extremiza os
efeitos sombrios dos seus Magos. Marx e a sua cientificação da luta de classes!
Sempre a posse, a posse refinada do
Estado proprietário de todas as vontades.
Avança,
povo!
Acomete! Apossa-te! Na realidade, é
sempre o mesmo punhado de sectários que o magismo marxista instiga às
depredações sobre as quais querem levantar o seu reino de posse absoluta. Ou
abandoná-la à sombra do seu gémeo fascista. (…)
Ai,
não serei eu a comover-me com as lágrimas que os partidos democráticos hão-de
verter sobre o leite que derramam. A sua lamechice humanística torna-os tão
responsáveis pela liquidação das liberdades de que são platónicos campeões como
essa minoria cerrada pela força da mística que vertiginosamente os ultrapassa»
13.11.1975